fevereiro 14, 2016

A questão já nem é tanto o racismo, mas o whiteprivilege


Quem é vivo sempre aparece!

Não tenho grandes novidades - bem, algumas: anda a chover a potes, passei grande parte das férias de carnaval doente, desenhei um lince ibérico (depois revelo a foto na página própria, aliás, quem ainda não soube da minha apresentação sobre No.6 em inglês, dê lá uma olhada: www), descobri hoje mesmo que é dia dos namorados cá em Portugal - porque a data é diferente da do Brasil, sim - e comecei  a ler um mangá em italiano. Mas tenho um teste intermédio (digamos apenas que esses são particularmente importantes) esta semana e na próxima, então confesso que não tenho tido tanto tempo livre quanto gostaria e foi difícil conseguir vir cá postar. Contudo, já me tinha comprometido a falar deste assunto a algumas pessoas, e eu cumpro com o prometido. Antes de mais: sabem o significado de POC? Significa People Of Color, e é essencialmente sobre essas pessoas que tratará o post. É novamente algo relativo a representatividade, e embora eu tencionasse falar de detalhes mais específicos sobre lgbt+, como um complemento a {este post}, decidi que era melhor intercalar e equilibrar os diversos assuntos do blog. Vou tentar abranger muiiiiita coisa aqui, já que eu gosto de fazer postagens introdutórias que não deixem nenhum assunto de fóra, mas sintam-se livres para contribuir com a vossa própria opinião nos comentários.

Antes de mais: recomendo a leitura de vários artigos {deste post}, mais especificamente, na área "representatividade» pessoas de cor". 

Então, eu confesso que não faço a ideia se algum de vocês é de facto uma pessoa de cor (não digo negra, porque também me refiro a asiáticos ou a qualquer etnia) e se alguma vez passou por situações de racismo. Que, apesar do título do post, ainda existe, e toda a gente sabe disso: existe violência e desconfiança, ódio completamente injustificado e uma imensa diferença de tratamento em relação às pessoas negras, especialmente. Se não estivermos a falar das pessoas negras e sim de outras cores, talvez o comportamento seja algo mais moderado, mas a diferença de tratamento ainda está presente e chega-se a alguns extremismos que podem até mesmo colocar as pessoas em risco - por exemplo, o facto de se considerar asiáticas "exóticas" é um perigo para as mulheres, como pode ser visto em algumas das postagens do link acima mencionado. Ainda recentemente ouve uma imensa revolta quanto à peça de teatro de Harry Potter porque a atriz que fez de Hermione é negra, e alguns racistas recusaram-se a ir ver o filme mais recente de Star wars porque um dos protagoistas, Finn, foi representado por um ator negro. E sinceramente? Eu nem sequer tinha noção de que ainda existia tanto racismo até saber destes dois casos mais recentes. Como é que é possível em 2016 haver quem rejeite as pessoas pela cor da pele, ou haver quem afirme que atores negros são colocados em filmes para Hollywood parecer mais receptiva e "ficar bem na fotografia"? E acima de tudo, como é que há quem reclame e diga que já há demasiada gente negra no cinema? Essas pessoas sabem contar?! Não devem saber, porque se compararmos o número de atores brancos com os de qualquer outra cor, a diferença é abismal não só em termos de número como ao papel desempenhado. 

E é aí que eu entro com a questão da representatividade. Li um post, que está na tal lista de links, sobre como "representatividade só não é importante para quem é sempre representado", e só pelo título, concordo plenamente. Eu falo bastante da representação de personagens lgbt+ com um papel relevante (ou seja, cujo pilar da personagem não seja a sua sexualidade ou género) e um tratamento adequado, mas há muitos outros grupos consideravelmente oprimidos: poc, pessoas gordas, pessoas com deficiências ou distúrbios mentais e as próprias mulheres - não me podia esquecer do feminismo, claro. O problema é que, embora tenha havido uma certa tentativa em integrar cada vez mais pessoas assim no cinema e em outros formatos de histórias ~livros, jogos, animes...~ para além de os números continuarem desiguais, a desigualdade social também se manifesta nos papéis atribuídos. Homens negros? São quase sempre altos e fortes, e recebem papéis de guarda-costas ou coisa do género. Mulheres? Papel de mães, namoradas ou servem apenas ao crescimento do protagonista (homem). Pessoas gordas? São usadas como alívio cómico. Assexuais? São quase sempre retratados como pessoinhas puras e inocentes, ou que não querem contacto físico de todo, e são necessariamente virgens. Pessoas com deficiências? Err, não aparecem no ecrã por mais de poucos minutos...

Essas representações são a prova de que, às vezes, a emenda é pior que o soneto. Digo-o, porque reforçam estereótipos, e vocês sabem como eu tenho um ódio imenso a estereótipos. Não estou a dizer que os papéis acima referidos não possam ser usados NUNCA (as pessoas são todas diferentes e de facto algumas deverão ter estilos de vida que combinem com os casos citados - aqui um exemplo de como mulheres podem ser mães nas histórias sem que deixem de ser incríveis por isso: www), apenas reforço a ideia de que é problemático usá-los SEMPRE, pois reduz identidades complexas a personagens ridículas e, por vezes até, irritantes. Além disso, os estereótipos são uma consequência da quantidade reduzida de personagens "diferentes", já que é por serem tão poucas que não é possível mostrá-las com papéis completamente distintos. Pior: esses estereótipos não se limitam a convencer a parte privilegiada da sociedade - homens-cis-héteros-brancos-magros-etc - como afetam a auto-estima de quem não faz parte dessa categoria. Quem nunca viu o vídeo em que as mulheres têm uma visão ridícula de si próprias? {www} Quem nunca soube de pessoas queer que demoraram a descobrir o seu género/orientação sexual porque nunca o viram representado tal qual o sentem e vivenciam? Com pessoas de cor acontece exatamente o mesmo, e é especialmente preocupante com crianças. A auto-estima delas é consideravelmente afetada por nunca se verem com o papel de protagonistas ou por nunca verem bonecos com a sua cor de pele. Isto só para dar exemplos breves. 

Contudo, o facto é que já há muita gente a lutar contra o racismo, e mesmo com tantas tentativas falhadas, elas estão lá. Não estou a desmerecer quem já teve de enfrentar o racismo por si próprio, e imagino que irrite ver tanta representação padronizada e colorblindness - uma forma de racismo por parte de alguém que quer tão pouco ser racista, que quase apaga essa característica das pessoas de cor, a cor, negando acidentalmente os problemas que elas ainda enfrentam apenas porque afirma a todo o custo que, "sendo pessoas, somos todos iguais". Um pouco mais sobre {colorblindness} e {whitesplaining} dentro das chavetas, já que essa questão da invalidação também é algo a combater. O que eu quero dizer é que, hoje em dia, o maior problema é que em grande parte da população, embora não seja defendido o racismo de forma consciente, há uma relativa inconsciência de que ainda existem classes privilegiadas. É por isso que neste post eu queria focar mais no whiteprivilege.

