março 26, 2015

Shigatsu wa kimi no uso


Bom dia :)

Ah, esse anime! Ao contrário da maior parte das pessoas, não derramei uma única lágrima com ele, mas reconheço que o final foi triste (ainda que previsível) e muito, muito belo - tal como todos os episódios: a música, as cores, o traço, o ritmo, as frases, tudo está envolto por sensibilidade e bom gosto. E eu sei que é péssimo começar a comentar um anime pelo final e depois pela parte técnica, mas não aguentei calada. Foi um anime de 22 episódios que acabou na penúltima semana de março (creio eu), tendo portanto 2 cours, e que tocou todo o tipo de pessoa. Então, venham ler a minha resenha...


Conta a história de um rapaz, Arima Kousei, que era um grande pianista em pequeno, até a sua mãe morrer e ele perder a habilidade de ouvir a própria música, por entrar em pânico. Mas nunca perdeu o seu lado humano, nem os seus amigos - o animado Watari e a protetora e desportiva Tsubaki - que o ajudaram a chegar até ao presente. Mas ele só é chamado novamente ao mundo da música quando uma violinista, Kaorii, apaixonada pelo Watari, o arrasta ao palco. Ela vive de forma intensa e arrasta todos ao seu redor, mas por trás da sua alegria esconde-se uma doença que rapidamente ameaça o recém colorido mundo de Kousei voltar a ficar cinzento.

Não revelarei mais nadinha da história - já é bom, não é? E não, a parte da doença não é spoiler, pelo menos quando eu vi a primeira sinopse já dizia lá. 

Este anime foca em dois grandes temas: superação, e laços. Eu considerá-lo-ia um slice-of-life, ou até um josei, embora deduza que não tenha sido classificado com esses géneros. Classifico-o assim precisamente devido à sensibilidade notória na produção, que já referi, e que criou protagonistas com sentimentos muito profundos, o que normalmente se encontra mais em animes voltados para um público mais maduro OU feminino. As evidências mais notórias desses 2 temas são a superação de Kousei pela morte da mãe e o seu regresso ao palco, e quanto aos laços, temos toda uma rede de sentimentos entre as personagens: amor pela Kaorii, a amizade de infância com a Tsubaki, o seu amigo Watari, a saudade, pesar e uma certa revolta pela mãe que perdeu, um papel de professor e também um outro de aprendiz que o protagonista desempenha relativamente a outras personagens, das quais não falarei para não estragar surpresas, rivalidade com 2 outros pianistas... 

Aliás, aproveitando, aqui está um parágrafo perfeito que encontrei neste blog: www
"Tsubaki é a amiga de infância de Kousei, que sempre esteve ao seu lado, até mesmo nos momentos mais difíceis. Watari é o garoto pela qual Kaori gosta. Contudo, será que a Tsubaki, mesmo estando sempre ao seu lado, é capaz de lhe tirar do fundo do poço? Não. A única que tem capacidade para isso é a Kaori, que, através da música e do seu jeito de ser, parece estar conseguindo, de fato, salvar o garoto desses tormentos que sua mãe tanto lhe causa. Tsubaki é claramente apaixonada pelo Kousei, que, por sua vez, está completamente encantado pela Kaori, na qual gosta do Watari, porém, o garoto, mesmo correspondendo aos seus sentimentos, também é um cara despreocupado e que está sempre saindo com outras gurias. Sentiram a treta que vai sair disso aí?"


Mas aqui está uma coisa que adoro: O Kousei não é a única personagem a ter dilemas. Sim, já sei que não é o único anime assim, mas vamos exemplificar alguns problemas cliché: nos shonen, cada personagem tem a sua própria história, mas esta é explorada em exagero e tanta coisa acaba por se tornar cansativa; nos shoujos, por muitas sidestories que haja, acabam sempre por voltar ao casal protagonista, e isso também cansa. Aqui, tudo é tratado com leveza na maior parte do tempo, depois os sentimentos de alguma personagem atingem o ápice, e há algum tipo de reviravolta, e os episódios retomam um ritmo mais rápido. Têm vida!... Parece que cada pequena história tem os seus altos e baixos, que cada personagem tem algo a aprender consigo mesmo e com os outros, um propósito e um medo, e precisamente por isso e pelos detalhes em que atenta, classifico-o como um slice-of-life. Confesso que na maior parte do tempo o ritmo é lento, mas mais rápido que isso estragaria o sentimento de nostalgia e de beleza do anime. Isto para não falar da tensão dramática e da densidade psicológica. Quase todos os dias são uma provação que as personagens têm de superar, e é isso que nos mantém atentos e a desejar saber o que vai suceder.

