março 20, 2016

As consequências de uma sociedade pouco informada...


Bom, ohayou! [nota: isto não é bem um novo layout, só mudei o tema para comemorar a primavera]

O post de hoje será irritantemente reflexivo e longo, mas de importância extrema, PORTANTO LEIAM NEM QUE DEMOREM UM ANO! Comecei a escrever há semanas, mas vou deixar estar toda a introdução que fiz na altura a partir de AGORA ||| Estou a escrever isto ás 6h45 da manhã, já que eu acordo sempre bem antes de as aulas começarem para adiantar algumas coisinhas minhas, e o post de hoje veio em sequência de uma pequena frustração de ontem. É dia 19 de Fevereiro, mas provavelmente não irei publicar isto hoje por tratar de representatividade, algo de que falei muito recentemente - e vocês sabem que eu tenho a mania de intercalar assuntos. Este é um post onde falarei um pouco mais da questão LGBT+ e trarei alguns detalhes que não ficaram particularmente claros {neste post - quem não sabe nada do que aí está pouco perceberá sobre este post}, acompanhados de curiosidades. 

Mas então, porquê o título do post? Porque, mesmo com uma boa intenção, uma sociedade pouco informada acaba fazendo asneira. Ontem houve, nas minhas aulas de inglês, a apresentação de um trabalho em que a rapariga falava, supostamente, de LGBT+, mas disse tanta coisa errada que eu nunca saberia por onde começar a corrigir. Pior: parecia que ninguém tinha detetado os erros, incluindo a stôra, então eu optei por ficar caladinha e não estragar a apresentação dela, dizendo que nem o conceito-base estava bem definido. Mas foi realmente uma situação frustrante, ver toda a gente sentir-se apoiante dos movimentos lgbt+ sem que percebessem o mínimo sobre o assunto, ver toda a gente tentar aceitar pessoas sobre as quais nunca se informaram, nunca tentando saber nada sobre os outros para tentar compreendê-los melhor. E eu ali, que sabia tanto e tinha tanto para corrigir, a explodir para dentro, de boca cerrada, cabisbaixa, porque só ver um assunto tão importante para mim de tal forma espezinhado arruinou os meus ânimos. Acho que nem estudei devidamente ontem, por estar com a cabeça nisso.

A minha amiga cometeu dois erros essenciais: 1, disse LGBT em vez de LGBT+. Eu sei que ela não estava muito motivada para fazer aquele trabalho, mas já que o fez, podia pelo menos ter tentado compreender que aquilo poderia ter importância para alguém. O sinal "+" simboliza a sigla completa, ou seja, LGBTTQQIAA. Significa Lesbians, Gays, Bisexuals, Transexuals, Trangender, Queer, Questioning, Intersex, Asexuals, Allies (definições básicas: www) - mais coisa menos coisa, já que há versões um pouco diferentes, mas a que eu coloquei aí é a mais completa. Ao não representar o +, montes de pessoas estão a ser excluídas, e embora eu seja sempre incluída na letrinha B, fiquei ofendida por quem não o estava. Além disso, quando alguém fala de LGBT+ parece estar a falar apenas de GGGG, se é que me faço entender (e caso não faça, mais aqui, na descrição e comentários: www). A minha amiga cometeu ainda o erro de dizer que "LGBT" era um movimento que apoiava a adoção (???) feita por casais homossexuais, e isso foi tão absurdo que até doeu. Eu não estou a tentar troçar dela - até a acho uma pessoa bem querida, e o que ela disse podia ter sido dito por qualquer outra pessoa presente na sala. A questão é que LGBT+ é um movimento para apoiar as várias minorias e ISSO IMPORTA: uma vez vi uma alegoria onde era mencionada uma sala com 10 pessoas. 1 das pessoas era hétero, as outras possuíam diferentes orientações sexuais e identidades de género. Ironicamente, a única maneira de elas conseguirem visibilidade era juntando-se, apesar de também serem bastante diferentes entre si. LGBT+ é isso, é essa união e essa procura por representatividade. 

Sabem que há raparigas que só se apercebem ao crescer de que aquele sentimento que tinham por melhores amigas eram na verdade crushes? E eu incluo-me de certa forma aí. Assim como também há muitas pessoas trans que demoram a aperceber-se do quanto identidade de género é uma coisa fluída. Há muita gente que demora a perceber que faz parte da comunidade queer, porque nunca ouviu falar muito sobre o assunto e nunca se imaginou enquadrada como sendo de outra sexualidade ou género. Mas, e se a partir do momento em que imagina/se informa, a ideia nem lhe parecer tão descabida assim? Transmitir as ideias erradas acaba com a chance de mais pessoas se identificarem, se conhecerem a si próprias, e é por isso que defendo tanto uma correta representatividade de lgbt+. Uma vez li uma análise Korrasami do CC, onde a a autora dizia que viu uma vez um assexual arromântico comentar que, por não sentir atração, ficava sempre surpreendido quando se formava um casal numa história - por nunca ter experienciado amor, não conseguia captar os sinais. É parecido com o espanto que heterossexuais que engoliram bem a heteronormatividade da sociedade demonstram ao ver um casal queer aparecer numa história, dizendo que foi "Out of the blue". E se isso também funcionar no sentido contrário? E se, por não se estar a par dos sinais, não se consegue sentir determinados tipos de atração?

Mas já devo ter filosofado demais. O que trago agora são alguns curiosidades que achei importantes para esclarecer melhor as pessoas e reduzir o texto filosófico-dramático.

» LGBT+ não é modinha
Leo, de Assassin's creed.
Sorte vossa não o ter juntado
com o Ezio.
Lá porque há cada vez mais pessoas a assumir-se lgbt+, isso não significa de maneira nenhuma que a pessoas pertencentes às minorias sejam uma coisa recente. Apenas significa que a ideia de comunidade, e os nomes criados para facilitar as pesquisas e encontrar mais facilmente alguém com que lgbt+ se identifiquem, são recentes. Significa que a luta por visibilidade é cada vez maior, e eu penso que tal é lindo. Mas a verdade é que muitos nomes aclamados da história pertenciam à comunidade, e apesar de filmes e obras sobre eles frequentemente evitarem representar isso, aqui uma lista fenomenal dessas pessoas. Essa lista inclui, por exemplo, Shakespeare e Leonardo da Vinci: www

» Atração sexual, sensual, estética e romântica são coisas distintas
As definições foram tiradas {daqui} e são de extrema importância. Muita gente não se apercebe de que faz parte do guarda-chuva ace porque acha que a vontade que pode ter de beijar alguém significa que sente atração sexual, quando não necessariamente. Acrescentei, em itálico, algumas informações.
  • Atração estética/física: atração pela aparência de alguém, sem natureza romântica ou sexual. Ou seja, até pode ser que se queira passar bastante tempo a admirar a aparência da pessoa, mas não há o desejo de lhe tocar.
  • Atração romântica: desejo de estar romanticamente envolvido com outra pessoa. Detalhes mais à frente.
  • Atração sensual: desejo de ter contato físico não sexual com outra pessoa, como um toque carinhoso, por exemplo. Exemplos: Querer beijar alguém, os tais toques carinhosos, mas geralmente esses toques nunca vão abaixo da cintura. 
  • Atração sexual: desejo de ter contato sexual com alguém para compartilhar da sua sexualidade com essa pessoa. Literalmente querer fazer sexo com a pessoa.
Há vários tipos de atração romântica, que são, por exemplo, o que permite distinguir os vários tipos de assexualidade (falo deles a seguir, mas que fique claro que alguém pode ser assexual e sentir atração romântica). Uma pessoa pode ser hétero, e birromântica - não tenho a certeza, mas acho que é a isso que se chama de ser heteroflexivel, sendo que também existe o termo homoflexível para designar o contrário: alguém homossexual que pode sentir, ocasionalmente, atração pelo género oposto. Portanto, aqui vai a listinha.
  • Arromântico: Não se sente atração romântica. 
  • Heterorromântico: Atração romântica pelo género oposto.
  • Homorromântico: Atração romântica pelo mesmo género. 
  • Birromântico: Pode ser tomado num sentido mais fechado ou mais amplo. O mais fechado, e mais comum, significa gostar do próprio género e do género oposto, mas também pode ser do próprio género e de um género não binário, ou do género oposto e de um género não binário - mas 2, de qualquer forma. Num sentido mais amplo, o "bi" não deve ser entendido como 2 e sim como dualidade, ou seja, gosta-se do próprio género e de qualquer género que não seja o próprio. Esta segunda definição também pode ter o nome de....
  • Panromântico: Ou seja, gostar de todos os géneros, ou quase (Poly)

» Os vários tipos de assexualidade: tirinha perfeita: www
Eu tinha num outro post colocado uma imagem sobre isso, mas como o texto estava em inglês, imagino que nem toda a gente tenha lido. Só quero reforçar 2 coisas primeiro: Que assexuais não são celibatários - pois os celibatários escolheram, quer sintam atração sexual quer não, conscientemente, não fazer sexo nunca por alguma razão (motivos religiosos, por exemplo), sendo que com os assexuais pode até dar-se o oposto; E de novo, que assexuais podem apaixonar-se e ter relacionamentos. Ou seja, existe isto:
  • Assexual arromântico: Não sente nenhum tipo de atração romântica. 
  • Assexual romântico: Pode dividir-se em subcategorias, e para cada uma delas pode corresponder qualquer dos tipos de atração listados acima. Se essas pessoas fazem ou não sexo, depende principalmente de 2 razões: do tipo de assexualidade em si, e do que estão dispostas a fazer pelos parceiros.
Então, vou listar TODOS os tipos de assexualidade que conheço, sublinhando os "principais".
  • Graysexual: Alguém que às vezes tem, e outras vezes não, desejo sexual. Para muita gente, essa vontade só vem após o parceiro tomar a iniciativa, ou então sentem desejo sexual em circunstâncias bem raras e específicas. 
  • Demissexual: Alguém que não sente NENHUM desejo sexual com NINGUÉM até que um tenha um laço muito forte formado com outra pessoa.
  • Fraysexual: Alguém que sente desejo sexual em relação a estranhos, mas que o perde conforme se torna mais próximo das pessoas. É o oposto de Demi.
  • Cupiossexual: Alguém que não sente atração sexual, mas deseja um relacionamento sexual.
  • Lithossexual/Akiossexual: Sente atração sexual, mas não quer que esta seja recíproca. 
  • Authochorissexual/Aegossexual: Descreve mais uma experiência que uma sexualidade, é basicamente sentir prazer sexual ao ver algo de sexual (tipo pornografia), mas sem participar. Há uma espécie de desconexão. Detalhes aqui: www
  • Placiossexual: Desejo de experimentar o ato sexual com alguém, mas não querer vê-lo retribuído (nota: o que não se quer retribuído é a ação, não a atração).
  • Aphotissexual: Sente repulsão por sexo.
  • Parassexual: Alguém que só faz sexo pelo propósito da reprodução.
  • Pothissexual: Alguém que é sexpositive (faz e gosta de sexo), mas continua assexual por não sentir atração. Antigamente conhecido por iculasexual.  