Caso não esteja ainda óbvio, whiteprivilege é basicamente a "sorte" que as pessoas brancas têm em relação às outras. Já falei um pouco da questão da representatividade no cinema, mas o privilégio manifesta-se também, na verdade, em coisas do quotidiano. A meritocracia revela-se mentira: todos deviam ser igualmente recompensados pelo seu esforço, mas tal nem sempre acontece. Para além do mais, não havendo igualdade de oportunidades, torna-se mais difícil alcançar o mesmo respeito, o mesmo estatuto, o mesmo pagamento, o mesmo trabalho... Aqui está uma pequena lista com exemplos:
  • Um terço das pessoas negras vai para a prisão pelo menos uma vez na vida, e são frequentemente alvos de suspeita. Oh, e isto? {www} E ainda, exemplos de como as pessoas brancas são mais protegidas pela polícia: {www}
  • Produtos do dia a dia que as pessoas brancas tomam como garantidos não estão adaptados para todas as cores de pele: {aqui um vídeo exemplificativo}
  • Ainda há quem fique surpreso quando vê pessoas de outras raças a serem diferentes do que geralmente é retratado no cinema, e especialmente quando expressam opiniões fortes, como houvesse alguma lógica em associar falta de opinião à cor de pele. 
  • Há uma enorme implicância com a aparência: a maneira de vestir parece ditar, para o resto da sociedade, a personalidade da pessoa e leva a julgamentos imediatos. Além disso, a sociedade parece acreditar que os asiáticos são sempre pequenos e franzinos e que pessoas negras são sempre altas e mais fortes. Isto para não dizer que se fala como se a África e a Ásia fossem representados por uma cor de pele só. 
  • Quando pessoas poc falam, parece que estão a representar todas as pessoas da mesma cor de pele. As pessoas brancas, em contraposição, não têm esse dever e são automaticamente vistas como bastante distintas entre si. 
  • Muita gente questiona pessoas de cor de cada vez que conseguem um bom trabalho, quando, relativamente às pessoas brancas, essa questão não se põe: parte-se apenas do princípio que estas eram qualificadas. 
  • Problemas com apropriação cultural. Ou seja, as pessoas brancas pegam em algo que não é da sua cultura, modificam para "ficar melhor", começam a exibi-la, e toda a gente acredita que essa coisa é assim na cultura original. 
  • Eu falei do cinema, mas não é só aí que pessoas de cor são pouco representadas. Acho que nunca as vi em livros infantis, e apesar de eu apreciar livros de fantasia, é deplorável como as várias raças mágicas são muitas vezes usadas como desculpa para não representar várias cores de pele de entre essas raças. 
  • Os ideais de beleza parecem limitar-se à cor branca. Experimentem procurar no google imagens.

E eu sei que isto não tem necessariamente muito a ver com pessoas negras, mas foi  outra questão de que me lembrei de repente quando pensei em whitesplaining: lembrei-me de como as pessoas brancas sentem que merecem ter mais voz do que as restantes, e de como a mídia aceita bem essa ideia, mesmo a questão dos whitesaviors. O que são eles? São aquelas pessoas que tentam supostamente "salvar África". Se forem a reparar, em praticamente todos os anúncios que visam angariar fundos para África e países em desenvolvimento (já agora, a expressão "países do terceiro mundo" já não é correta há alguns anos, ou pelo menos foi o que aprendi na escola) se vê as pessoas do país que necessita de ajuda como plano de fundo, e uma pessoa branca em primeiro plano. É a pessoa branca que tem direito à voz, ao destaque e à atenção, é ela que afirma o quê que aquela terra necessita e tenta sensibilizar as pessoas. Precisamente como se fosse algum tipo de herói e como se soubesse melhor que o próprio povo que lá habita de quê que a terra está a precisar. 

Como se as pessoas daquela zona não fossem capazes de agir ou pensar por si próprias, como se elas estivessem completamente dependentes da nossa ajuda ou tivessem alguma culpa pela situação em que estão, pela sua falta de sorte. 

Como se fossem inferiores a nós. 

Esses anúncios são completamente injustos, mas na verdade, toda essa coisa das doações é uma farsa por si só. Além disso, aquelas pessoas que se voluntariam para ir a África (e não só) ajudar vão, muitas vezes, mais pela viagem, e admitem-no. Tentam até mesmo impingir os seus próprios valores sobre a sociedade que visitam - por exemplo, se aprenderam que toda a gente em determinada zona é pagã, então recusam-se a aceitar que algumas famílias sejam cristãs mesmo que estas o afirmem - e julgam que estão a salvar África por gerarem meia dúzia de sorrisos. Mas raramente fornecem alguma ferramenta ou estratégia (como estas: www) que permita àquele povo safar-se sozinho após os whitesaviors regressarem ao seu próprio país e conforto. Não parece haver um esforço para cortar o mal pela raiz (e que raiz é essa? www) E isso gera ainda mais dependência dos países dominados por gente branca. Foi nesse sentido que trouxe o tópico à baila.

{editado dia 3/3/16} OBS: Caso alguém tenha ficado ofendido ou julgue que estou a minimizar/apagar a voz de quem já vivenciou racismo, por favor verifique se não é tudo um erro de comunicação {AQUI} ou na resposta ao comentário da Miyaneo.

Bem, sinto que este post acabou por se tornar uma grande salgalhada de assuntos, mas eu até gostei das coisas que aqui disse. Como a gama de assuntos é grande, imagino que vocês tenham até bastante coisa para comentar. Oh, e não deixem de visitar a tal lista de links, alguns artigos de lá são realmente muito bons. Termino com o link desta comic que ilustra perfeitamente a questão do whiteprivilege: www

27 comentários:

  1. Any-chan!

    Primeiramente, melhoras, nem imaginava que passou esses dias doente. >< Cada vez que entro na sua página de desenhos, fico maravilhada! É tanta coisa linda! Ah, no resto do mundo inteiro o dia dos namorados é comemorado no Valentine's Day, que é hoje, certo? Acho que só aqui comemoramos em junho hahahaha

    Eu ainda não li os links de representatividade, sorry, mas vou comentar aqui e depois entro lá com mais calma para ler. Eu não sei bem se aqui no Brasil é comum usarmos o termo "pessoas de cor", normalmente falamos negros, asiáticos, enfim, separado mesmo - aliás, taí uma coisa que nem sabia, pois para mim esse termo era relacionado somente a negros, mas até que faz sentido ser relacionado a outras etnias.

    Ah, é verdade, eu admito que fiquei chocada com esses dois casos de racismo, quer dizer, em pleno 2016 existe gente com este pensamento? Como pode isso?

    Exatamente isso que você falou sobre a representatividade. As pessoas são sempre retratadas em seus estereótipos, normalmente se esquece de mostrar uma mulher que não esteja relacionada a um homem, uma pessoa negra que não seja um bandido ou guarda-costas, pessoas gordas que não sejam engraçadas. Até li um texto sobre o papel da mulher em filmes uma vez, não lembro onde, e dizia mais ou menos isso, de que em 90% dos filmes as personagens mulheres ou conversam sempre sobre homens ou vivem em função dos homens, enfim, nada que demonstre uma independência delas.

    Eu não tinha muito conhecimento do termo "whiteprivilege", mas agora consegui compreender. Isso é um fato, não só existem estatísticas para comprovar, como podemos observar no nosso dia a dia mesmo. Bem como mulheres tem maior dificuldade de alcançar os mesmos cargos e salários dos homens, pessoas de cor então nem se fala! Eu nunca acreditei na meritocracia mesmo, pois ela só seria verdade num mundo utópico ou muito distante - no mundo em que vivemos, as diferenças ainda são abismais.

    Uau, olha essa estatística! Tipo, um terço das pessoas negras indo pra prisão uma vez na vida, isso é muita coisa! AH, essa dos produtos é verdade! Sempre que vem escrito "cor da pele", é um tom branco. Absurdo, né? E essa da apropriação também, com certeza existe e temos vários exemplos por aí - comidas, religiões, palavras, arte, enfim, diversas coisas que vieram da cultura negra e foram apropriadas pelos brancos.

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    1. É uma pena que existam empresas/entidades/governos/etc que utilizem a história da "África precisa de ajuda" como alavanca para se auto-promover. Existem pessoas que resolvem ajudar simplesmente sem pensar nisso, sim, não vamos generalizar, mas com certeza existem os que utilizam isto para auto-promoção. Acho que o que o pessoal precisa é um pouco de aulas de história, que tá faltando nessa sociedade haahahahaha

      Mas é exatamente essa a questão: a África só está numa situação de pobreza e problemas políticos porque no passado uns brancos que achavam que eram melhores que todo mundo chegaram lá e tentaram ser donos do lugar - e continua assim porque os brancos continuam a interferir lá, se nunca tivessem interferido, com certeza os povos lá não teriam sofrido tanto e até hoje não sofreriam por conta de todo esse passado. É realmente muito triste, porque além de tudo isso ainda tem gente que tenta se aproveitar disso e a mídia ainda manipula tudo para que ninguém compreenda a verdade.

      Fora que ainda tem a questão toda dos refugiados de países em guerra, que acabam passando, entre outras coisas, por alguns desses problemas.