E as lições passadas são lindas. Claro. Ensinam a apreciar as pequenas coisas, a viver e escolher sem arrependimentos, a agarrar um objetivo, a lutar para se ser reconhecido por quem se ama, a lidar com um amor não retribuído e com a sensação de se estar tão perto, mas ao mesmo tempo tão longe, de alguém... esse tipo de coisa completamente cliché e previsível, mas que funcionou perfeitamente como um conjunto. Do lado mais dramático, temos assuntos como continuar a viver sabendo que se tem pouco tempo, a pressão que a sociedade coloca nos ombros dos melhores, medo, culpabilização, isolamento, e coisas desse género. Além disso, quem garante que o esforço é garantia de vitória, de liberdade, de felicidade? Quem garante que, mesmo que o final possa ser feliz, os danos causados pelo caminho não sejam ainda assim desvastadores? Ah, e não se preocupem, há momentos muito leves e engraçados para aliviar as personagens e dispersar a tensão acumulada (mas só eu é que achei os amigos do Kousei muito brutos com ele?). Tudo trabalha para fazer as personagens amadurecer. Obviamente, Kousei foi quem mais aprendeu, quem mais evoluiu - ele passou a ouvir novamente a sua música e a fazê-la alcançar os outros, a olhar para cima e sorrir com facilidade, a apreciar mais ainda a vida, deixou se se contradizer tanto como no começo fazia: www

Além da qualidade técnica de que falei antes do ler mais (cores, traço, música, etc...), há detalhes magníficos que intensificam as emoções: por exemplo, quando em vez de mostrar a Kaorii a ser atendida no hospital, apenas enquadram a mão dela, a perder a força e cair *desculpem o exemplo*; as metáforas, por exemplo, todos os momentos em que o Kousei aparece a tocar no céu, e o facto de alterarem o fundo do palco quando alguém está a tocar música para algum tipo de paisagem que combine com as emoções trasmitidas; O gato preto, que no começo tanto surge como consciência acusadora como uma tábua de salvação, e depois parece desempenhar o papel da própria Kaorii; Todas as perguntas atiradas ao espetador, que estão evidentemente na cabeça das personagens; O facto de mostrarem sempre o mesmo tipo de memórias de Kousei em relação à mãe no começo, só depois começando a mostrar outras memórias, mais positivas, dela, como forma de simbolizar o perdão e a dedicação entre mãe e filho, no começo bastante questionável; O próprio significado por trás do título ("Shigatsu wa kimi no uso" significa "A sua mentira em Abril"), cuja explicação só é dada no final do anime. Bem, essa foi a grande mentira, mas também há mentiras menores que as personagens asseguram a si mesmas. Se eu tivesse de descrever o anime numa só palavra, seria poético.

Enfim, para quem não se der bem com ritmo lento, e não gosta de música como tema, dê uma chance: o anime tem muitíssimo a oferecer além disso. Na verdade, há quem diga que até arruinou a temática da música e a usou apenas como um pretexto para atrair espetadores, o que até pode ser verdade, mas qual é o problema de se usar uma alavanca para criar uma história com mensagens belas? Também recomendo para quem gostou de Nodame Contabile e Chirayafuru, quase toda a gente compara esses 3 animes, embora eu ainda não tenha visto estes últimos.