» Ser pan não é gostar de árvores ou de animais '-'
Como eu já disse, pansexualidade pode ser encarado como uma sexualidade própria ou uma extensão do termo bi. Pessoalmente, eu penso que deve permanecer nas duas categorias: Se pertencer ao ramo da bissexualidade, então indica que a pessoa gosta de todos os géneros (homem e mulher cis ou trans, andróginos, genderfluid, intersex, genderqueer, trans não binário...) e que tem algo que prefere em cada um dos géneros - sim, porque na bissexualidade, é frequente as pessoas gostarem mais de certas características num género, e noutro género preferirem características diferentes. Já a pansexualidade fora do ramo bi, indica que se sente atração INDEPENDENTEMENTE do género, ou seja, sem essas preferências. Geralmente, é por essa linha de pensamento que alguém escolhe a sua label.

Mas quando eu era pequena, ouvia falar (e ficava bastante enojada) de pessoas (que nem sequer recebiam o nome de pansexuais, e sinceramente, ainda bem, porque seria um insulto para elas) que gostavam "de tudo": diziam que essas pessoas gostavam de homens, mulheres, crianças, árvores, animais, objetos... E entretanto descobri que ainda existe quem pense que a pansexualidade é isso. POR FAVOR PAREM!!! PAREM E INFORMEM-SE!!!

Também não significa gostar de toda a gente ao mesmo tempo. O mundo para eles também é feito de pessoas, não de presas, ok?

Caso alguém tenha ficado confuso, recomendo amigavelmente este post: www

» Tomar conta de uma criança trans - e as dificuldades que estas têm de enfrentar
Nunca é demasiado cedo ou tarde para uma pessoa se conhecer devidamente, e há um caso bem conhecido, de uma rapariga trans de 7 anos que dá pelo nome "M" na internet, e cuja mãe já respondeu a várias entrevistas merecedoras de leitura, como esta: www. Aí, a mãe fala do quanto, no começo, tentava convencer a sua filha - portanto, nascida biologicamente rapaz - de que estava tudo bem em gostar de coisas de rapariga mesmo sendo um rapaz. A mãe não tinha a menor noção de que existissem pessoas trans... nem de que isso fosse normal. Mas com o tempo, começou a informar-se mais, a aceitar a filha, a conhecer outros pais na mesma situação e a aprender como lidar com os obstáculos que a sociedade impunha. Há muitas dificuldades que pessoas trans podem enfrentar, incluindo dúvidas sobre qual casa de banho usar, mas achei respostas a isso aqui, para os curiosos: www. A questão das casas de banho pode ser bem complicada em certos lugares, especialmente se não houver casas de banho neutras ao género - deviam ser feitas mais. E para quem acha que casas-de-banho neutras aumentam os riscos de assédio, esta é a percentagem de de pessoas que se afirmam trans e usaram isso para assediar outras: 0%

Além disso, não só aplicado a crianças mas a qualquer pessoa trans ou genderqueer, Justin Hubbel faz tirinhas que falam das dificuldades e das recompensas de se ser trans e se aceitar como tal, e aqui está uma muito boa sobre como uma pessoa não tem de transitar de um género binário para o outro de repente: www. Achei ótima porque, dantes, eu achava ofensivo que mulheres trans usassem saia sem fazer a depilação - como se estivessem a tirar sarro dos nossos cuidados extremos e stressantes, e só se estivessem a esforçar por ser "femininas" (eu sei que isso parece sexista e passa a ideia de que há um padrão feminino, mas não me veio outro termo: aceito sugestões) no que lhes convinha. Contudo, a tirinha mostrou-me que pode ser assustador para alguém tentar mudar a forma como foi obrigado a viver, durante anos, de um dia para o outro. Os pequenos passos devem ser aceites, e bem encarados. Ver isso como preguiça ou falta de vontade é estúpido, e voilá, concluo dizendo que fui estúpida por demasiado tempo. Mas aprender é assim mesmo.

E isto devia ser óbvio, mas muita gente confunde:
  • Uma mulher trans que goste de mulheres é homossexual. O mesmo para homens trans.
  • Se alguém diz que gosta de mulheres, mas só está a pensar em mulheres cis, está a ser transfóbico. Mulheres trans são mulheres. Ponto. 
  • Trans binários NÃO são andróginos - se são trans binários, são homens e mulheres, como quaisqueres outros, e com um género perfeitamente definido. 

» Não nos limitemos a trans binário: www
Aí em cima está uma tirinha que mostra na PERFEIÇÃO o quanto é ridículo e desatualizado acreditar que existem apenas dois géneros. Como tirinhas são fáceis de ler, assim evito ter de fazer um testamento com explicações. É por isso que acho importante que as pessoas tenham o cuidado de não imaginar que só existem trans binários. Nem todos os trans se identificam mulheres, ou homens, fóra que podem ser de qualquer sexualidade (não confundam orientação sexual com identidade de género!). Há muitos outros géneros, em que as pessoas podem preferir ser tratadas com pronomes como they, ze/hir, xe... {Aqui} uma lista com todos os pronomes, e um {guia} para o caso de algum de vocês estar a ter dificuldade com os pronomes. Que pena que em português até "they" tem género, não é?

Importa distinguir transgender de transexual. Para ambos os casos, a pessoa não é cis, ou seja, não se identifica com o género designado à nascença. Contudo, transsexual é mais usado para quem decide submeter-se a cirurgias e, de qualquer forma, o termo é cada vez menos usado, pois parece indicar que o corpo (genitálias, hormonas...) são mais importantes que a identidade de género. Fonte: www

Outra coisa importante: não pensem que, para alguém exibir um género "neutro", tem de usar roupas praticamente masculinas. Isso é até sexista, mas {aqui} mais detalhes.

De qualquer forma, aqui vai uma lista de todos os géneros de que conheço. Se me tiver esquecido de algum, avisem e, já agora, peço desculpa por ter explicado isto tão mal no post anterior sobre lgbt+. Aliás, não traduzi os nomes dos géneros, porque soam horrivelmente mal em português, mas cá vai.
  • Genderqueer: Um termo guarda-chuva, que implica praticamente o mesmo que não-binário. Pode englobar, portanto, todos os géneros abaixo. Há quem pense que genderqueer implica algo "entre homem e mulher", o que também pode ser o caso, mas não necessariamente. Há muitos termos que fazem parte de genderqueer.
  • Genderfluid: Alguém que sente que o seu género varia conforme o tempo. A pessoa pode sentir-se às vezes mais homem, mulher, não-binário ou multi-género. É basicamente uma mistura "dinâmica", fluída.
  • Agender: Significa literalmente "sem género", e uma pessoa pode considerar-se Agender por diversos motivos, para além de se poder identificar ou não com várias subcategorias:
    • Não ter género - ou seja, não há a identificação com nenhum género, nem mesmo fluído. 
    • Ter género neutro - ou seja, não sentir que se seja homem nem mulher, mas ainda assim sentir que se tem um género fixo. Isso pode ser chamado de Aporagender.
    • Ser neutrois - é parecido com género neutro, mas aqui a pessoa pode ter dysphoria e desejar (ou não) cirurgiã para retirar algumas/todas as características que indicam género.
    • Não querem saber de géneros nem de labels, e usam "agender" para indicar essa escolha e a recusa em encaixar em alguma "caixa".
    • Não sabem qual é o seu género, mas sabem que não é fluído nem binário.
  • Demigender: Alguém que sente uma conexão parcial, mas não total, em relação a um certo género. É um termo guarda-chuva que alberga demigirl, demiboy, e demiandrogyne, por exemplo.
  • Bigender: Alguém que se identifica com dois géneros ao mesmo tempo (mas o grau de identificação pode ir variando), não necessariamente homem e mulher. 
  • Multigender: Bigender está incluído aqui. Pangender, a identificação com todos os géneros, também. Multigender é alguém que sente que tem, ao mesmo tempo (mas o grau de identificação pode variar), mais de um género, sejam eles quais forem.  Qual é a diferença entre isso e genderfluid? Genderfluid implica que, a cada momento, a identidade de género é diferente, há uma variação. Multigender é uma identidade de género fixa, o que pode variar é a afinidade com cada um dos géneros, mas não o facto de se identificar sempre com todos eles.
  • Androgynous: A aparência, o comportamento e outros fatores denotam tanto características femininas como masculinas. 
  • Intersex: É alguém que, seja à nascença ou mais tarde, manifesta caraterísticas físicas tanto do género feminino como do masculino. Essas características têm a ver com, por exemplo, a anatomia, órgãos reprodutores, cromossomas ou hormonas, embora as hormonas não recebam tanta atenção. Muitos médicos tentam *cof* tratar *cof* essas características logo à nascença, ou esperando para ver o desenvolvimento do corpo da pessoa em questão, e alguns chegam a operar tratamentos sem o consentimento ou avisar a própria pessoa e/ou família desta. Se a operação for feita sem consentimento, os indivíduos designam-se FAxAB, Forcibly assigned x At birth. Aliás, intersex tem subcategorias, mas estas só podem ser usadas se a pessoa se identificar com elas EM RESULTADO de ser intersex (fonte: www):
    • Amalgagender: Se uma pessoa É intersex e se identifica como tal. 
    • Intergender: Género entre os dois géneros binários, homem e mulher. Assim, não se é nem um nem outro.
    • Duogender: Ser tanto homem como mulher. Não é estar entre os dois, é identificar-se com os dois.
    • Neutroix: O mesmo que Neutrois, o género é neutro, mas aqui resulta e se ser intersex.
    • Divisigender: O mesmo que aporagender, mas para pessoas intersex.
    • Vacagender: Agender, por influência de se ser intersex.
  • Dyadic: É o oposto de intersex. Significa nascer com características físicas que podem ser encaixados nos dois géneros binários. Depois, a pessoa pode ou não identificar-se com o género biológico.
  • Butch e Femme: Geralmente são termos usados, mas não obrigatoriamente, em comunidades lésbicas. Butch é associado a uma aparência (interna ou externa) mais "dura" e "masculina", enquanto que Femme é o contraponto. Mas o termo Femme, por enquadrar os "padrões femininos" normais, só é usado quando essa pessoa faz par com alguém que se identifique como Butch.