      Adorei esta tirinha do final! É o resumo de tudo. Não entendo essas pessoas que dizem não existir racismo, não existir privilégio, quer dizer, elas são cegas ou o quê? A quem querem enganar? Acho que o primeiro passo seria todas as pessoas entenderem estes conceitos, entenderem que tudo isto existe, e aí sim teríamos uma base para alguma mudança - porque em geral tudo está tão difundido em nossa cultura que até mesmo inconscientemente acabamos sendo racistas no nosso dia a dia - o que obviamente é errado.

      Bem, é um tópico bem extenso e existe muito a comentar sobre, mas gostei do tema que você trouxe e das explicações (teve muita coisa que eu não sabia)!

      Beijos! <3

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    2. Ohayou ^^ No tempo que demoro a responder aos comentários, já fiquei mais do que boa, mas obrigada ainda assim. Fico feliz por gostar tanto dos meus desenhos, hoje mesmo pretendo adicionar uma nova espécie de retrato - não chega bem a ser um retrato porque é o desenho de um lince ibérico, mas de todos os desenhos realistas que já fiz, esse foi o mais demorado. E é mesmo, aí comemoram em junho :)

      Há muitos links, então talvez seja melhor fazer como eu com a sua recomendação das curtas: ver um por dia. E por aqui também não é comum usar o termo "pessoas de cor", mas tenho-o visto imenso no tumblr e comecei a habituar-me a ele, por ser mais abrangente. Se não, parece que o mundo se divide em negros, brancos e asiáticos. E eu fiquei realmente espantada com a quantidade de pessoas que reagiu tão mal - quer dizer, já sabia que ainda existiam pessoa racistas, mas tantas?!

      E quanto a isso que você mencionou de uma mulher sempre associada a um homem, sabia que existe um nome para designar essa representatividade repetitiva e em que a mulher é quase tratada como objeto? Na verdade, há 22 nomes possíveis: síndrome de trinity (representando o problema) ou bechedel rule (representando a solução: http://www.shoujo-cafe.com/2008/08/bedchel-rule.html). Não deve ser esse o artigo a que se referia, mas imagino que esteja relacionado :)

      Portanto sim, a representatividade é importantíssima e foi o principal motivo de eu ter feito este post. Deve ser, no mínimo, irritante para uma criança negra (por exemplo) querer ser ator/atriz e ver que o cinema é quase sempre protagonizado por pessoas brancas. E exatamente, a questão do whiteprivilege é comparável a esse exemplo de as mulheres receberem um salário menor. Aliás, uma vez li um post em que comparava a vida a um jogo, onde o "nível fácil" seria chamado homem-cis-hetero-branco e o "nível hard" seria, por exemplo, mulher-trans-pansexual-negra. Nesse caso então, dá para perceber perfeitamente o quanto a meritocracia só irá existir num mundo utópico... a única coisa que podemos fazer é tentar chegar lá perto.

      Tentei centrar-me em exemplos facilmente reconhecíveis, e mesmo assim hei de ter deixado badtantes de fóra. Oh, acho que foi depois de ter publicado o post que encontrei, mas falando em apropriação cultural, aqui um post sobre símbolos asiáticos cujo significado o ocidente alterou: http://everydayfeminism.com/2016/01/south-asian-accessories-mean/

      Não só essa coisa dos whitesaviors é usada como alavanca para a autopromoção, como transmite ideias erradas e passa a mensagem "você não tem de se sentir culpado, basta investir na campanha e pode voltar para a sua vidinha confortável de consciência limpa". O que é uma noção horrível que, ainda por cima, cria pessoas ocas que são incapazes de fazer algo REAL pela situação. Isso meio que leva às minhas escolhas de vida... Um dos motivos de eu querer ser médica, apesar de gostar tanto de tantas outras coisas que até me são mais fáceis, tem a ver com o facto de eu não concordar com a forma tão pouco-humana como os pacientes são tratados - e, dentro dos possíveis, é algo que tenciono mudar para melhor. Também me motiva o facto de eu não querer ser médica para sempre, mas querer ter dinheiro e influência SIM, de modo a poder criar algo - um projeto, diga-se - que possa dar uma verdadeira ajuda a situações como a de África, entre outros. É a minha razão mais pessoal e mais louca e que eu não conto a quase ninguém, não só porque é algo difícil, mas principalmente porque a maioria das pessoas não entenderia como é que alguém escolhe a própria carreira em função dos outros. Mas eu quero, realmente, fazer algo pelo mundo, e na sociedade atual, a única maneira de o conseguir é mudando-a desde dentro e desde uma posição que se calhar nem nos agrada tanto. É saber dizer que sim a coisas com que não concordamos, fingindo que nos deixamos corromper, para alcançar a oportunidade de mudar efetivamente algo, assim evitando que futuras pessoas tenham de passar pelas mesmas dificuldades. Segredo meu ;)

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    3. Portugal ainda não parece muito afetado pela crise dos refugiados, mas é verdade que a europa toda tem tido alguns problemas - isso virou até assunto da minha aula de inglês. Contudo, há também muita informação manipulada em torno do assunto, embora realmente as dificuldades que os refugiados têm passado sejam assustadoras, seja o tipo de dificuldade que for.

      Essa tirinha final é bastante conhecida, precisamente por resumir tão bem os vários conceitos e mostrar como uma pessoa branca pode ter noção do seu próprio privilégio sem fazer draminhas. O que eu mais tenho gostado das minhas pesquisas sobre representatividade é que me ajudam a tornar-me consciente de atitudes que eu tomava como "nada de especiais" e que podiam ser erróneas ou magoar alguém. É muito melhor quando uma pessoa aceita que tem muito a aprender e adquire uma mentalidade aberta, não de uma forma "vale tudo e não estou nem aí" beirando a ignorância, mas com a dita consciência.

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  2. Eu fui ver aquele vídeo das coisas que as pessoas brancas têm como garantidas e por acaso antes de ir a primeira coisa de que me lembrei foi que nunca (ou quase nunca) vejo bases (de maquilhagem) de cores suficientemente escuras para mulheres com esse tom de pele e de facto apareceu isso no vídeo XD
    Quando a isso das pessoas que vão ajudar, sim muitas são pela viagem, mas por exemplo, eu gostava de fazer voluntariado um dia (neste caso não sei se seria para ajudar pessoas, talvez o ambiente ou os animais) mas obviamente que esse tipo de viagem não serve apenas para ajudar mas também para aprender, e essa ajuda pode fazer-se nomeadamente em educação, tipo aprender a contar, a ler ou a escrever, regras básicas de higiene, etc. (pelo menos é essa a minha ideia de ajuda) para que no futuro eles não precisem mais, não é como se fossem inferiores, é uma ajuda ao desenvolvimento, não há nada de mal nisso. (Agora "inpingir" religiões e outras culturas nas pessoas isso não, eles lá têm a deles).

    Unicorns & Chill
    União dos Blogueiros Geeks
    [Fórum] Infinity Geek

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    1. Exatamente, e o mais estranho é como, através da falta de representatividade, as pessoas brancas acabam por inconscientemente assumir estereótipos na sua cabeça, acreditar piamente na meritocracia, e não ter noção da sua própria sorte (generalizando).

      Oh, não vejo problema nenhum em fazer voluntariado e até aproveitar para conhecer mais de África, etc... O problema é quem vai para lá e não faz verdadeiramente a sua parte, colocando o gosto pela viagem acima da tarefa que deviam encarar com seriedade. Sim, a educação pode ser uma ajuda importantíssima e eu apoio-a completamente, aliás, eu defendo a educação como uma arma para mudar o mundo, caso seja bem aplicada. Contudo, focar só na educação quando não fornecem os meios necessários para colocar as coisas que eles aprendem em prática torna-se fútil. Aqui um exemplo hiperbólico do que eu queria dizer - Houve um ano cá em Portugal em que, no noticiário, um jornalista avisou: "Devido ao frio/chuva intensos, os sem-abrigo devem ficar em casa". São SEM-ABRIGO! Muitos deles não têm casa! De que adianta dizer às pessoas o que será melhor para elas se elas não tiverem como o fazer? Sim, a educação ajuda até mesmo a investir no futuro, mas ela não irá longe sem uma base sólida que eu encaro como sendo a alimentação, abrigo, condições de vida num geral. Nesses últimos requesitos, África (e outros dos países ajudados) parece estar cada vez mais dependente da sociedade ocidental. Existem sementes que crescem em sólos difíceis e que não precisam de grandes cuidados: porquê que nunca as entregaram? Há ferramentas cada vez mais evoluídas para detetar água, cultivar, produzir alimentos ou energia: porquê que não as entregam com menos relutância? Era nesse sentido que eu falava.