É inovador? Não. Mas é belíssimo, e foi elaborado com bastante inteligência e consistência, então cá está a minha recomendação. Principalmente se neste momento quiser algo que seja emocionante :)

{PS idiota: Só eu morri de rir com aquela referência a BL no último episódio? >.<}


10 comentários:

  1. Olá :3, tudo bom?

    Só pelos desenhos e gráfica, parece mesmo que o anime é bonito >.<
    Eu realmente amo animes que envolvem a amizade, que possui o enredo ao redor de um grupo de amigos. Sei lá, fica algo mais bonito e divertido, pelo menos pra mim! Um dia ainda vejo Ano Hana só por causa das amizades que tem no anime KKKK

    Os personagens parecem ser umas graças KKK
    E sobre ter música e etc, contanto que não seja que nem aqueles filmes da Disney que tem cantoria toda hora, pra mim tá ótimo PSOKSPO

    E Chirayafuru envolve música também??? Sinceramente, eu vi os primeiros episódios e não curti muito, mas isso faz muito tempo, então talvez eu dê uma nova chance á ele KKK

    Até mais!

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    1. Exatamente, foi a gráfica que começou por me atrair :) E aparentemente este aqui vai fazer o seu género, e Ano Hana também. Não é lá o meu género favorito, a não ser que eu esteja numa faquelas fases em que só me dou bem com histórias assim, mas reconheço a sua beleza e que é muito agradável de assistir. Ah, claro que não é como aqueles filmes da disney, nada que se pareça >.< E na verdade, não sei se Chirayafuru tem música, eu não vi, só o referi porque montes de pessoas comparam ambos. Mas talvez a comparação se deva à ambientação e toque de amizade, não à música. Jaa!

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  2. Oioi! \o/
    Vim só avisar que o blog (antigo Waiting for Sunshine e agora Purmoon) voltou ao activo!
    Como mudamos de URL estamos com alguns problemas e agora o nosso blog não aparece no feed dos nossos seguidores, e é por isso que vim aqui deixar um comentário a avisar.

    Link do Blog: http://ppurmoon.blogspot.pt/
    Link da Página de Facebook: https://www.facebook.com/ppurmoon (Curte a nossa página e clica em "Receber Notificações" para não perderes nenhum post ;D)

    Espero ver-te por lá :3

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  3. Oi flor *u* Que anime lindo!!! Eu gosto bastante de anime apesar de eu ter mal tempo pra acompanhar direitinho sem atrasos! Um dos animes que eu mais gosto é SAO *u*
    XOXO
    www.candybomb.blogspot.com

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    1. Eu prefiro passar o meu tempo a acompanhar animes em vez de ver séries ou assim, até porque os episódios são mais curtos :) Se quiser recomendo alguns, diga quais são os seus gostos. A primeira temporada de SAO é ótima, mas depois acho que começa a descair. Que mais animes viu?

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  4. Oi Any-chan!
    Sério! Porque eu sou a única que não viu esse anime?! Vejo umas 5 mil pessoas falando sobre ele no facebook, sinto que sou a única que não vi ainda :/
    Só por curiosidade, você não chora muito com animes? Eu sou muito chorona com coisas tristes, pra tu ver o nível da coisa, quase saiu uma lágrima quando eu tava lendo o post.(é, sério!) Já percebi que esse anime tem uns hexágonos amorosos pra quebrar o seu kokoro ;u;(mas não deve chegar ao nível de Nagi no Asukara -q) Tenho uma certa incerteza se vejo esse anime ou não, porque eu tenho certeza que irei chorar litros com ele e no fim vou ficar meio deprimida(sou sensível até de mais kkkk''). E também adorei o traço e pelo o que parece tem vários músicas tocadas por piano(só acho isso por causa das imagens -q), e eu amo *---*
    Eu com certeza irei ver este anime *u* Acho que vou reservar o feriado de páscoa e fim de semana pra assistí-lo ^^ Mas por que ele é comparado com Chihayafuru? O tema dele nem é música .-. Ah, e obrigado por ter me repassado a tag do post passado ^-^

    Adorei o post~
    Kissus~ { Sakura Drops }

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    1. Haha, então nesse aspeto somos bastante diferentes, nem escrevendo cenas tristes nas minhas fics eu consigo ficar emocionada e penso sempre que não está dramático o suficiente, enquanto que a minha irmã, também perto de ser coração de pedra, ao ler já admitiu que quase chorava, e isso vindo dela significa bastante >.< Ainda não vi Nagi no Asukara, mas a arte é linda e delicada e já ouvi falar muito bem dele. Veja, vai gostar bastante :)

      Ah, e acho que os fãs o comparam com Chihayafuru não pelo tema, mas talvez pela forma como é trabalhado, pelos laços entre as personagens ou coisa assim. Só suposições, porque nunca vi.