E já agora, aqui vão algumas curiosidades culturais: Uma sobre {Hijira}, um terceiro género típico do Sul da Ásia; Outra sobre os {Two-spirit}, termo Norte-americano típico de populações indígenas, usado para descrever quem sente que aberga tanto "espírito de homem" como "espírito de mulher"; E um vídeo sobre os {4 géneros de Navajo};

» Não há influências possíveis
Uma vez vi uma pessoa dizer: "Há quem afirme que começar a ensinar sobre outras orientações sexuais na escola irá provocar um aumento na população lgbt+. Bom, eu aprendi sobre heterossexualidade toda a minha vida e continuo a ser queer." Achei um argumento genial e muito bem humorado, que prova como aprender sobre alguma coisa não contamina as pessoas. Também há quem diga que, ao ser criada por pais do mesmo género, a criança vai crescer e ser gay - isso proferido como se tivesse algum problema e como se não existissem outras sexualidades - quando, na verdade, não há relação nenhuma entre as situações, embora eu tenha lido um estudo sobre como crianças aos cuidados de duas mães tendem a ser menos violentas, mais compreensivas e mais flexíveis/receptivas quanto a identidades de género e orientações sexuais. Contudo, acho hilário como algumas pessoas acusam "casais gays" de impingir a sua sexualidade aos filhos, quando é exatamente o que casais hetero fazem. Um quanto hipócrita, não é?

» Sair do armário: ilustrando o processo aqui: www
Não é um processo repentino, mesmo quando uma pessoa tem a ousadia de contar a toda a gente e de assumir a sua identidade (sexual ou de género) publicamente - afinal de contas, sair do armário é um termo que não deve ser usado apenas para a proclamação, e sim deve ser usado para toda uma aprendizagem: a maneira como as pessoas aprendem a lidar consigo mesmas e com o facto de serem "diferentes" importa, assim como a atitude de quem os rodeia. Além disso, ninguém é mais ou menos corajoso, queer, ou [insira aqui outros títulos associados] por demorar a anunciar o que é. Ninguém deve receber menos consideração se selecionar as únicas pessoas a quem quer contar, se decidir não contar a ninguém, se recusar escolher um dos nomes em LGBT+ para usar, ou se mudar de "label" com o tempo. Ninguém deve ser questionado nem obrigado a provar aquilo que é, nem quando está incerto. Basicamente, o link acima explica isso bem.

» "Como é que sabes?" - para dar continuidade ao tópico anterior...
Não perguntem às pessoas como é que elas sabem o que são. A maioria de vocês que está a ler é hétero, certo? Bem, aposto que desde que são crianças sabem que gostam do género oposto. Daí eu achar absurdo sempre que alguém pergunta a adolescentes lgbt+ (mais especificamente, focando nas orientações sexuais) se alguma vez eles já estiveram com o mesmo género para se consideraram homo/bi/pan, acrescentando que são muito novos para se identificarem com o que quer que seja. Isso não só invalida os sentimentos e experiências desses adolescentes, como ainda é arrogante porque parece que as pessoas acham que sabem mais sobre os outros que eles próprios. E PIOR: Seguindo essa linha de raciocínio, as crianças hétero não poderiam saber que gostam do género oposto, a não ser que já tenham estado com ele. Tipo como está na imagem ao lado. Crianças de 3 ou 4 anos num relacionamento amoroso? Humm, estranho. "Mas no caso das crianças hétero o raciocínio não se aplica, porque ser hétero é normal" - nem se atrevam a dizer uma coisa dessas, é um comentário completamente homo/bifóbico, pois implica que quem não é hétero é anormal.

O normal devia ser não assumir nada: no mundo ideal, quando um bebé nascesse, a família não devia presumir que a criança cresceria hétero e cis - não devia presumir nada, simplesmente - e deveria sim dar espaço para que a criança explorasse os seus próprios sentimentos sem nunca sentir as barreiras de género da sociedade. Mais: ser hétero não é normal - o que é normal é a expectativa de que toda a gente é hetéro (heteronormatividade: por favor leia {isto}), ao ponto de toda a gente assumir isso sobre si mesmo. Essa teoria é tão engolida que muitas das vezes as pessoas não se apercebem de que estão a reprimir uma parte de si, estão "tolhidas" de modo a dar atenção a apenas uma parte dos seus sentimentos. Outras, mesmo após tomarem consciência de si, simplesmente fingem ou escondem, porque a sociedade faz tanta pressão, que se tornaria arriscado revelarem quem são - seja por riscos físicos, seja pelo risco de perderem amigos ou o apoio da família. E há até mesmo quem finja como uma tentativa de se negar a si próprio, como um castigo, pois a sociedade fez com que as pessoas se considerassem a si próprias uma anomalia - fazendo com que tivessem vergonha de si próprias.

» Assumir não significa querer concelhos.
Muitas pessoas que se assumem são obrigadas a aturar as dicas, os concelhos e as opiniões de quem os rodeia. E quem opina, mesmo que sem más intenções, diz imensa asneira - por exemplo, recentemente li um post em que um assexual falou de como contou aos amigos sobre a sua recente descoberta, e recebeu respostas como "Um dia aparecerá a pessoa certa", "É só uma fase", "Devias tentar um psicólogo e ver o quê que se passa contigo". E ele estava feliz antes de ouvir essas baboseiras! Feliz por ter finalmente descoberto o que era, que era normal, que havia gente como ele!... Até ser tratado como se tivesse alguma doença ou problema mental e devesse procurar tratamento, ou como se fosse impossível não sentir atração por ninguém e fosse uma questão de tempo até chegar alguém que fizesse essa "distância" desaparecer, ou ainda como se o sexo fosse algo imprescindível numa relação. Provavelmente, quando esse rapaz assumiu, só queria que os amigos partilhassem da sua felicidade, ou que, após eles saberem o nome da "label", pesquisassem um pouco sobre o assunto para que o entendessem. Nem sequer contava com essa rejeição, porque se sentia normal (e sentia bem), então nunca lhe passou pela cabeça que fosse algo difícil de aceitar. Ele simplesmente merecia que o respeitassem, e respeitar não é invalidar o que as outras pessoas dizem de si mesmas, nem interpretar isso da maneira mais conveniente. *

» Metáforas lgbt+: 
Esta é uma parte mais descontraída do post. Estas metáforas - que quase  só são usadas para os vários tipos de orientação sexual, peço desculpa ao resto da comunidade lgbt+ - são a coisa mais adorável, hilária e eficaz que eu eu já vi, e caí de amores por elas. Na verdade, há também mascotes com a cor das bandeiras. Vou deixar aqui links para as minhas favoritas ^^


» Quem é que recebe bons comentários, quem? *proud mom*
Este espacinho é dedicado a alguns comentários lindíssimos que recebi em posts anteriores e que, por se relacionarem com o tema deste post, decidi salientar. Cada um dos nomes está sublinhado a uma cor, repararam? E tem um pequeno mini-icon junto. Bem, se procurarem por sublinhados iguais acima no post, acharão pontos do meu próprio post que concordam plenamente ou dão continuidade ao que é dito nestes comentários. Vocês são mesmo incríveis <3

Camii» Algo pessoal agora: eu e um amigo temos a teoria de que todos no mundo são bissexuais, mas são tolhidos a pensar que não e não permitir que a naturalidade acerca das escolhas sexuais seja posta em prática. 

Nigoyu» Nós pensamos tanto em ver um homem com outro, convenhamos ser o "padrão" LGBT+, que esquecemos de enfatizar um pouquinho a nós mesmo outras coisas.

Unhappy» E imagino que isso seja bem difícil mesmo, afinal existe uma pressão tão grande da sociedade em relação à sexualidade que as pessoas acabam "fingindo".

Lilium» Também demorei anos para descobrir minha sexualidade :/ O frustrante é que em um mundo ideal ninguém sairia do armário. O armário não existiria.

» Um último aparte  ||| Novamente escrito dia 17
* Já que estava a falar de respeitar, diga-se que eu passei por um certo desrespeito "menor", que não me magoou profundamente, mas ainda um bocado. Como já disse noutros posts, eu sou bi, e embora praticamente toda a gente tenha aceitado isso, é algo que praticamente toda a gente ignora em mim [portanto, a última reação listada {aqui} aconteceu bastante comigo]. Nunca mais ninguém mencionou o assunto - como se tivessem medo de me afugentar com ele, ou como se tivessem esperança de que isto fosse só uma fase que passaria, sendo ignorada - e, acima de tudo, não foi algo que tentassem respeitar. Para mim, aceitar e respeitar, ou aceitar e ser mente aberta, são coisas absolutamente DIFERENTES. Respeitar, assim como ser mente aberta, implica um esforço consciente para tentar compreender o outro. Implica pesquisar sobre os assuntos, sobre as coisas de que as outras pessoas gostam ou as palavras com que se descrevem, para evitar fazer perguntas estúpidas, formar preconceitos, e obrigar os outros a esclarecerem repetidamente que aquilo que é assumido sobre eles não passa de uma mentira ou de um estereótipo.

Como a mente de um ignorante
está estruturada
Portanto, o respeitinho é muito bonito, e mais bonito fica quando é plenamente alcançado. Uma pessoa pode até encontrar-se num nível de plena ignorância, mas se estiver a fazer o que está ao seu alcance para compreender quem a rodeia, já merece a minha admiração. Há quem aprenda mais rápido, há quem faça confusões que atrasam a aprendizagem, há quem diga imensa asneira enquanto está a aprender (eu sou dessas, mesmo quando as intenções são boas - é por isso que agora quase só me atrevo a opinar quando estou segura nas minhas pesquisas e tenho uma opinião com bases sólidas), e há pessoas cujo progresso se dá aos solavancos, mas desde que o esforço esteja lá, já é bom. Devíamos incentivar mais essa procura por compreender os outros, em vez de se incentivar ao uso impensado da palavra "respeito". Já há demasiada gente a clamar-se respeitadora de ânimo leve, a usar palavras bonitas por fora e ocas por dentro, como bolhas de sabão.