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  3. Any-chan!!!! Gomen não ter comentado o post passado, o tempo pra comentar está cada dia mais curto pra mim; Maaaas eu sempre arranjo uma brechinha, mesmo que mínima, e cá estou;

    Essa coisa das pessoas brancas serem mais privilegiadas que as de pele escura eu comparo com os padrões de beleza atuais; Por exemplo, uma menina bonita tem que ter o cabelo longo, ter dentes branquinhos, ser magra, ter seios volumosos, entre outras coisas; Cara, quando é que as pessoas vão perceber que não é assim que a banda toca, hein? Ser humano é um trequinho complicado mesmo, sempre insatisfeito com tudo;

    A mesma coisa é aquela questão LGBT- só porque um casal homossexual não pode ter filhos "normalmente", isso não significa que eles vão pro inferno, por assim dizer! Por essas e outras eu digo que o ser humano tem 4 grandes defeitos: Não aceitar as coisas a sua volta, não entender a realidade como ela é, não ter uma mente 100% aberta a tudo e, por fim,não saber conviver com as pessoas ao seu redor.

    Any-chan!!! Teus desenhos do No.6 estão simplesmente maravilhosos! Acho que não lhe contei ainda, mas como não estou com muito tempo para assistir animes atualmente, eu tô lendo o mangá do No.6 (em inglês mesmo) pra ver se daqui a alguns meses tenho a oportunidade de falar dele lá no blog. Na verdade, tenho duas resenhas em mente, a primeira é essa do No.6, e a outra é do game do Hakuouki, que estou jogando atualmente; Só acho ruim ter que pagar 4 reais e 20 centavos por capítulo do game, mas vale a pena!

    Bem, é isso! Kissus <3

    Dama de Ferro

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    1. Nem imagina como eu entendo essa sua falta de tempo - mas se não ter comentado o post anterior deu lugar às suas traduções tão incríveis, até a irei parabenizar ;)

      Sim, em grande parte o racismo depende dos padrões de beleza, e vice-versa. O facto é que se se procurar "beauty" no google imagens só aparece gente branca. Mas não penso que o padrão de beleza seja a única causa, e sim que está acompanhado da história/cultura ocidental (que geralmente só foca nos negros para falar de conquistas e afirmar a sua supremacia), e da tal representaividade mencionada em todo o post.

      Isso de ter a mente 100% aberta pode ser discutível, embora eu perceba que você o disse no bom sentido. Mas há quem diga que ter mente aberta é aceitar mesmo coisas como pedofilia e a falta de consentimento porque "ela diz que não, mas gosta". Também pode significar que aceitar tudo minimiza o pensamento crítico e a necessidade de as pessoas se informarem, o que é um erro - pois é devido à ignorância que muitos comentários ofensivos, inconscientemente, são feitos. Portanto não basta ter mente aberta, é preciso ter-se consciência ;) Mas claro que eu acabei desviando do assunto, e aliás, mais sobre essa mesma questão de gays irem para o inferno foi abordada num post sobre o casamento gay, basta procurar no mapa caso fique curiosa.

      ARIGATOU!!!!!!! <3 Oh, você conhece o tumblr onde o mangá está completo? Porque ele não se encontra completo em mais página nenhuma, AVISE-ME SE PRECISAR DO LINK!!! E fico tão, tão feliz por você estar a ler o mangá que até me comove :3 Oh, e de hakuouki, não duvido de que a resenha seja merecida.

      Jaa!

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  4. MUAHAHAHAHAHAHAHA ADIVINHA QUEM BROTOU AQUI NOVAMENTE PARA SURTAR!?

    Yoooo Any-chan!? Como anda a vida por aí!?.......Bem, eu ainda não voltei da praia, MAS consegui uma internet melzinho na chupeta para dar uma passada por aqui, responder comentários, SURTAR COM CAPÍTULOS NOVOS DE KAMISAMA <3.......Enfim, mas vamos ao que interessa:

    Bem, eu não sei quanto ao restante do povo da blogosfera, mas eu meio que sou uma mistura de tudo um pouco: Portuguesa por parte da família do meu avô paterno e meio índia meio negra por parte da família da minha avó paterna e ainda tem o povo italiano por parte da minha família materna! Aliás, nessas pesquisas sobre população nunca sei exatamente o que colocar: Pois levando em conta a pele sou morena, mas minha mãe diz que sou branca!? '-'

    Eu confesso que quando mais nova eu pensava que essa história de racismo, principalmente com os negros (que é o mais forte) já estava acabada há muito tempo, eu pensava que fosse coisa de décadas passadas, mas infelizmente acabei descobrindo que eu estava completamente errada! Aliás, QUE HISTÓRIA É ESSA DE HARRY POTTER!? Véi, eu sei que tem aqueles fãs super fãs que nas adaptação não gostam quando mudam alguma característica dos personagens, mas isso de longe é exagerado!

    Aliás, falando nessas paradas de preconceito, há também o problema com imigrantes! No qual, os Sírios estão em destaque por causa de toda a confusão por lá. Imagina você estar num país em guerra e não ter lugar algum do mundo que te aceite e que você possa se sentir segura! E é a mesma desculpa de sempre "Podem ser terroristas, ladrões, sei-lá-o-que", eu concordo que tenha que ter um controle nessas coisas, não dá para deixar qualquer um entrar sem pelo menos uma fiscalização, MAS é engraçado que todo mundo fala sobre resolver o assunto, mas no fim das contas ninguém se preocupa em realmente fazer algo efetivo.

    O pior que é bem isso! Na hora de colocar "outros padrões" nas telas, como negros, gordinhos, mulheres.....As personagens acabam caindo num bando de esteriótipos e no fim não ganham um desenvolvimento merecido! Tipo gordinhos parecem que não namoram, só vivem na brisa cômica da vida, as mulheres........Véi, aproveitando para puxar as minhas purpurinas shoujos.....Já li tanto shoujo mimimi com todo mundo pagando pau para o rapaz e a garota nada mais nada menos do que fazendo ele parecer mais grandioso ainda! Mesmo eu achando bonito aquela coisa de "Boy magia perfeito salvando sua princesa", eu fico "Pô, e a garota!? Quando vai sambar nesse glamour!?" E sobre os negros também é muito raro verem protagonizando ou fazendo papéis mais importantes, e aqueles que protagonizam são extremamente raros como will smith que aliás, fez um filme muito lindo "À procura da felicidade" e temos também um filme que a Saddy resenhou no blog dela! Era uma releitura muito "quebrando esteriótipos" de Cinderela! Com uma negra como heroína e um asiático como príncipe!

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    2. Eu não sei quanto aos outros países, mas aqui no Brasil um dos grandes problemas foram os longos anos de escravidão, que mesmo sendo coisa de muitos anos atrás acabou gerando toda uma situação de falta de estrutura e oportunidades que vieram se estendendo até hoje. Pois, okkks escravos estavam livres, porém livres, sem dinheiro algum, sem casa, muitos quilombos estavam destruídos e ainda por cima não tinham conhecimento algum devido ao período de escravidão, sabiam apenas trabalhar nos feudos dos grandes senhores e mesmo que houvesse aqueles que se preocupavam com essa situação e queriam resolver, eram a minoria, sendo assim a situação ficou do mesmo jeito e foi se arrastando até hoje! Enfim, não apenas em relação aos negros, mas a outras etnias e pessoas num geral, pelo menos por aqui no Brasil, a diferença de oportunidades é berrante! Por exemplo: Minha tia dava aula na faculdade pública e ela dizia que da mesma forma que tinham alunos extremamente ricos, tinham aqueles extremamente pobres que mal tinham o que comer quem dirá em se manter numa universidade, que mesmo sendo pública tem os seus gastos. Outra coisa também: Minha mãe ontem mesmo estava contando sobre a época em que trabalhava no hospital na área da hemodiálise, ela disse que aqueles que tinham condições até conseguiam se virar e seguir com o tratamento, mas ela também disse que tinham aquelas pessoas que nem dinheiro para os remédios tinham, que mal tinham o que comer e muitas vezes apenas feijão tinham, sendo que pessoas com problemas renais NÃO podem de maneira alguma comer feijão, COMO DIABOS QUEREM QUE ESSA PESSOA CONTINUE COM O TRATAMENTO E MELHORE!?.......Véi, sabe o que é a minha mãe e uma galera da enfermagem desviar comidinha da cantina para dar isso para uma das pacientes que mal tinha como se alimentar (e por causa disso passava mal na hemodiálise) porque tinha toda uma burocracia e mimimi no hospital para liberar um pratinho de comida para essa paciente!.....E depois dizem "Ah! Mas, é só a pessoa se esforçar que ela consegue! Isso é por ela mesma" Sim, concordo que sem esforço a pessoa não vai conseguir nada. E que há casos em que esse esforço dá ótimos resultados, mas são casos mais isolados, não é tão fácil assim.