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  5. Yoooo belezura!?
    ~finalmente consegui ler esse post *^*~ Amanha tenho prova e tive que passar meu final de semana estudando Ç.Ç (mal pude ver meus amados shoujos T-T).
    ENFIM, dessa vez decidi começar pelo final do seu post! Sim, você não foi a única achar graça das referências BL's no último episódio! Aliás, bem que aquela amiga da Tsubaki tinha um jeitinho de fujoshi u.u
    Sobre o título.....VÉI CHOREI HORRORES QUANDO FINALMENTE EXPLICARAM O TÍTULO DO ANIME! Cara mais outro shipp meu completamente estuprado pela morte de uma das personagens Ç.Ç. E o que foi aquela frase final do protagonista! "Mais uma primavera está para começar....Uma primavera sem você" (algo do tipo) PUTA MERDA TÃO QUERENDO ESQUARTEJAR OS POUQUÍSSIMOS FEELINGS QUE ME RESTARAM! TT^TT
    Uma coisa que eu reparei no anime, foi como a paleta de cores foi acompanhando o desenrolar do enredo, em episódios mais dramáticos a paleta era mais escura. Tipo quando a Kaori foi hospitalizada e revelaram que ela estava doente, a personagem já não tinha mais toda aquela coloração vibrante do primeiro episódio, até mesmo o cenário no geral.
    Gente e o que diabos foi a cena do passado do Kousei dizendo para a mãe dele morrer e logo depois ela acaba falecendo! Gzuis! Por isso que ele tinha ficado daquele jeito! Tomei um baita choque com aquela cena.
    Só achei meio "Ah! De novo uma personagem assim" com essa história da Tsubaki. Geralmente colocam nos animes uma amiga de infância esportiva que paga uma de irmã mas que ama o protagonista e sofre com esse amor não correspondido e como eu não curto esses paranauês de amor não correspondido, fiquei meio desconfortável com a situação!(tudo por causa do baita trauma que Nagi No Asukara me causou. Porque convenhamos que aquilo foi sofrimento amoroso do começo ao fim! Gzuis tinha horas que eu passava mal com tanta depressão amorosa '-'). Bem que a Tsubaki poderia ter ficado com aquele sempai fofinho e bonitinho <3
    Esse anime me pareceu uma mistura de Nodame Contabile, aliás, a Kaori tinha o mesmo problema da protagonista de Nodame, ambas tocavam ao seu modo ignorando completamente o acompanhante e a partitura! Além disso, a estética me lembrou um pouco de Sakurasou No Pet na Kanojo (principalmente as cores) com uma pitadinha de drama ao estilo Angels Beats. Sei lá, acabei me lembrando desses três animes ao ver Shigatsu! '-'
    Bem, vou ficando por aqui Kiss

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    Respostas
    1. Primeiro: estou a sentir-me completamente estúpida por ter esquecido de referir na resenha como as cores combinavam com cada momento do anime. Ainda por cima foi uma coisa em que reparei tanto!!! Mas agora não quero acrescentar no post, ou parecerá que copiei a sua ideia. Que idiotice a minha -.-

      Haha, amei a referência a BL, para mim, foi isso que marcou o último episódio e não o drama. Acho que sou demasiado indiferente para me emocionar com coisas dessas, enfim, pressa de repente, digamos apenas que essa última frase foi magnífica, mas não me consegiu arrancar nem uma lágrima.

      "Ah! De novo uma personagem assim" com essa história da Tsubaki - exato, também acho isso, mas como não são das mais irritantes, não me queixo mais.

      Jaa, gómen pelo comentário curtíssimo, é ulpa do aniversário da minha irmã eu estar com taaaaaaaanta pressa!

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