Exemplos?
Tanta gente se auto-proclama feminista, etc, sem o ser, para ficar bem na fotografia... Oh, não estou a desmerecer a luta de quem o é - toda a gente, desde que lute nem que seja para não ser um ignorante, já é um ativista digno do nome. Mas e aquelas pessoas que se dizem ativistas sem sequer saber do que se trata a causa? Funciona da mesma mesma forma que a apropriação cultural - aquilo que Hollywood muitas vezes faz: pegar no símbolo de uma cultura, adaptar o seu significado para que possa ser usado num filme, e a partir daí espalhar o novo conceito até que ninguém saiba o significado original e vire uma moda vazia. Imaginem: vocês praticavam uma modalidade rara, e eram condecorados por isso. No dia seguinte, ao acordar, viam toda a gente a exibir o mesmo prémio e, contentes por acharem alguém que partilhava da paixão e que se tinha esforçado para alcançar o dito prémio, iam falar com eles: "Então, também gostas de [nome da modalidade]?" A pessoa piscava os olhos duas vezes e ria-se, sacudindo a mão. "[nome da modalidade]? Não, o que é isso?" Depois, elas tentam meter conversa como se nada fosse e ainda têm o descaramento de perguntar, na sua ignorância, se vocês gostavam do prémio que elas estavam a usar, afinal, como um acessório. Não seria decepcionante, descobrir que afinal as pessoas estavam a usar algo tão especial para vocês, e que nem sequer tentavam saber qual o significado que tinha? Seria! E seria ofensivo! Mesmo que elas não tivessem más intenções, a atitude dessas pessoas seria como um balde de água fria para vocês. E reparem que eu disse pessoaS, e não pessoa, para reforçar que quase toda a gente age desse modo.

Pois bem, o que essas pessoas exageradamente alienadas do meu exemplo fizeram é pouco diferente do que muita gente faz no dia a dia. E depois essas pessoas clamam: "Eu respeito-te", mas não sabem o que estão a respeitar. Não o compreendem verdadeiramente.

Esta parte final do post não se associa apenas, e necessariamente, a lgbt+, embora tenha sido esse o tema que ocupou a maioria do artigo. É apenas uma conclusão que eu considero essencial e que se prende ao título do post, já que, numa sociedade pouco informada, talvez não haja desrespeito, mas respeito também não há.

Só algo em que tenho remoído ultimamente ;)


E eu sei que este post foi enoooooooooooooooooooooooooooooooooooooooorme. Não censuro ninguém caso não tenham lido até ao fim. Só senti vontade de escrever algo bem completo, bem claro e que pudesse ser usado como um guia em português. Compreendo perfeitamente que não tenham decorado todos os nomes ditos aqui, eu mesma demorei imenso até conseguir distinguir alguns, mas seria bom se fizessem um esforço para, pelo menos, ler isto tudo - nem que demorem semanas.

Pois, como disse, para se ser respeitoso é preciso ser-se informado. E este post até evita que tenham de fazer pesquisas demoradas. Está TUDO aqui.

Gómen por ser tão melga...

AH, QUASE ME ESQUECIA! A minha irmã gostaria de recomendações de YA ou, pelo menos, filmes (e livros) de ação bem feitos. Podem ser de fantasia, ficção, whatever... De preferência, representativos e sem caírem em estereótipos. Ela já viu a versão livro e adaptada destes: Hunger Games, Percy Jackson, Harry Potter, Prince of Persia, Instrumentos mortais, Divergente, Maze runner... Conto com as vossas sugestões para filmes, porque não conheço nenhum, mas acerca de livros, É COM MUITO ORGULHO que apresento {este site}, que tem APENAS livros representativos de ficção. Dá para filtrar por vários tipos de personagens lgbt+, relacionamentos poliamorosos, cor de pele, culturas, e ainda pelo género (fantasia, scifi, ação, história...) e formato (comics, livros, contos...).

22 comentários:

  1. YOOOOOOO ANY-CHAN \O/

    Senhoooorrr, nem eu nos meus surtos mais violentos e loucos consegui escrever tanto! (ou será que consegui!?)......Okks, eu sei, eu sei, SOU A ÚLTIMA FUCKING PESSOA DO MUNDO QUE PODE FALAR ISSO! Mas, acho que essa é a primeira vez que te vi escrever tanto. O que de longe não é ruim, pois eu adoro posts recheados e conversar pelos cotovelos O/

    Enfim, eu não sei nem por onde começar, como eu já havia dito uns período atrás, e como você mesma pode perceber, eu não compreendo muito bem sobre esse tipo de assunto, até porque eu nunca tive muito contato com todas essas coisas, para ter uma noção só fui conhecer e conviver com gays NO PRIMEIRO ANO DO ENSINO MÉDIO! (e isso que foram apenas DUAS pessoas e por pouco tempo). Não sei se é por eu nunca ter prestado atenção no assunto, portanto nunca cheguei a reparar direito nas coisas, ou se por eu morar numa cidade do interior as coisas serem um pouquinho mais conservadoras aqui (mas, acho que seja mais desligamento meu mesmo e.e'''''). Ou seja, até então eu só ouvia de longe sobre toda essa turma, mas como eu nunca tinha tido o convívio eu também acabei não indo atrás de informações e consequentemente nunca filosofei sobre o assunto.

    Um tempo atrás eu também pensava que "classificar" (não sei se estou usando o termo adequado) tudo, separar por grupos e talls fosse algo que não precisasse ser feito, pois eu pensava que independente de quem a pessoa fosse, ela continuaria conhecendo pessoas e se relacionando com elas e por fim encontraria um parceiro. Porém, agora eu vejo o quão enganada eu estava! Porque, eu acredito que para o povo hétero seja fácil pensar que apenas deixar a pessoa no canto dela resolve tudo, pois nós vivemos num ambiente "hétero", ou seja, já temos o "nosso lugar", já temos a nossa representação, ou seja, temos alguma base/referência! Eu acabei percebendo que estava olhando tudo de um "ponto de vista hétero", mas nunca havia parado para pensar pelo outro lado, ou seja, como eu saberia que eu possuo determinada opção se eu nem sequer cheguei a conhece-la, pois ninguém nunca a representou. Algo completamente óbvio que a retardada aqui só foi perceber tempos depois! E que veio a ficar muito mais claro após todos os seus posts sobre o assunto, além de ter me apresentado uma porção de coisas que eu nem imaginava que existissem!

    "Transmitir as ideias erradas acaba com a chance de mais pessoas se identificarem", ou até mesmo acabam fazendo a pessoa se identificar de forma equivocada, ou seja, no final acaba fazendo a pessoa "pular de grupo em grupo" o que também gera a ideia equivocada para os mais distantes de que a pessoa é apenas indecisa ou inconsequente e que está apenas querendo experimentar de tudo um pouco.

    P.s: QUE COISA MAIS FOFENHA É ESSA DE FANART KORRASAMI <3333333 (uma das fanarts mais bonitinhas de Avatar Korra que eu já vi...Veja bem, estou abrindo até mão das fanarts do meu shipp sedução Makorra que resolveu me trollar Ç.Ç)

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    1. Acho que a parada da modinha também seja pelo fato dos "holofotes" sempre mostrarem tudo, menos o que a coisa realmente é. Porque, você pega programas de tv e coisas do tipo, sempre aparecem aquelas pessoas loucas espalhafatosas, mas pouco se mostra as pessoas que passaram anos se auto-conhecendo e se descobrindo, como elas contaram para os amigos, família, como elas superaram as dificuldades e coisas do tipo. Sempre mostram a "purpurina louca" (é como se pegassem e só mostrassem um Grell da vida e falassem "Isso aqui é um [insira qualquer gênero aqui] meu povo" enquanto deixam de lado o Nezumi e o Shion.......... Modéstia parte lacrei com essa analogia shaushuashua). Aí o povo acaba pegando a imagem de Grell e generalizando tudo!

      Cara, eu posso ser uma porta de ignorância, MAS ATÉ MESMO EU TENHO O MÍNIMO DE RACIOCÍNIO LÓGICO de que pansexualidade não é sair pegando objetos, animais, árvores, espíritos e o pacto que for!

      Sobre a história da criança de 7 anos, é meio difícil saber o que fazer, porque por um lado há a imensa preocupação dos pais com todas as dificuldades que o filho irá passar, portanto muitos acabam até tentando trazer esse filho para o "lado hétero da força". MAS, por outro lado, ao invés de forçar, mas tentar entender, pesquisar e se informar sobre o assunto como essa mãe fez acaba sendo muito mais benéfico e inteligente, pois assim é como você mesma falou, há a possibilidade de ir mostrando gradualmente as coisas e até mesmo evitar que mais tarde o jovem vá pesquisar por conta própria e acabe lendo coisas equivocadas.

      Sobre as casa de banho, é como tu falou, em certos lugares pode não funcionar. E adivinha em qual lugar isso não funcionaria!? Yes, aqui. Eu sinceramente sou contra isso aqui no Brasil. Em países desenvolvidos onde a segurança e a educação realmente se fazem presentes, provavelmente não teriam nenhum problema, mas aqui no Brasil......Acho muito difícil que funcione, pois seria a desculpa perfeita para qualquer molestador chegar abusar de alguém, ou então seria perigoso para o homem trans (rezando altamente para ter usado o termo correto!....Essas coisas ainda fazem um nó aqui na cabecinha), porque eu sei que daria altas confusões e problemas uma pessoa biologicamente mulher entrando num banheiro masculino! Provavelmente teriam gracinhas e até pior, o próprio abuso. Pois, aqui existem casos de abuso até mesmo em plena luz do dia! (e ainda eu me lembro de ter visto um caso na tv em que o abuso aconteceu em um local movimento!). Enfim, mas tudo isso levando em conta o Brasil, em outros países mais seguros acredito que não haja quaisquer problemas.

      Sobre as paradas de influências, eu vi uma pesquisa muito interessante: Dizem que essa história de menina brincar de boneca e homens de carrinho é puramente social, ou seja, influenciável, mas fizeram pesquisas (envolvendo macacos também) e viram que as fêmeas realmente escolhiam brinquedos como bonecas, enquanto os machos escolhiam coisas mais "concretas" como carrinhos ou coisas de construção e talls. Ou seja, não é apenas o social, mas o hormonal/biológico também, o que faz todo o sentindo, uma vez que as fêmeas é quem cuidam dos filhotes e os machos é quem caçam. E por mais racionais que sejamos, não deixamos por completo nossos estímulos ancestrais e mais íntimos com o "reino animal". O que eu quero dizer é que se esse tipo de comportamento é determinado por fatores de nascença, então o gênero da pessoa também é! Não é algo tão fácil assim de se influenciar, talvez a influência esteja em pequenos comportamentos, como por exemplo, filhos de casais gays possam ter mais compreensão com esse tipo de assunto e talls, mas também depende muito de como os pais vão criar ele. Só porque é um casal gay não necessariamente o filho será gay, da mesma forma que só porque é um casal hétero não necessariamente será um filho hétero. São pessoas e pessoas, situações e situações, e o povo acha que um caso fala por todos os outros.

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    2. Já na parada do assumir, eu acredito que boa parte pode ser com boas intenções, a questão é que sai asneira porque ainda se tem muito aquela visão de "Nossa, isso é um problema", ainda se tem a visão de que a pessoa que está contando sobre isso está o fazendo para desabafar, para encontrar uma "resolução para o seu problema" e não porque ela queria compartilhar a novidade, a notícia de ter se identificado com algo. Portanto, acredito que inconscientemente as pessoas pensem que devem dar conselhos e "ajudar" a pessoa a passar pelo "problema".