      Sobre a questão de "Salvar a África" o meu pai diz o mesmo! Tipo, tem gente que manda dinheiro para lá e aí recebe a fama de salvador e talls! Mas isso não vai resolver nada, pois é necessário criar um método em que o PRÓPRIO país e população consigam se virar futuramente, não adianta resolver o problema e não pensar no futuro. Sem mencionar que há o perigo de boa parte desse dinheiro ser desviado!

      É isso mesmo, o termo "Terceiro Mundo" e até mesmo "País Subdesenvolvido" não são mais utilizados, hoje em dia se utiliza mais o termo "Países emergentes ou em Desenvolvimento" (países que saíram de uma situação econômica estagnada ou negativa e agora estão crescendo)......Que sinceramente, eu acho que isso seja apenas mais um eufemismo / uma purpurina para não ficar tão na cara "está um caos aqui" do que algo que realmente expresse a situação do país '-' Tipo o Brasil há um bom tempo é considerado um país emergente, mas ainda tá uma bagunça por aqui (e agora tem toda essa treta e problemática do Zika vírus).

      Enfim, eu adorei o post e prevejo que sabagaça vai ficar grande de novo e.e'''''

      Ah! Mas, antes de ir essa é a primeira vez que leio a expressão "Chover a potes" XD e como assim ferias de carnaval!? '-' Eu já ouvi que na Europa também tinha carnaval, mas não sabia que era feriado por aí também! Aliás, por aí rola essas paradas de desfile e fantasias!?

      Bem, vou ficando por aqui

      Kiss

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    4. Apenas vindo acrescentar uma coisa: Sobre a historinha da hemodiálise, as pessoas que fazem não podem consumir feijão, pois o mesmo também possui uma grande quantidade de potássio, ou seja, um dos problemas é o dito potássio, sendo assim nem banana elas podem comer!

      E outra coisa: É impressão minha ou a pessoinha de baixo tá meio revolts '-'

      Kiss

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    5. Finalmente estou a responder a isto... Bem, talvez agora já não valha a pena responder a algumas coisinhas, como a questão de Kamisama que já comentei no seu blog :) E é mesmo, tem umas origens bem misturadas, mas acho isso interessantíssimo. Haha, essas pesquisas dão nós na cabeça de qualquer um!

      "Eu confesso que quando mais nova eu pensava que essa história de racismo, principalmente com os negros (que é o mais forte) já estava acabada há muito tempo" <<<THIS SUPREMO! É por isso que não foquei tanto na questão do racismo nos meus posts de representatividade, mas decidi mudar isso. Até porque Portugal é absurdamente pacífico e nunca presenciei realmente uma cena dessas, o que reforçava a minha crença. Por isso é que essa coisa toda com Harry Potter foi chocante, e que começar a pensar numa perspectiva mais global e não tanto self-centered me pareceu uma boa ideia.

      Também concordei muito com esta parte: "é engraçado que todo mundo fala sobre resolver o assunto, mas no fim das contas ninguém se preocupa em realmente fazer algo efetivo." Na verdade, esse é até um tema que tem sido tratado nas aulas de inglês, Portugal no fim das contas acabou por não receber ninguém - não creio que terroristas viessem verdadeiramente a ser problema, agora sobre a economia não vou opinar, porque não percebo do assunto - mas se tivesse recebido, reagiria como o resto da Europa: apenas falando. Deve ser o que toda a gente faz melhor...

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    6. E é exatamente os estereótipos que eu encaro como um grande problema: a deficiência de representatividade não é apenas quantitativa, mas também qualitativa. E isso de você conseguir criticar os seus próprios gostos (purpurinas shoujos) é muito bom: acho que está tudo bem em gostar de coisas, até mesmo, problemáticas (pensando em muitos yaois), desde que se tenha consciência disso e que não se tentem forçar o que vemos reproduzido em papel na vida real. Oh, eu conheço esse filme! É realmente muito bonito e foi muito bem concebido! Vi-o ano passado, na escola. Sobre a Saddy, ainda bem que falou pois no dia em que li o seu comentário fui logo à resenha no blog dela, nem conhecia esse filme com a cinderela negra.

      É bom poder aprender um pouco de história com você >.< O pior é que Portugal teve um papel enorme em colonizações, escravatura foi coisa que não faltou. E esse problema que você apontou - o "arrastar" das coisas que já estão mal - aplica-se a muitas situações mesmo. É por isso que eu acho que os problemas devem ser cortados pela raiz, e é preciso ter um certo poder para isso... leia o que eu respondi à Helo - o que eu disse lá, aplica-se à questão dos whitesaviors. Aliás, aqui as hemodiálises também são caras, foi a partir desse tópico que numa aula de inglês acabamos a falar de eutanásia - embora tal não venha à baila agora. Isto para dizer que percebo o ponto da sua mãe. Sobre essa coisa de "é só ela se esforçar que consegue", lá está, muita gente clama sobre a meritocracia, quando esta não passa de uma realidade utópica. Se as pessoas não estiverem em pé de igualdade, se não tiverem as mesmas oportunidades, como é que isso se há de aplicar?

      Não me vou delongar mais :) A expressão chover a potes quer apenas dizer que está a chover muito >.< Não ligue aos comentários do Lucas, ele está sempre revolts - experimente ir ao post sobre género e sexualidade que verá.

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  5. 1 logico por que todo os negros nas cadeias sao bozinhos que nunca matou ninguem e os brancos que estao fora sao pessoas badidas e que nunca foram presas por que os policias gostam dele 2 mas e logico que sim e so olhar que os dois sao diferentes com a mesma capacidade mas com total diferente da pele e do fisico como os dois podem usar mesmo produto 3 mas e dai que pessoas idiotas acham isso o que tem haver pessoas preconceituosas com a sociedade ser preconceituosa 4 mas e claro que a roupa que voce usa quer dizer sobre voce tente andar na cidade com uma roupa de mendingo vai la e fala que voce nao vai sofer preconceito e e claro que pessoas negras sao retratada como pessoas altas como pessoas brancas nao Sofressem de esteriotipos como ateus gordos margos altos pequenos guys nao sofressem disso 4 cara isso ate o proprio negros fazem como isso pode ser preconceito voce nao acha que um negro admira pessoas como barack obama 5 mas e logico com as cotas que o governo da para os negros nao tendo que se esforçar tanto quanto os brancos para se formarem 6 mas e logico que sim os negros pegaram o cristianismo e o judaismo que sao culturas brancas 7 cara o que tem haver o que o autor de uma determinada obra gosta do estilo dos seus personagens com racismo 8 mas e claro que sim ne portugal e totalmente influenciados por pessoas brancas e olha o tanto de negros que namoram com mulheres brancas

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    1. Como eu já disse uma vez, fica difícil perceber o que você está a dizer se não usar maiúsculas, pontuação e parágrafos. Mas cá vou eu tentar responder. Acho que você não percebeu uma coisa: Eu NÃO estou a dizer que os brancos são os maus da história - porquê que haveria, se SOU BRANCA? - nem a dizer que toda a sociedade é preconceituosa, blá blá blá. Mas estou a falar de estatística:

      - A quantidade de negros com papéis principais na televisão é DE FACTO menor que de pessoas brancas, e o foco deste post era a representatividade.
      - Ninguém disse que os negros presos são bonzinhos. Estou a dizer que, sendo negros, muitas vezes alguns policiais preferem desconfiar deles, desconfiando mais do que de gente branca que se calhar deveria estar em pé de igualdade. Também não estou a dizer que eles sejam presos por puro racismo, aliás, o título do post faz questão de marcar que o racismo já não é o maior dos problemas, mesmo existindo, como deixei claro com o exemplo da hermione negra e de star wars.
      - Se eu bem percebi, você disse quer dizer que brancos também sofrem preonceito - pois é claro que sim, e se tivesse lido tudo devidamente, veria que eu dediquei 2 PARÁGRAFOS INTEIROS a mencionar outros tipos de preconceito, precisamente, preconceitos nível religioso, de pessoas gordas, etc... isso que você mencionou, mencionei eu também. Por favor leia o que eu escrevo com atenção e digira essa informação antes de a julgar precipitadamente.
      - Não percebi muito bem os restantes argumentos.

