março 31, 2015

O poder do protagonismo


Então...

Este post surgiu num momento de inspiração e não como fruto de qualquer pesquisa ou um apanhado do meu dia-a-dia, pois por algum motivo que agora não recordo, comecei a pensar em livros e animes, e em como me sinto idiota por não me identificar com o tipo de leitura chick lit - normalmente, um tipo de livros que as mulheres adoram consumir. Também reparei que todos os meus livros favoritos foram escritos por homens. Assim sendo, aqui estão algumas conclusões que tirei sobre como os protagonistas de alguma obra podem conquistar determinado fandom.


Então, começarei pela minha conclusão final, e depois irei explicá-la. A maioria das pessoas gosta de uma obra porque se identifica, não necessariamente com o protagonista, mas com a narrativa, que resulta da forma como o protagonista vê o mundo.

Eu tive uma fase em que provavelmente adoraria Chick lit, embora nunca me tenha dedicado a ler muitas obras assim. Digo isto porque tive fases em que adorava ler e escrever dramas, ou então histórias que giravam em torno do romance entre 2 personagens. Constatei que, quando livros que têm um público alvo feminino são escritos por mulheres, tendem a refletir a forma de pensar de muitas mulheres, e como seres sensíveis que somos, é difícil não preencher as páginas de reflexões, tristezas e decepções, ou também de alegrias por cada pequena conquista, por cada sorriso ganho, por cada gesto de carinho vinda de qualquer outra personagem secundária, ou não tão secundária assim. E esse sentimentalismo perdura por capítulos e capítulos. E mais capítulos ainda. Exemplificando de forma hiperbólica (exagerada), uma protagonista feminina num livro que se encaixa nos padrões já referidos seria capaz de fazer um drama pelo motivo seguinte: o homem que ela ama disse que só tinha olhos para ela, mas só por comentar que está um dia bonito, ela já se começa a questionar se ele não acha o dia mais bonito do que ela. Idiota, eu sei. Um drama desencantado sem motivo nenhum. E agora imaginem que isso se prolonga por imensas páginas, e que, quando o mau entendido é esclarecido, surge outro problema qualquer.

Não estou a tentar rotular. Não estou a dizer que as mulheres são fracas por serem sentimentais, nem sequer que isso é um defeito, nem que esse é um tipo de leitura chato. Para mim, é raro encontrar algum tipo de leitura realmente chato, pois tudo depende do contexto em que é lido, da fase em que nos encontramos. Na verdade, esse tipo de leitura tem o seu lado encantador, diria mesmo poético, por atentar na beleza da vida, nos seus altos e baixos, nos detalhes mínimos que cercam alguém. Principalmente entre as pessoas mais novas, é comum que a preocupação com quem nos é próximo seja maior do que a preocupação com quem está longe. O quê que vos afligiria mais, saber que a vossa mãe partiu um pé ou foi assaltada, ou saber o número de crianças que morrem de fome todos os dias em África? Claro, a segunda hipótese também é preocupante, mas é uma preocupação sobre a qual não podemos fazer muito, pelo menos por enquanto, e que não interfere diretamente na nossa vida. Este tipo de leitura retrata essa "escala de importância" na perfeição, e é uma forma de as pessoas se aperceberem mais uma vez de como as palavras podem magoar se forem proferidas no momento errado, ou de dar a entender o quanto as mulheres valorizam quem amam - isso é uma qualidade, não um defeito. Então, parabéns para as escritoras (e escritores) de livros assim. 