      Enfim, o post foi maravilhoso! Eu tentei dar uma procurada sobre esses assunto na internet, mas o problema é que é tanta coisa que 1) A pessoa não sabe por onde começar 2) É uma confusão do capeta 3) Muitas coisas não tem em português, portanto seus posts acabam sendo de extrema ajuda, mesmo que eu seja dessas que "há quem faça confusões que atrasam a aprendizagem" / "há pessoas cujo progresso se dá aos solavancos", ainda mais com esse monte de termos e nomes, sempre consigo esclarecer um pouquinhos mais e assimilar o conteúdo o/........(se eu entendi o básico de matemática, o básico disso eu também devo conseguir! NEM QUE LEVE 150 ANOS PARA ISSO!).


      Ah! Eu tava pensando numa coisa, tu já pensou em fazer antropologia!? Sério, tu já deve saber mais do que muita pessoa graduada XD

      Enfim, eu gostaria de poder recomendar alguma coisa para a tua irmã, mas de longe NÃO sou a pessoa indicada para isso e.e'''''

      Eu também iria surtar com a quinta temporada de Natsume, mas já fiz no face e tu também já viu a notícia!......MAS, AINDA ASSIM EU NEM TÔ CRENDO NESSA NOTÍCIA <3333333 PENSEI QUE NUNCA MAIS TERÍAMOS NEM UMA OVA SEQUER E EIS QUE SURGE LINDAMENTE NATSUME SEDUÇÃO <333333333 (seria maravilhoso se conseguissem adaptar aquela parte do mangá em que o carinha da lagartixa, que eu lindamente esqueci o nome, menciona sobre queimar o livro!).......Enfim, eu ainda posso torcer por uma nova temporada de Inu X Boku SS O/ shaushuashuahu

      Kiss

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    3. Ufa, finalmente respondendo! E eu até diria que conseguiu sim, mas por acaso sinto-me orgulhosa deste textão >.< Se quer mesmo saber, não é preciso conhecer pessoalmente para entender - poucas são as pessoas lgbt+ na minha escola (que eu saiba, pois também sou desligada) e praticamente mal falo com elas, se é que se pode dizer que as conheço. Mas não há nada para entender, só quebrar estereótipos e saber as definições, e isso pode ser feito simplesmente com internet e posts como o meu.

      Engraçado que fale nisso, porque mesmo algumas pessoas dentro da comunidade lgbt+ não gostam de usar labels - e eu percebo o ponto delas, não são de facto obrigadas a usar, mas é problemático com se desvaloriza a importância delas porque a afirmação É uma forma de luta social, luta por visibilidade e direitos decentes. Labels não são algo usado só para nós mesmos. São usadas para mudar o mundo. Além disso, quando algumas pessoas - geralmente dentro do espectro bi - afirmam que "gay ou hétero, eu não olho a géneros, e por isso não me sinto bem com uma label" (esse tipo de coisa é dita muito por famosos), estão a desmerecer o facto de que, em muitos lugares, HÁ gente a sofrer agressões a vários níveis (nem que sejam micro-agressões) só por causa das labels que usam e reclamar direitos. É desmerecer o esforço dessas pessoas, as suas experiências, o risco que correram. E tal como você já concluiu, é tão difícil achar quem não seja hétero que, se as pessoas dentro da própria comunidade não usarem as labels, nunca mais se vão encontrar. A ironia é que EU PRÓPRIA, que entretanto conclui que faço parte da comunidade, passei grande parte da minha vida a olhar para as coisas desse ponto de vista hétero - exatamente do mesmo modo que você referiu. Até porque eu me achava hétero e nunca senti falta de representatividade, já que sendo bi é possível passar anos gostando do mesmo género e foi o que me aconteceu, tardando a descoberta.

      Sim, isso de pular de grupo em grupo acontece muito quando as definições chegam às pessoas de forma equivocada ou incompleta! Por exemplo, algumas pessoas que só sabem da existência de trans binários e às vezes são genderfluid, demoram a perceber que não se identificam sempre com um género oposto ao seu sexo biológico e assim usam labels por engano. E quando mudam de label porque descobriram algo com que se identificam mais, as pessoas à volta ficam céticas e acham que é só a própria pessoa que quer chamar a atenção, o que é detestável.

      (Korrasami tem fanarts lindos, embora Makorra tenha também ;) ) E sim, raciocínio lógico é mais importante do que muitas vezes ficar fixo a definições e a ideias pré-formadas - pelo que já lhe contei, acho que dá para ver que é essa capacidade de raciocínio que falta à maioria das pessoas.

      "Sempre mostram a "purpurina louca" (é como se pegassem e só mostrassem um Grell da vida e falassem "Isso aqui é um [insira qualquer gênero aqui] meu povo" enquanto deixam de lado o Nezumi e o Shion.......... Modéstia parte lacrei com essa analogia shaushuashua). Aí o povo acaba pegando a imagem de Grell e generalizando tudo!" OBRIGADAOBRIGADAOBRIGADA, era mesmo dessa analogia que eu estava a precisar!!! Isso praticamente resumiu o problema todo!...LACROU MESMO!!!!!!!!! E uma forma de quebrar estereótipos, mesmo por parte de pais que (sem más intenções, mas por culpa de absorverem os padrões da sociedade em que vivem) só querem trazer os filhos para o lado mais fácil da vida, é pesquisando. Até mesmo para evitar isso que você disse, de o filho encontrar resultados errados por acidente e por impulso do momento. E pais deviam estar preparados para uma situação dessas. O simples facto de a maioria dos pais estar despreparado e ser ignorante quando a lgbt+ reforça a heteronormatividade da nossa sociedade.

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    4. Oh, mas eu acho o contrário. Acho que as casas de banho neutras devem existir, assim como o direito de pessoas trans binárias usarem a casa de banho com que se identificam, independentemente do caos do lugar. Por 2 razões: porque essa coisa dos molestadores pode ocorrer independentemente das autorizações dadas, eles podem simplesmente disfarçar-se ou forçar entrada na casa de banho oposta, e depois toda a gente iria culpar a "mulher trans" quando quem molestou nem trans é, estava apenas disfarçado, e ser trans não é disfarce. E depois, porque É SÓ URINAR. Raios, às vezes as pessoas estão mesmo no limite para suportar e precisam de usar uma desgraçada casa de banho, e sinceramente, usando a casa de banho a que foram designadas à nascença levanta ainda mais suspeita (isto parece apropriado?: http://www.advocate.com/politics/transgender/2015/03/14/trans-folks-respond-bathroom-bills-wejustneedtopee-selfies) e correm o risco de serem elas assediadas ou violentadas. Sim, entrando no banheiro com que se identificam também é perigoso e percebi o exemplo que deu, mas o facto é que há pessoas trans binário que efetivamente já deixaram há muito de parecer que pertencem ao banheiro do seu sexo biológico. Esse link mostra precisamente isso.

      Nunca tinha ouvido falar dessa pesquisa e no começo pareceu-me algo realmente sexista, mas com a sua conclusão tenho de concordar: "Não é algo tão fácil assim de se influenciar, talvez a influência esteja em pequenos comportamentos, como por exemplo, filhos de casais gays possam ter mais compreensão com esse tipo de assunto e talls, mas também depende muito de como os pais vão criar ele. Só porque é um casal gay não necessariamente o filho será gay, da mesma forma que só porque é um casal hétero não necessariamente será um filho hétero. São pessoas e pessoas, situações e situações, e o povo acha que um caso fala por todos os outros." Os fatores influência devem ser considerados, mas toda a gente tem, sim, uma tendência natural.

      O problema é que é realmente isso que se passa, a maioria das pessoas dá conselhos com boas intenções. Mas isso só mostra mais uma vez a dificuldade em aceitar que diferentes sexualidades são algo normal, o desconhecimento perpassado de geração em geração e os estereótipos enraizados na sociedade.

      Haha, sim, é difícil saber por onde começar a procurar, é por isso que eu demorei meses para aprender sobre a questão dos géneros >.< Um dos propósitos em fazer este post foi mesmo condensar a informação e reunir num só lugar menções importantíssimas. Ainda bem que gostou :)

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  2. Eu acredito que a palavra-chave quando falamos nesse assunto é tolerância. E seu post foi interessante justamente por trazer essa questão: devemos buscar o esclarecimento acerca das diferenças de gênero e sexualidade, pois só assim é que se cria uma harmonia maior e por fim a tolerância, o respeito. Porque o que eu observo muito é que existe um certo "medo" por parte dos mais conservadores (e burros) que pensam que devem "provar sua masculinidade" (e no caso de mulheres, sua feminilidade) a todo custo, ou serão vistos como gays ou lésbicas. Isso é um pensamento ridículo e são essas próprias pessoas que pensam assim as que mais maltratam e discriminam os LGBT+ (e que, convenhamos, sequer sabem que existem outras orientações além de homossexuais).

    Aliás, sempre que falo disso me lembro deste vídeo, no qual é perguntado às pessoas o que fariam se seus filhos fossem heterossexuais - ou seja, mal conseguem diferenciar uma coisa de outra, as pessoas são tão porcamente entendidas do assunto que a única coisa que podem sentir ou enxergar é realmente esse medo, é o que aprendem com a família ou com a igreja ou com a televisão. É o que falta, informação e tolerância.

    Aliás, tolerância está em falta com relação a tudo no mundo atualmente, o que sobra é discurso de ódio, preconceito, racismo, homofobia (e todas as outras LGBT+ fobias), guerrilhas. As pessoas perdem sua humanidade cada vez mais, ao esquecer de pensar se gostariam que fosse feito com elas mesmas o que fazem com os outros.

    Mas esse é um assunto que me deixa muito triste. Triste pois, após milhares e milhares de anos de evolução, uma pessoa não consegue aceitar outra por ser diferente dela. Triste pois, em pleno 2016, vemos notícias de pessoas morrendo por serem homossexuais, ou por serem mulheres, ou por serem negras, ou por praticarem uma religião diferente, ou por serem pobres. Triste pois, mesmo após tantos conflitos e tanta história da humanidade documentada, as pessoas continuam a cometer os mesmos erros, a entrar em guerras, a desrespeitar os outros, a acharem que alguém é superior a alguém. É tudo um absurdo mesmo. Eu fico boba com cada coisa que vejo no dia-a-dia, com cada atitude, às vezes até de pessoas próximas, sabe?