      Deus do céu, ninguém disso que diretores de filmes não possam fazer o que quiserem, aliás, eu disse que o problema não é o racismo. Chamei-lhe whiteorivilege, porque os brancos tendem a ser mais vezes escolhidos para pepéis principais - e a isso chama-se privilégio. Eles nem sempre recebem as mesmas oportunidades. Isso é privilégio. Caraças, e o próprio facto de o padrão de beleza europeu sobrevalorizar as mulheres brancas, isso é privilégio por si só qual é a parte do significado de "privilegiado" que não dá para perceber?

      E sim, acho o voluntariado ótimo. Eu mesma gostaria de participar. Mas não concordo que alguém sobreponha o interesse por conhecer áfrica à causa a que se comprometeu dedicar, e penso que deveriam ser criados métodos para deixar as comunidades africanas um pouco mais independentes de nós.

      É isso. Eu não ataquei as pessoas brancas, mas você atacou-me a mim insinuando que eu disse coisas que não disse na verdade. Chama-se a isso uma falácia do espantalho, por acaso.

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    2. 1 bom e so voce ver varios atores negros por ai como will smith samuel l jacsom dezel washitom mas e claro que nao com a mesma quantidade por que faz pouco tempo que acabou o preconceito no mundo 2 bom nao acho que o racismo nao e o problema e so ir numa estatisca comfiavel para ver que negros matam mais do que brancos 3 cara nem todos esteriótipos nascem sem motivo e nem todos sao preconceituosos 4 cara desculpe eu ter criado algum esptalhos que seja 5 bom eu diria que o padrao da mulher branca ser mais aclamada nao seja preconceito e sim uma herança das culturas ocidental e da propria historia 6 cara na minha opiniao nao existe racismo nessa sociedade de agora

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    3. Certo, aí está um bom ponto - há pouco que acabou o racismo no mundo. E eu compreendo que ainda haja um grande desequilíbrio no número e no tipo de papel que é atribuído aos atores negros, mas a ideia que tentei transmitir com o post foi que daqui em diante esse número poderia passar a algo um pouco mais equilibrado.

      E agora sim, eu compreendia bem os seus pontos - e eu concordo que muitos estereótipos têm um motivo de ser - ou já os tiveram, embora talvez as coisas que tenham dado origem a esses estereótipos já não existam mais. O problema com esteriótipos, padrões, desconfianças... é esse mesmo. Parecem não se ajustar aos tempos atuais, parecem querer impor a quem é diferente que esse pessoa só pode ser tal qual o estereótipo dita, e parece não dar a mesma oportunidade às pessoas consoante o número de diferenças que elas tenham. Exatamente, muitas das coisas mencionadas no post, como o tal padrão de beleza ocidental, provém provavelmente de uma herança histórica e cultural. Mas é por não vivermos no passado que devíamos admitir (estou a generalizar, até porque muita gente já o admite) que pessoas negras podem ser tão belas quanto as brancas. Mas não admitimos. Se fosse esse o caso, ao procurar por "beauty" no google imagens não apareceriam apenas imagens de mulheres brancas. A representatividade luta por isso, por um maior espaço e visibilidade para as diferenças. Não é uma tentativa de influenciar o gosto de ninguém, obviamente algumas pessoas continuarão a preferir parceiros altos ou baixas, magros ou gordos, animados ou introvertidos... a cor de pele não há propriamente de ser exceção. Mas a cor de pele não deve limitar a oportunidade das pessoas. A questão é essa.

      É por isso que eu disse no título do post "a questão já nem é tanto o racismo", porque, para mim, estas atitudes não devem ser chamadas de racismo, racismo já (quase) não existe - fora por pare de alguns idiotas mesmo, mas eles são a exceção à regra. Questão é o whiteprivilege. Na nossa sociedade (embora em Portugal o problema me pareça ser mínimo, estou a falar da sociedade moderna a um nível global), as pessoas brancas ainda têm mais oportunidades, não têm de ouvir coisas que as pessoas negras ouvem. Eu estava convencida de que não era assim até há uns tempos, mas após me informar sobre as coisas que pessoas de cor - não só negras, naturalmente - percebi que ainda há muito para ser aprimorado.

      Era isso.

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    4. oi aqui quero levatar algumas questoes 1 voce usou uma coisa falsa falando que branco recebe mais oportunidade na verdade todos tem as proprias oportunidades tanto e que a maioria dos negros no estados unidos sao ricos a unica desvantagem deles e que a escravidao acabou a pouco tempo e por isso nao tem tantos negros em alta escala em vagas importantes 2 bom nao e por que alguns negros sairam desse esteriótipo que todos os negros sairam tanto e que os negros continuaram os mesmo 3 o que eu quero dizer e que o problema nesse assunto de nao achar mulher negra bonita nao e problema do branco e muito mais do negro quantos negros voce ver namorando com mulher negra ou que ate mesmo acha mulher negra bonita e vice versa 4 bom mesmo em qualquer sociedade que tiver vai ter o preconceito o preconceito e uma coisa eterna sabe por que porque o preconceito vem naturalmente do odio que um ser humano sente para tudo que e diferente a unica coisa que devemos fazer e nao proibir o preconceito mas controlar ele o que ja acontece hoje

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  6. 9 so para citar alguns pontos que eu esqueci sobre nao ter tanto personagens negros parece que voce quer que os autores de filmes nao podem fazem o que bem querem tem que por ate mesmo contra suas vontade personagens que te agradam 10 sobre as pessoas brancas sendo apresentadoras de televisao isso nao tem nada ha ver com racismo so que por nosso pradao de beleza ser o europeu a gente(com negros incluidos ) acha mulheres branca mas chamativas 11 entao uma pessoa que ajuda a africa nao pode nem querer ir para conhecer ja que tem que ir para ajudar e so isso e como nenhum negro no ocidente tentasse passar suas culturas para brancos

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  7. Oi Ani-chan! Tudo bem? Fazia tempo que eu não voltava à blogosfera. Na realidade fazia tempo que eu vi essa postagem (mais precisamente no dia em que você postou eu recebi a notificação no mobile no blogger e e-mail); mas só agora vim comentar.

    Lá vem textão, mas dessa vez quero corrigi-la de algumas coisas. Coisas que aprendi com meu privilégio de branca, com o racismo do meu cotidiano, com o whiteprivilege. Primeiro, eu vou ser meio rude (mesmo sem querer, de fato) e dizer que o título do seu post está completamente equivocado: É SIM, TUDO, SOBRE RACISMO! O Whiteprivilege nada mais é que uma das facetas que o combate ao racismo mostra; o whiteprivilete está totalmente ligado ao racismo. Você pode bem dizer no post que asiáticas são sexualizadas (e eu sei bem disso, já que sou uma); mas NUNCA compare o que os negros passaram. Nunca.

    Tudo o que eu vou falar é aqui do Brasi. Brasil, onde na própria aula de história temos os portugueses como os grandes "vilões" (e o que acarreta num ódio e um preconceito com o seu povo, com algumas pessoas antigas; acho que você já ouviu falar que brasileiro zoa português) da história, trazendo negros para o Brasil (a Hinata-chan comentou ali mais longo sobre isso).