    Bom, sei lá, eu posso ter falado um monte de baboseira e pode ter até sido uma visão meio simplista da coisa, mas realmente o que me incomoda é o discurso de ódio e o desrespeito, sabe?

    Agora vou comentar sobre algumas partes do post que achei bem legais. Sobre LGBT+ não ser modinha, é claro, porque sempre existiram e sempre existirão pessoas com diversos gêneros e orientações sexuais. Como não somos máquinas, mas sim seres orgânicos distintos, é impossível prever como uma pessoa se sente ou se comporta perante outros indivíduos. É um erro muito grande achar que uma pessoa vai "virar gay", por exemplo, porque está "na moda".

    Adorei as definições para as diversas atrações, eu realmente não tinha um conhecimento muito certo sobre todas elas. Mas o mais interessante e esclarecedor foi o pedaço que fala dos assexuais, pois como eu disse naquele outro post do qual você até destacou meu comentário por aqui, é muito difícil compreender e principalmente diferenciar cada um deles, afinal tem tantas definições - a maioria delas eu nem conhecia! Na verdade só conhecia a diferença entre assexual romântico e arromântico, então achei muito bom mesmo você ter trazido todos os tipos. Fora a tirinha, super bem feita e fácil de entender.

    E sério que tem gente que acredita que pansexualidade é gostar de tudo, incluindo árvores e animais? hahahahaha Bom, eu realmente acredito em qualquer coisa, o que não dá pra subestimar é a ignorância das pessoas.

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    1. Acredito que o tópico sobre as crianças trans é o mais delicado, porque os pais tem a total responsabilidade de ajudar a criança, afinal ela não pode se virar sozinha. Mas se a criança se expressa e se comunica, que seja pelos hábitos, e os pais conseguem perceber que ela não se identifica com o gênero biológico, eu acho que o certo é ajudá-la a ser do gênero com o qual ela se identifica. É claro que existe o preconceito, a pressão da sociedade e tudo o mais, mas se nem os pais ajudarem a criança, quem ajudará?
      Aliás, AMEI a tirinha. Eu nunca tinha pensado nisso, pra falar a verdade. Po, é claro, imagina que você é uma mulher e viveu a vida toda com todos esses conceitos de feminilidade, mas depois de muito tempo percebe que se identifica como homem, como mudar de uma hora pra outra? Isso não é possível. Realmente, tem que ser feito aos poucos, tem de se acostumar, se aceitar, enfim, se até nós que somos cis temos essa dificuldade de nos aceitar, quem dirá os trans? E graças a deus existe o feminismo. Aliás, pra mim, desde criança, sempre foi absurdo o fato de mulheres terem de se depilar e homens não - sendo que devia ser algo de nossa vontade e pronto. Porém, se você sai sem se depilar na rua, é bom sair com muita coragem e preparada para os olhares mais nojentos.

      Um adendo, quando você falou "casa de banho" eu demorei um tempão pra perceber que se tratava de banheiro, fiquei imaginando aquelas casas de banho japonesas, sabe, que o povo vai pra tomar banho mesmo? hauhauhauhauha Mas concordo, acho que tem pouquíssimos, apoio muito que houvessem mais banheiros unissex. Lá na minha faculdade tinha um banheiro desses, e era o melhor (às vezes eu usava porque os outros estavam lotados) - era o mais confortável e limpo, sei lá por que. Mas o principal é a representatividade, claro.

      Devo dizer que também adorei a lista de gêneros, muitos dos quais eu nem conhecia, pra ver como estou informada do assunto HUAHUAHUHA Aliás, é bem complexo, porque alguns termos são até parecidos @-@

      Sobre sair do armário, acho que cada um tem uma experiência distinta, e essa tirinha explica MUITO bem o processo, pelo menos eu acho, já que tudo faz muito sentido. Eu acompanhei a trajetória de um amigo meu, que na verdade era só amigo da minha irmã no início e depois virou meu amigo; no ensino médio, ele não se identificava como homossexual, mas também era claro para quem o conhecia que ele não era hétero. O tempo passou e, alguns anos depois que ele terminou o ensino médio, depois de muita reflexão, acredito, ele se identificou como homossexual. Porém no início, ele não contou pra quase ninguém, sabe? Ele foi contando beeeem aos poucos para algumas pessoas, minha irmã foi uma das primeiras a saber pois ela sempre foi bem aberta a essas coisas, e só depois de vários anos é que ele finalmente contou para a família. Ainda assim, a família dele reagiu com aquelas típicas frases "mas é só uma fase, vai passar", "mas você ainda não conheceu a pessoa certa" e afins. A sorte é que ele já estava bem acostumado com a família dele, que é bem religiosa, e já sabia que eles reagiriam assim. Mas enfim, como eu disse, cada caso é um caso e acho que o importante é que não haja nenhuma pressão, afinal a decisão é da própria pessoa e pronto.

      E essa coisa do "como é que você sabe?" é a pior, gente! Que pensamento tosco; mas você falou absolutamente tudo, concordo com tudo, da mesma forma como concordo inteiramente sobre o tópico seguinte, de que assumir não significa querer conselhos.

      Enfim, sobre a conclusão já falei no início do comentário; e não sei agora que filmes recomendar pra sua irmã, aliás o que é YA? *desinformada* Mas gostei dessa lista mágica, com certeza vou usá-la para descobrir vários títulos *-*

      Ufa, finalmente acabou esse comentário - acho que foi o maior que já fiz, mas também olha o tamanho desse post! É tipo uma enciclopédia LGBT+, que post maravilhoso! *u*

      Beijos!

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    2. Eu acho que são 3: tolerância, aceitação e respeito. A ironia é que eu, às vezes, preferia que as pessoas respeitassem mais do que toleram - ou seja, que percebessem pelo menos do assunto e se entretivessem a desfazer os estereótipos que têm na cabeça, mesmo que não aceitassem e detestassem o assunto. Falta tanta, tanta informação! Aliás, esse seu vídeo é hilário e é MAGNÍFICO para mostrar o quanto as pessoas reagem mais pelo medo do que pelo cérebro, nem sabem o nome daquilo que elas próprias são. Mas percebo o que quer dizer e tocou num ponto que é muito difícil de dissociar de lgbt+: o sexismo (não direi apenas machismo, pois os homens também têm a sua carga de coisas incómodas a cumprir). E depois, é precisamente por terem esse medo que acabam por ser lgbt+fóbicas. Falta humanismo. Falta consciência. É tão isso que você disse...

      "Triste pois, em pleno 2016, vemos notícias de pessoas morrendo por serem homossexuais, ou por serem mulheres, ou por serem negras, ou por praticarem uma religião diferente, ou por serem pobres." Esse ponto é simples, mas é crucial. Já que algumas pessoas não se dão ao trabalho de respeitar/entender/pesquisar, ao menos que aceitem as diferenças tal como são. Se o discurso de ódio acabasse, seria um primeiro passo para um mundo mais informado, pois já não haveria necessidade de as informações serem escondidas, nem produtores de filmes ou meios de comunicação em geral receariam perder audiência por fazerem algo com uma boa representatividade.

      "Como não somos máquinas, mas sim seres orgânicos distintos, é impossível prever como uma pessoa se sente ou se comporta perante outros indivíduos." Lá está, é por isso que não gosto quando as pessoas - mesmo aliados - dizem que se deveria diversificar a TV. Sim, deve-se espelhar géneros e sexualidades diferentes, mas as diferenças são algo normal. A palavra que proponho é: normalizar.

      E saber a diferença entre assexual romântico e arromântico já é um ótimo começo, mas agora fica a dica, os nomes mais comuns que dão jeito decorar é demissexual e graysexual. E sim, há quem ache que nomes como pansexualidade significam essas barbaridades. Aliás, embora eu pense que agora espanha é extremamente receptiva a lgbt+, acho que durante uns tempos se pensava que que ser PANsexual era gostar de pão, ou de panelas. Tipo, wtf???

      E eu percebo o receio dos pais, mas se eles a querem proteger, não devem negar a identidade da criança: devem dar-lhe espaço para a explorar, informar-se e informar a criança depois. Principalmente se a criança afirma explicitamente que é de um determinado género ou orientação sexual. Ela há de saber melhor que quem a rodeia. E SIM, EU TAMBÉM PRECISEI MUITO DESSE TIRINHA PARA CAIR EM MIM, nunca antes me passaria pela cabeça que pudesse ser arrebatador mudar tão de repente. Oh, sobre a questão das casas de banho - ahah, desculpe, eu esqueci que por aí se diz banheiro, eu normalmente aviso quando as palavras em Portugal são diferentes! >.< - dei mais detalhes na resposta ao comentário da Hinata. E há muitos géneros sim, mas os conceitos mais importantes são intersex, cis, trans (binário) e trans não binário (dentro desses, os mais importantes são genderfluid e agender).

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    3. Sim, sair do armário é diferente para toda a gente. É engraçado porque, mesmo com alguns comentários que tenho recebido ultimamente quando anuncio em público que sou bi (comentários negativos, embora ninguém tenha chegado ao ponto de me tratar mal), a minha confiança não se abala porque as primeiras pessoas a quem contei reagiram bem. Eu sei que sou bi desde o ano passado, contei pela primeira vez este ano, mas não me importo que ninguém saiba e é até uma label que uso com orgulho. Mas lá está, isso sou eu que tenho à vontade e até dificuldade em esconder o que quer que seja sobre mim, pois muita gente precisa de tempo e, se quiser passar a vida toda sem contar a determinadas pessoas, está no direito dela. E acho tão ridículo quando as pessoas à volta assumem que conhecem que conhecem melhor o que a pessoa é do que a própria - essa pergunta, de "como é que você sabe?", traduz exatamente isso. Ainda bem que compreendeu as minhas respostas :)

      YA são young adults, mas creio que já descobriu >.<

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  3. Olá! Esta é uma mensagem padrão, desculpa neste momento eu não poder comentar sobre o post~ ^^'
    Saíram os resultados do Winter Awards (finalmente né, desculpe desculpe ^^'')
    http://bunny-contest.blogspot.pt/

    Obrigada por participar :3
    Kiss, Bunny~

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    1. Sem problemas, já vi e agradeço ^^

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  4. Yo, Any!

    Gente, que post grande!!!!! Mas tudo bem, não é o celular que vai me empatar de comentar aqui :3

    Assim, eu terminei de ler o post agora, e antes que comece a falar dos tópicos que você tocou, devo dizer que, em minha escola, me encontro em situações semelhantes em relação a política um assunto Cabuloso, de sete cabeças e que todo mundo evita falar, e quando fala, sempre acaba tocando em pontos incorretos; Vou dar o exemplo mais recente: sabe a Dilma? A presidente do Brasil? Todo mundo fala mal dela, isso é aquilo outro por conta de escândalos em relação a uma das empresas do Brasil (Não sei se isso já aconteceu aí em Portugal); E existe um menino na minha sala, que se diz entendido de política, que estava apedrejando Dilma e tals, e assim: não tem nada confirmado se ela está envolvida no escândalo veridicamente ou não, então seria mais conveniente para ele ficar uns minutinhos calado e passar a se informar mais um pouco ainda sobre política, porque se não for assim, ele vai acabar se frustrando quando alguém bem mais entendido que ele for lá e "mandar a real", sabe? Okks, desfoque um pouco muito do assunto, mas vamos a ele, yes?

    Vou comentar em especial sobre o primeiro tópico que você deixou aí

    》Sobre LGBT+ não ser modinha: Eu tenho pra mim que essa coisa de modinha é um pouco relativa, isso para todos os âmbitos; Só porque você se agradou ou gostou de uma coisa que é popular no nosso mundo atual, estamos seguindo uma "modinha"? Tá certo que existem pessoas que são "Maria vai com as outras, a coisa é que generalizam muito essa coisa de modinha quando nem sempre é; Tiremos como exemplo presente na sociedade atual essa coisa do LGBT+: só porque as pessoas estão se encontrando com mais frequência por outra opção sexual, isso apenas quer dizer que ela cansou de ser oprimida pela sociedade preconceituosa pela qual somos cercados, independentemente da nacionalidade, e essas pessoas não têm ABSOLUTAMENTE NADA a ver com isso, então quero saber delas qual é o grandessissemo incômodo em viver ao lado ou próximo de uma pessoa que optou pela homossexualidade ou por outras opções.

    Essas coisas das pessoas transexuais são também um assunto para se tratado com muito mais clareza do que é atualmente; pois se desenvolvem muitos preconceitos em relação a pessoas transexuais; Quantas destas não se suicidaram, foram assassinadas ou tiveram uma vida infeliz por conta da repressão que as pessoas fazem em cima delas? Claro, essas pessoas trans também precisam se respeitar, e digo isso porque já ouvi falar de muitas pessoas trans que não conseguiram trabalho na vida por serem trans e se destruíram; Seja por drogas, cigarros ou bebida alcoólica, e alguns destes até foram trabalhar em prostíbulos por não conseguir trabalho algum, e isso é muito triste.

    Ai meu pai, NEM ME FALA DE FEMINISMO! Eu tenho a seguinte visão (Pode ser um tanto prepotente de minha parte dizê-la, uma vez que pouquíssimo sei do assunto): Para que sermos machistas? Para que sermos feministas? Porque ao invés disso não somos humanitaristas e defendemos as duas causas, uma vez que ela beneficiaria a cada um dos lados, praticando a boa convivência dos mesmos? Eis a coisa que mais faz falta aos seres humanos: o saber conviver bem, sem desrespeitar ou ofender o próximo...

    Sobre a tua irmã, eu ia indicar Mad Max, o novo no caso, mas não sei se ela se grada com esse tipo de filme; Se ela se agradar, indica sem medo de ser feliz, porque o filme é bom mesmo!

    Bem, é isso (Acho que meu comentário não deu nem pro gasto perto do tamanho dos outros dois, mas é esse teclado do celular que tá me matando! )

    Kissus <3

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    1. Ah, quase ia esquecendo, amei o novo estilo do teu lay ♥

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    2. Fico contente por não ser o celular a impedi-la ;) Assim como por entender o quão desgastante, irritante e problemático é falar de algo importantíssimo até com pessoas bem intencionadas, mas que só dizem asneiras. Sei pouco, mas o básico, disso que se passou no brasil sobre o impeachment e a Dilma. "ele vai acabar se frustrando quando alguém bem mais entendido que ele for lá e "mandar a real", sabe?" - Ui, se sei! Digo sempre (mas creio que nunca escrevi) que o mal da humanidade não é a ignorância, mas a dificuldade em admiti-la, pois quando uma pessoa se recusa a reconhecer que tem muito a aprender, está a colocar um limite a si mesma, pois nunca terá a humildade de se ir informar. Eu achava-me a aliada perfeita de lgbt+ até este mesmo ano descobrir toda a questão dos géneros! E o tema é tão complexo e trabalhoso, que precisamente por isso eu decidi fazer este post e sintetizar num só lugar a informação principal. Assim as pessoa já não terão de perder tanto tempo quanto eu perdi.

      Você acabou de dizer precisamente tudo o que eu acho sobre a questão das modinhas: há quem seja influenciável e oco ao ponto de fazer tudo o que os outros fazem - e nesse caso, a palavra modinha pode ser usada - mas se há muita gente a gostar de algo, não seria mais lógico assumir que esse algo deve ter algo que se aproveite? E além do mais, você aplicou lindamente isso ao contexto do post: "só porque as pessoas estão se encontrando com mais frequência por outra opção sexual, isso apenas quer dizer que ela cansou de ser oprimida pela sociedade preconceituosa pela qual somos cercados"

      Pequeno detalhe: é preferível dizer trans em vez de transsexual. No próximo post sobre lgbt+ tenciono esclarecer o porquê. E é de facto triste como quem é trans muitas vezes acaba por se envolver com drogas ou prostituição (embora eu respeite a prostituição, e também tenciono explicar um dia porquê), mas não acho que seja culpa deles - pode ser também, ok, mas por norma não é - e sim da sociedade, porque são seres humanos e é expectável que após uma vida miserável acabem por fraquejar.

      Eu acho que o post que estou a preparar sobre feminismo vai fazê-la mudar um pouco de ideias. Primeiro, o feminismo não é o oposto de machismo - isso seria femismo. E feminismo quer dizer igualdade de géneros. É basicamente "ativismo", ou "humanismo" como você chamou, só que chama-se assim porque o nome é já antigo e vem de um tempo em que as mulheres viviam realmente reprimidas e eram tratadas quase como objetos, então o nome significa NÃO QUE se deve descer "o nível" dos homens para equilibrar (ninguém lhes quer tirar nada), mas sim subir o das mulheres. Quando eu digo que sou feminista, quero dizer que me preocupo com igualdade de direitos. Ou melhor, equidade: https://ares.unasus.gov.br/acervo/bitstream/handle/ARES/2346/igual-equi.jpg?sequence=1&isAllowed=y

      E vou indicar à minha irmã :)

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  5. Olá Any-chan!
    Estou sem muito tempo, mas gostei do post. É bastante informativo, e explica bem o que alguns grupos que não são tão bem vistos (no caso, nós, bissexuais, não somos bem vistos em nenhum grupo hétero ou homo), mas enfim... Uma amiga asexual já tentou traduzir alguns artigos (ela é formada em tradução) gringos para o tumblr, para dar uma chance àqueles perdidos que não tem a informação até eles, e se sentem culpados por não sentir atração sexual. Acho que entrar no quesito LGBT+, significa que você precisa ter muita paciência para abranger todos os tipos de sexualidade e também de gênero.

    Não sou asexual (acho que passo longe disso haha) mas vendo minha amiga sofrer por causa disso, e ver sua própria psicóloga chamar isso de doença (que é diferente de ser impotente!) li tudo o que pude no assunto. Não decorei nada, mas ao menos o conhecimento estava à minha mão. Acho que o que falta é esse tipo de conhecimento chegar até as escolas, os núcleos onde aos poucos o indivíduo está sendo formado e inserido na sociedade.

    Portanto, concordo em parte com o seu descontentamento sobre a sua amiga, que apresentou um trabalho mal feito. Digo isto porque tem muitos outros temas que são sérios e que, por vezes, tratamos como banal somente por não ser de nosso meio e/ou porque odiamos a escola. Sim, machuca quem faz parte, mas não é de toda culpa sua amiga ter que explicar um assunto que às vezes nem lhe diz respeito. Aqui no brasil o termo LGBT+ só é usado ainda pelos nichos de militância, muitas vezes o povo só fala LGBT, mas está implícito que envolve outros grupos (não sei se tu já ouviu falar da Parada Gay que acontece todo ano na Avenida Paulista, aqui no Brasil), ela é uma parada "gay" que na verdade todo tipo de pessoa vai à rua. Desde o hétero quanto o transexual, do gay solteiro ao casado. Ainda é mal visto por alguns (conservadores) mas também, por falta de trabalhos que inserem estes grupos que são majoritariamente excluídos da sociedade.

    Não sou de nenhuma militância, mas procuro saber sobre os assuntos que me envolvem de alguma maneira ou meus amigos. Mas na maior parte das vezes - principalmente do nicho asexual, do qual eu não faço parte - nem pergunto sobre a sexualidade de alguém. E também ninguém me pergunta se eu tenho namorado (e quando tive, ninguém ficou perguntando pq, ou pq terminamos, etc) ou se tive sexo com ele. O lado asexual sofre violência principalmente no próprio relacionamento, não em uma conversa entre amigos. É aquele namorado que te estupra se você fala que não quer sexo, é as ofensas e dizerem que tu é "quebrado" pois não gosta de felação. É algo muito mais pessoal e íntimo, e muito mais difícil de ser combatido. Não sei se tu és asexual, mas espero que nada te aconteça como isto que relatei, e espero que, mesmo com toda sua indignação, consiga trazer estes assunto à sua escola; porque quando você se formar verá que aos poucos, você vai moldando um mundo melhor. Não precisa dar-lhes uma aula igual fez no seu post aqui, mas sim inserir o respeito naquele grupo que sua amiga estava apresentando o trabalho.

    Por último, quando me assumi bissexual, como o nicho de amigos que eu convivo já tem bastante conhecimento - ou/e respeita, independentemente dos termos que você deu no post sobre o que é o respeito - sobre o que era, ou mesmo eram já. E mesmo quando pensavam que eu era hétero (minha irmã e o marido dela achavam que eu era lésbica antes de eu namorar um rapaz) eles não faziam nada para me ofender, porque no convívio sabem o que pode ser dito ou não, o que é desrespeitoso ou não. Uma vez ouvi o marido da minha irmã dizer "nossa, aquele rapaz é gay", como se fosse algo pejorativo; e não lhe dei aula, não expliquei nada. Simplesmente respondi "é? E o que te importa isso?". Nem ele me soube responder.

    O verdadeiro respeito não se impõe, se conquista.

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    1. Já contava que estivesse a par dos pontos mais importantes sobre as várias sexualidades e géneros, e fico contente por se ter preocupado com a situação do seu amigo (sei bem que ser assexual é diferente de ser impotente, raiva dessa psicóloga). Sim, é preciso muita paciência para abranger tudo, e tempo também, mas foi precisamente por eu ter gasto tanto do meu a aprender (pois não acho justo perceber só sobre a minha própria sexualidade) que decidi condensar os básicos todos neste post de forma a poupar algum tempo a quem não sabe nem por onde começar a pesquisar. E concordo totalmente com isto: "Acho que o que falta é esse tipo de conhecimento chegar até as escolas, os núcleos onde aos poucos o indivíduo está sendo formado e inserido na sociedade."