    O Brasil, que tem capoeira, feijoada, religão; TUDO provindo da cultura africana, que é misturado, que é desse jeito; tem racismo, imagine nos outros países "brancos". Eu fiquei chocada quando li seu post por causa disso. Você não pode desmerecer muito menos falar que algo “não é sobre racismo”, porque na realidade é. Seu post mostra isso por si mesmo, mas eu demorei a ler porque pensei que era sobre outra coisa o título com o post. Eu li os comentários do seu post, mas eu digo que eu ainda discordo disso. Você disse em um que “Também não estou a dizer que eles sejam presos por puro racismo, aliás, o título do post faz questão de marcar que o racismo já não é o maior dos problemas, mesmo existindo” e eu gostaria de concordar, mas a situação do meu país e em outros lugares mostra algo totalmente diferente.

    Teve um caso ano retrasado se não me engano, nas grandes manifestações da Paulista sobre o governo estadual de são Paulo e federal; um NEGRO foi PRESO porque estava carregando na mochila um PINHO SOL (tipo de produto de limpeza para o banheiro). SÓ POR CAUSA DISSO. ESTÁ PRESO ATÉ HOJE, ENQUANTO ESCREVO ESTE POST. Enquanto muitos outros brancos foram ignorados ou soltos por motivos muito piores. Um caso do refugiado negro que veio para o Brasil trabalhar no comércio, teve uma BANANA jogada em cima dele (referindo-o à um macaco) por uma senhora sem noção e louca.
    Eu só vou aceitar o seu argumento que “racismo já (quase) não existe - fora por pare de alguns idiotas mesmo, mas eles são a exceção à regra.” Quando eu abrir o google, pesquisar “racismo no brasil” e não aparecer nenhum caso do ano em que eu pesquisei (https://www.google.com.br/webhp?sourceid=chrome-instant&ion=1&espv=2&ie=UTF-8#q=casos%20de%20racismo%20no%20brasil) coisa que não acontece obviamente. Quando eu digo que eu sou BRANCA/ASIÁTICA, eu não estou falando isso para falar que eu tenho privilégios ou que sou superior. Eu estou mais falando porque como não sou negra, NUNCA TIVE QUE PASSAR POR SITUAÇÕES HUMILHANTES SIMPLESMENTE PORQUE SOU NEGRA. Nem de cor, nem morena, nem porra nenhuma. NEGRA. Essa coisa de “pessoas de cor” já encheu para mim. Os próprios brancos não conseguem utilizar a palavra NEGRA sem pensar BOSTA, sem pensar em ladrão, sem parecer pejorativo. Precisamos, PRECISAMOS parar de usar esse termo como algo inferior. Ano passado no RIO DE JANEIRO, estavam querendo (ou já proibiram, não sei, não moro lá) que um ônibus saísse da zona leste (mais pobre) e trouxessem os negros para a área da praia (que fica perto dos hotéis luxuosos).

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    1. (tive que cortar o meu comentário porque ficou muito grande, mas também não sei se vale a pena vc ler ou não, só queria deixar meu ponto de vista inteiro)
      E se pegarem alguém (a polícia) nem preciso dizer quais critérios eles utilizam, certo?
      Na minha escola do Brasil, NUNCA NENHUM PROFESSOR MEU pensou que eu era burra por causa da minha cor. Já meus colegas negros? Não posso dizer o mesmo. Sofri preconceito e bullying na escola por ser japonesa? ÓBVIO, e tenho traumas disso até hoje. Mas não posso confundir isso com RACISMO. Não posso dizer que minha ascendência sofreu o que os negros sofreram, não posso dizer jamais que nunca me vi sendo privilegiada enquanto um colega meu pelo simples fato de ser NEGRO, não pôde. Aliás, posso dizer o contrário! Professor meu achava que eu era inteligente PRA CARALHO só porque eu era japonesa e tinha uma “educação e cultura melhor” (melhor do que o meu colega negro que não tem pai); mal sabendo que eu também estava morando longe do meu pai e minha mãe parecia que ia enlouquecer de tanto palavrão que falava quando brigava todos os dias comigo. Ou seja, eu estava na mesma situação mas nunca ouvi professor falar bosta de mim por causa da cor 

      Li uma reportagem ESSE MÊS aqui, e era uma pergunta para um mendigo “O que é racismo para você?” e então ele respondeu “Racismo é quando eu posso entrar no banheiro do shopping para fazer minhas necessidades e meu amigo negro não”.
      Não sei você, mas eu já presenciei VÁRIAS, INÚMERAS, INCONTÁVEIS vezes em que vi um lojista expulsando uma criança negra da frente de sua vitrine. Mas o mesmo nunca vi com uma criança branca. Porque o racismo é isso, achar e diminuir o negro como um ladrão, como se ele não fosse humano e não merecesse ser tratado igual as pessoas brancas. SER TRATADO COMO UM SER PRIMITIVO.

      Se o assunto principal não fosse o racismo, POR QUE Chris Rock fez aquele discurso no Oscar essa semana? SE NÃO EXISTISSE RACISMO NO MUNDO, O QUE SÃO ESSES DADOS DO SEU POST? Whiteprivilege? E o que ele é? Não vem do racismo isso? Não é uma das várias facetas? Se ele tem uma parte da sociedade QUE É PREJUDICADA, óbvio que vai ter uma “PRIVILEGIADA”.
      Tenho muito a dizer, concordo com vários pontos do seu post, vários mesmo. Mas não podemos falar sobre whiteprivilege falando que “o ponto nem é o racismo mais”. Não posso. Não dá. Não PODEMOS.

      Sobre a luta e doações de pessoas brancas para a África: Sim, você está certa. Eles diminuem o sofrimento de toda uma população para fazer capas de revistas de celebridades, eles utilizam da imagem de uma criança desnutrida para ressaltar o branco caridoso. Mas o branco, e vários famosos, utilizam de seu “whiteprivilege” pra ajudar essa desigualdade. Alguns deles utilizam o whiteprivilege pra desfocar os holofotes deles para essa desigualdade social. Porém, esforço quase inútil. E não vou nem entrar na questão do capitalismo que acha que NÃO VALE A PENA (sim, essa é a explicação que eu vi dos próprios livros) investir em ajudar a áfrica, sendo que pode muito bem deixar todo mundo se foder lá e vender outras coisas.

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    2. Sobre o feminismo o mesmo acontece. NÓS, MULHERES, devemos lutar. Nós devemos protagonizar nossa própria luta, pois nós que somos a parte “fraca”, a parte da desigualdade que é vista como inferior na sociedade. Mas e os homens? Não existem homens feministas? Claro que existem. E eles podem sim utilizar-se de seu privilégio para ajudar na causa. Alertando aquele amigo que fala das mulheres como se fossem bucetas ambulantes; não concordando com o colega machista; falando a verdade sobre o que é o sofrimento da mulher só para estar ao lado do homem pelo simples fato de que não nos dão a mesma oportunidade de emprego; sobre a esposa que foi demitida do trabalho porque ganhou nenê, sobre a mulher que faz jornada TRIPLA de trabalho sendo que o homem não “precisa” fazer isso. E não sair na rua pelado na marcha das vadias (o que não consigo nem entender como as mulheres dos protestos deixam, pois descaracteriza o ato da mulher). E não, não devemos dar o protagonismo do feminismo para os homens. Eles podem ajudar, sim, de várias formas. Mas quem tem que tomar a voz, quem tem que fazer o discurso e pegar o diploma e trabalhar e ter o conhecimento e ser chefes de nós mesmas somos nós.

      Assim como um branco não pode falar se o mundo tem ou não racismo, sendo que ele mesmo nunca sofreu dele. Esse é meu ponto de vista, e eu com certeza demorarei a mudar ele, visto as coisas que eu tenho que vivenciar no meu cotidiano, onde o negro é visto como um lixo e o branco sempre é o bonzinho. Onde o negro é preso por qualquer merda, mas o branco rico não precisa nem pagar pensão. ONDE A MÍDIA DO MEU PRÓPRIO PAÍS CHAMA O NEGRO SUSPEITO DE TRÁFICO DE “MARGINAL” E O BRANCO QUE COMPRA MACONHA NA ESQUINA DE “MENOR INFRATOR”. ONDE O NEGRO É JOGADO NA PRISÃO E O BRANCO VAI PRA UMA CLÍNICA DE REABILITAÇÃO. Nesse mundo onde semana passada tive que ouvir de um amigo confinar que ele sempre tem medo de sair na rua e ser julgado porque tem a "aparência de ladrão"; e tem que ficar andando de mochila para dizer 'OLHA, ESTOU DE MOCHILA, SOU SÓ UM UNIVERSITÁRIO QUALQUER, COMO AQUELE BRANCO!'. Porque no mercado a atendente não verifica o CPF do branco pra ver se tá no SPC; mas a do negro só falta ele ligar pra polícia pra ver se tem passagem.

      O seu post acerta em vários quesitos, mas peca em fechar os olhos para o racismo abrangente em que vivemos. Em tapar a boca do negro que sofre.

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    3. Oks, oks, eu agradeço o seu comentário enorme e foi bom para deixei claro que eu não me expliquei bem em alguns pontos. Aqui alguns deles:

      1 - O facto de eu usar o termo "pessoas de cor" não foi uma tentativa de evitar a palavra "negro", tanto é que eu a usei por diversas vezes nos comentários e não a vejo como pejorativa de maneira nenhuma - aliás, quando eu falei de colorblindness (embora eu não lembre se dei a devida atenção a isso ou não), eu queria deixar claro que colorblindness é um problema por negar a cor das pessoas do tipo "pessoas são pessoas, não vejo cor". Sei perfeitamente que os negros/pretos (aqui em Portugal é mais comum dizer-se preto) o são e que evitar a palavra é ainda pior, como se se tivesse medo que esta fosse "contagiosa", problemática... bah, não sei se me faço entender. Anyway, usar "pessoas de cor" foi apenas uma tradução de POC, "people of color", que tenho visto a ser usado e cuja utilização eu aprovo por ser mais abrangente. Sim, tem razão que o que o que os negros passam/passaram é bastante distinto das experiência dos asiáticos, etc, e nesse sentido talvez seja um pouco ofensivo colocar tudo no mesmo barco, mas dado que eu comecei o post falando da questão da representatividade e que esta é baixa/estereotipada não apenas para os negros, achei melhor falar assim.

      2 - Oh, é claro que o whiteprivilege acaba por ser uma forma de racismo, mas eu gosto de distinguir porque o whiteprivilege reflete-se em coisas do quotidiano e não é tanto "ódio declarado", que é o que vem à mente de quase toda a gente quando se fala de racismo propriamente dito. Isso levaria algumas pessoas a dizer que blá blá blá, "a taxa de racismo é menor", "tenho amigos negros" e coisas do género que minimizariam as diferenças de tratamento e oportunidade do quotidiano. Portanto, mesmo que no sentido em que você falou o título do post esteja errado, eu gosto dele por desviar um pouco o foco. Claro que o post não poderia falar do assunto do racismo verdadeiramente, já que o whiteprivilege é um seu derivado. Não se incomode com a rudeza, eu prefiro que sejam frontais comigo :) A intenção não era dizer "isto não é sobre racismo", era dizer "o racismo hoje em dia toma uma forma diferente" (generalizando). E eu não foquei tanto no que acontece no brasil até porque, não estando por aí, não me encontro verdadeiramente a par do assunto, mas tenho pesquisado por algumas coisinhas a nível mais global.

      "O Brasil, que tem capoeira, feijoada, religião; TUDO provindo da cultura africana, que é misturado, que é desse jeito; tem racismo, imagine nos outros países "brancos"."Embora o seu raciocínio faça sentido, não é necessariamente verdade: em muitos países onde predomina gente branca - tipo por cá na Europa - mesmo que fosse de esperar que o racismo fosse maior, não é bem assim, e acredite que aqui em Portugal o racismo manifesta-se de forma absurdamente diferente daí no brasil. Aqui, o racismo encontra-se verdadeiramente sob a forma de whiteprivilege. Foi por isso que usei o post para focar mais nessa perspectiva. Não é para desprezar ou rebaixar a voz de quem passou por situações horríveis, não é para minimizar ou tirar validade ao que afirmam, é o contrário: Quero dizer que, numa escala geral, o racismo em muitos países manifesta-se de forma discreta, mas que não é por ser discreto que deve ser ignorado e se deve fazer de conta que tudo já atingiu a perfeição. O whiteprivilege deve ser tão combatido como o "racismo", segundo a distinção que fiz anteriormente.

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    4. OBS: Essa citação que fez do "ser preso por puro racismo" estava por acaso na resposta ao comentário do Lucas? POR FAVOR, não preste grande atenção ao que eu lhe respondo, em post nenhum. Ele é meio extremista e eu tenho de colocar as coisas de forma bem exagerada para que pareça que entre na cabeça dele, fora que eu escrevi aquilo antes das aulas, então também não me detive em pormenores. E embora eu não soubesse desse caso que você mencionou e julgasse que as coisas não estavam tão mal assim - talvez por conta da "paz e pacatez" do meu próprio país - eu sabia que ainda havia casos assim, a afirmação que fiz foi apenas para falar o comentador perceber que EU SEI QUE AMBOS OS CASOS EXISTEM E NÃO SOU ABSOLUTISTA EM NADA DO QUE PENSO, apesar de por várias vezes generalizar. Então eu vou pedir que desconsidere grande parte das coisas que me poderá ter visto a ele. Já sobre os critérios da polícia, eu sei sim que ela mais facilmente prenderia um negro que um branco, por algum motivo referi nos exemplos ao longo do post que um terço dos negros vai preso - sei sobre quem mais facilmente recaem as culpas.

      Então eu peço desculpas se pareceu que estava a tentar minimizar o que os negros passaram, porque a ideia não era essa, como tentei clarificar por cá no comentário. Eu NUNCA presenciei uma situação dessas que presenciou e fazer um post sobre racismo E whiteprivilege - está bem, aquele "não" no título do post é desadequado, mas ainda mantenho a incidência no whiteprivilege - já foi uma forma de eu admitir que sei que racismo existe sim, que montes de problemas existem sim, mesmo sendo difíceis de achar cá em Portugal. O máximo de racismo que já vi cá em Portugal foram comentários que julgam as pessoas pela cor da pele - de facto, associando asiáticos a inteligência, mas não os negros à burrice, na verdade, quem já vi ser associado à burrice e até à prostituição foram brasileiras - mas enquanto que há de facto idiotas que acreditam nisso, a maioria das pessoas não acredita nisso nem trava ou incomoda ninguém pela aparência, e não só pela aparência. Na verdade, mesmo que eu me considere feminista ou lute pelos direitos lgbt+, não é algo que alguma vez vá mudar muito Portugal. Portugal é ridiculamente pacífico. Chamo-lhe ridículo porque, mesmo quando algumas pessoas fazem comentários estúpidos, ninguém interfere com a vida de ninguém, e são comentários que rapidamente passam a ser desacreditados, estereótipos de se desfazem depressa conforme se conhece as pessoas. Portugal não é um país crítico, para o bem, e para o mal. Mesmo sendo bastante receptivo às diferenças, nunca lhe poderia chamar "mente aberta" porque não é sequer uma receptividade consciente, e sim ignorante.

      Voltando ao assunto, nunca vi ninguém ser tratado como inferior por ser negro, e embora eu saiba que tal existe, acho que já deu para perceber porquê que optei por dar mais atenção ao whiteprivilege - é algo que conheço melhor. E prefiro deixar o combate ao "racismo descarado" para quem de facto convive com essas situações e tem direito a que a sua voz seja mais ouvida que a minha.

      E sim, concordo que exista de facto quem faça bom uso do privilégio que tem, como esse exemplo que deu dos famosos que de facto focam na causa e não em si mesmo, na faceta branca. Eu não desenvolvi lá muito o tópico porque nem tinha previsto falar disso no post, então eu meio que só chamei a atenção para a farça que muitas campanhas não comerciais são. E achei esse seu paralelo com o feminismo magnífico.

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