      Começando pelo final, eu percebo que o respeito não se impõe, e eu nem quero obrigar ninguém a aceitar os lgbt+ (embora eu ache que seria um pouco justo, não o farei). Mas acho que é extremamente necessário divulgar a informação, ou pelo menos torná-la acessível e em várias línguas, nem que a informação em si seja imposta. Por isso é que falei de respeito e não de tolerância ou aceitação, por isso é que acho o respeito mais importante, porque A MINHA (mas claro, isto é uma questão de vocabulário, creio que as nossas ideias são similares mesmo que usemos diferentes palavras) concepção de respeito implica mais informação e entendimento do que propriamente gentileza ou aceitação. Sim, o respeito se conquista. Não, não se conquista obrigando. Mas se ninguém se manifestar e apontar claramente o que está errado, não se vai sair do lugar, e por isso fiz este post e eu mesma apresentei entretanto um trabalho sobre lgbt+ na escola para aprofundar as coisas (quem me dera que as pessoas da minha turma fossem todas tão receptivas quanto as do seu colégio, mas não foi o caso >.< O que eu já contava). Além de que, não é por alguém ser lgbt+ que merece imediatamente respeito - aliás, há pessoas tão parvas dentro da comunidade que arrastam o preconceito para dentro dela, como isso que você mencionou de muitos homossexuais estarem contra quem é bi. Oh, a minha intenção não era culpar a minha amiga - creio que disse isso no post, mas oks - e eu mesma deixei claro quando fui falar com ela que não me magoava, pois ela não tinha a obrigação de falar do tema na perfeição - embora eu realmente tenha ficado descontente com a abordagem redutora - eu própria disse no post que era SÓ um trabalho da escola e, lá está, é costume tratarmos isso como algo banal. Embora fosse tema livre, então ela poderia ter escolhido falar de algo que dominasse melhor, mas enfim.

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    2. Sim, acho que aqui também há alguns eventos estilo parada gay que inclui outros grupos apesar do nome restrito. "O lado asexual sofre violência principalmente no próprio relacionamento, não em uma conversa entre amigos. É aquele namorado que te estupra se você fala que não quer sexo, é as ofensas e dizerem que tu é "quebrado" pois não gosta de felação. É algo muito mais pessoal e íntimo, e muito mais difícil de ser combatido. " - Não sou assexual, mas agradeço a preocupação :) Aliás, quando digo que sou bi, quero dizer que sou bissexual, não assexual birromântica. Sei que a assexualidade também tem muitíssimo esse problema de se sofrer um ataque por parceiros mais intímos, mas o exemplo que citei no post acontece também, aquele dos julgamentos absurdos por amigos - pelo menos, já li diversos relatos de assexuais que apontam que isso aconteceu com eles. Claro, isso depende muito do país, zona e mentalidade correspondente à zona em que a pessoa vive. Quem me dera que toda a gente tivesse o mesmo cuidado que você: esse de procurar saber mais sobre, pelo menos, os assuntos que envolvem os seus amigos. Se toda a gente fizesse isso, poderia dizer que havia respeito, pelo menos uma excelente tentativa dele. E se quer saber, já transmiti algumas destas ideias à turma :) Nem toda a gente as recebeu muito bem, como já disse e seria expectável, mas pelo menos aquelas pessoas que se preocupam em respeitar o próximo ficaram conscientes de que há mais nomes para além dos primeiros 4 que correspondem às letrinhas de lgbt+. Agora, é com elas...

      "porque quando você se formar verá que aos poucos, você vai moldando um mundo melhor. " Acredito nisso, também. Nada muito de repente nem forçado, mas acredito que aos poucos conseguirei mesmo deixar as pessoas mais conscientes, e até consciencializar-me mais a mim própria. O importante é estar sempre a aprender e reconhecer que seremos sempre ignorantes relativamente a algo, pois isso irá permitir-nos ter a humildade (não lembrei de palavra melhor) de ir pesquisar. Quando algumas pessoas fazem comentários desses, usando "gay" como algo pejorativo, de facto não vale a pena dar aula. Mas, por exemplo, sendo bi, eu não me importo de assumir que o sou para a pessoa ver que a minha pessoa não corresponde aos estereótipos que ela e a sociedade absorveram. Em vez de me perder com palavras, mostro quem sou, quem somos (embora não possa falar por todas as pessoas que são bissexuais, claro, mas sempre dá para mostrar que todos somos diferentes). E se achar oportunidade e a pessoa parecer sinceramente curiosa, aproveito para introduzir uma ou outra definiçãozinha. Os meus amigos próximos aceitaram bem que eu fosse bi e pareceram captar bem as ideias certas - mas nem toda a gente o fez. Durante a apresentação do trabalho sobre lgbt+, percebi que algumas pessoas achavam que ser bi significava que a pessoa traía e, embora não tenha sido um ataque direto, foi um pouco triste, mais ainda pela balbúrdia não me ter permitido desmistificar isso devidamente. Ainda assim, foi um bom começo e não me arrependo do trabalho que apresentei.

      Jaa!

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  6. Yoo Any!! ஐ
    Faz tempo que eu não comento, mas enfim... KAMISAMA QUE POST LACRANTE. ok, ok, calma, calma. Talvez seja meio irônico, mas mesmo que você o tenha escrito um tanto chateada ele me deixou pra cima. Debates em si me deixam animada, ainda mais de um tema que gosto tanto quanto esse. Enfim - sobre o trabalho é uma pena que não foi bem executado :( Honestamente, se encaixar no planejamento vou sugerir para o meu professor de filosofia/sociologia fazermos um seminário e debate acerca de LGBT+ - até pq, há sim gente sem conhecimento ou mesmo homofóbicos em minha classe.
    Concordo com absolutamente TUDO dito. TUDO MESMO. Foi sem dúvida incrivelmente completo. Acho crucial para um ser humano ser instruído desde cedo sobre tais assuntos, pra mim a sociedade será apenas capaz de evoluir quando todos forem capazes de respeitar o próximo.

    Posso surtar? VOU SURTEI >< QUE COISA FOFA ANYY!!! "Quem é que recebe bons comentários, quem?" EU QUERO TE MORDER Q MEIGUISSE!!!!! (ta, meu medico acabou de me sedar, calmei).

    Eu espero que esse post chegue aos olhos de muita gente, que ele instrua o que as escolas e pais muitas vezes não são capazes. Eu adoraria ter lido esse post alguns anos atrás quando estava completamente no escuro sobre esse assunto. E fique tranquila sobre o trabalho da escola, por aqui sua voz com certeza deve ter atingindo muita gente <3

    Sobre os livros, eu tenho uma recomendação: A Saga dos Corvos (é pra mim o que No.6 é pra você, então acho que dispensa comentários- além do mais HÁ o lado ~gay~ que, entre nós, me pegou de surpresa e é TÃO TÃO belo).

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    1. Ahhhh, quando li o comentário da Camii lembrei de algo que a cantora -brasileira- Ana Carolina disse: "A humanidade inteira poderia ser bissexual"
      Okkss... Acho que é só~~ Gostaria de fazer um comentário mais profundo (e enorme), mas estou cheia das coisas pra fazer, ent fica por isso mesmo. Mas está absolutamente maravilhoso <33 VIVA O FUCKING AMOR E RESPEITO!!! *joga confete e desaparece no arco-íris*

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    2. OBRIGADA, OBRIGADA, OBRIGADA, OBRIGADA, OBRIGADA <3 É tão bom receber comentários que reconhecem o trabalho e a importância de posts assim!... As pessoas podem nem gostar de mais nada do que eu escrevo, mas pelo menos prestes atenção a quando falo de representatividade porque ISSO IMPORTA, PARA O MUNDO TODO.

      E espero alegrá-la também com isto: eu mesma cheguei a apresentar lgbt+ em inglês, por um lado para tornar os termos menos conhecidos acessíveis, e por outro lado para espalhar um bocadinho de respeito. Claro, isso não funcionou com toda a gente, mas pelo menos as pessoas que se interessam em tratar bem toda a gente ficaram a saber que o mundo não se dividia em hetero e homossexuais. O que é um bom começo. Também adoro debates (embora às vezes sejam desgastantes) e boa sorte para alguma vez fazer isso ;) Fico contente por ter achado o post completo, demorei imenso a escrever tudo. "Acho crucial para um ser humano ser instruído desde cedo sobre tais assuntos, pra mim a sociedade será apenas capaz de evoluir quando todos forem capazes de respeitar o próximo. " EXATAMENTE!

      E como já disse num post mais recente, já adicionei a sua sugestão literária ^^ Curtos ou longos, comentários seus são sempre bem vindos :3

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  7. Gente do céu vou demorar anos pra ler -q.Pronto li tudo.Gostei do teu post,é dificil achar alguém na blogosfera que aborda sobre esse tipo de coisa.Eu queria ter uma aula de inglês dessas,aposto que veria tribilhões de erros,de pessoas preconceituosas,dizendo bosta.
    E principalmente os machistas,falando que uma mulher não poderia casar com uma mulher,e basicamente não iriam fazer o trabalho.

    Acho que a maioria das pessoas se negam a saber mais sobre a lgbt+,e pá,esse tipo.Eu concordo com tudo que você falou ^-^.Espero que as pessoas tomem juízo,e que não cometam mais estes erros estúpidos. (-__-),e também seu blog é interessante sabe?!Nunca vi tanta coisa interessante em um só lugar.

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    1. Primeiro, muito obrigada por achar o meu blog interessante, tenho estado ausente, mas prometo continuar a inovar nos posts ;)

      Na verdade, o mais hilário é que pelo menos as pessoas na minha turma NEM são sexistas (prefiro dizer sexismo em vez de machismo, porque por muito que eu seja feminista e feministas também lutem por alguns direitos dos homens, falar em machismo parece implicar que eles também não sofrem pelo seu género, o que nem sempre é verdade) NEM preconceituosos. Não com más intenções, não com ódio. Eram apenas ignorantes, e nesse sentido, pode-se considerar preconceito sim, pois são ideias estereotipadas. É por isso que prefiro espalhar a informação, em vez de presumir que toda a gente diz bosta de propósito. Não se negam - não toda a gente - por arrogância, apenas por inconsciência e esse problema também não pode ser lutado com ódio. Mas realmente, espero que as pessoas não cometam mais erros assim >.<

      Jaa!

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