Porém, é uma qualidade à qual eu já não me consigo prender, e por isso tendo a gostar mais de livros de fantasia (ou ficção), maioritariamente com protagonistas masculinos, mas não obrigatoriamente. De preferência, escritos por homens. Quem aqui leu, por exemplo, a trilogia Jogos da fome e a coleção Nascidos das brumas? Talvez pouca gente tenha lido a segunda, mas garanto que, mesmo que alguém não soubesse que os autores eram de géneros diferentes, conseguiria notar uma ligeira diferença na escrita, e ambos os livros têm protagonistas femininas. Protagonistas que têm um problema mundial para solucionar, que lidam com perigos práticos (imediatos ou a longo prazo) e não apenas apenas problemas amorosos. Para mim, a diferença está precisamente no facto de um livro refletir a forma de pensar dos autores. Uma mulher pensa e repensa antes de fazer, isto quando faz. Um homem pensa, se calhar até repensa, e depois faz, e faz antes de se poder arrepender. Eles poupam tempo e, acima de tudo, evitam ver problemas que podem passar despercebidos. As mulheres esforçam-se por ver todos os probleminhas, mesmo os que não são cruciais. Há ainda uma outra coisa: quando uma mulher, que pensa como nos casos citados acima, está com um problema, não consegue apreciar verdadeiramente as piadas do dia a dia, divertir-se por completo, pois há sempre uma carga emocional pesada à sua volta. Já com os homens isso não acontece, pois eles parecem saber que o segredo para ser feliz reside em aproveitar o momento, e deixar as suas filosofias egocêntricas e depressivas para mais tarde. Digamos que para mim não existe apenas "sabedoria feminina". 

Não, eu não gosto de personagens com poucos sentimentos, ou pouco reflexivas, que agem sem ponderar as suas ações de todo. Isso, para mim, são máquinas. Mas neste momento, por estúpido que possa parecer dizê-lo, encontro-me numa fase em que me identifico com uma forma muito masculina de ver o mundo. Uma forma em que, tudo o que não me é útil, eclipsa. Acho-me no direito de "rotular" as coisas assim porque já passei pelas duas fases anteriores, e fizeram-me bem, mas agora não consigo estender o drama por mais de um único capítulo, e para mim esse é um bom indício. É um indício de que posso viver a minha vida mais descontraidamente. Enfim, eu acho que o melhor é o equilíbrio entre a tal "sabedoria feminina" e "sabedoria masculina", mas este post não era para ser assim tão reflexivo... Digamos apenas que é a primeira vez que estou a por isto em palavras, e saiu mais longo que o esperado >.<

Isto tudo para dizer que é normal todo o fandom ter um determinado tipo de fãs. E que é fácil explicar o porquê de nós não termos disposição para começar a assistir/ler certas obras num dado momento, ou de uma das nossas obras favoritas perder a graça com o tempo. Para mim, isso acontece porque mudamos de fase, e perdemos a paciência para encarar sensações que já tivemos de sobra na nossa vida. Se decidimos mudar, porquê insistir em lembrar o que já passou? Se seguimos em frente, com passos maiores ou mais pequenos, é cansativo regredir. Relativamente relacionado, vejam este post do Conversa Cult sobre a capacidade para ler certos livros (www).

É aí que entra o poder dos protagonistas. Agora vou só sintetizar as ideias que vocês provavelmente já captaram, mas os protagonistas têm o poder de influenciar toda a narrativa com a sua própria visão das coisas. Porquê poder? Porque, se eles tiverem uma visão com a qual nos identificamos, ou que pelo menos consideramos interessante, acabaremos por nos deixar envolver pela leitura/anime/filme/whatever. Se não, provavelmente será difícil chegar ao fim, e haverão sempre momentos em que nos sentimos cansados demais para progredir na história, adiando-a, coisa que não faríamos se esta tivesse captado a nossa atenção por completo. 

Já agora, a calhar, aqui está uma coisa que eu comentei no blog Hishoku no Sora. A Shana respondeu a uma tag em que uma das perguntas era "O que mais inspira você?", e eu fique com uma ENORME vontade de responder, por isso aqui está a resposta: Para mim, são pessoas. Ou personagens, de certa forma tanto faz, desde que tenha algum tipo de humanidade, ou seja, uma alma por trás. Isto é válido também para animais, e para pessoas cruéis - não que eu gosto delas. Mas pessoas inspiram-se, de certa forma, precisamente por isso. Mesmo sem gostar delas, mesmo discordando de muita coisa por aí, não consigo deixar de achá-las fascinantes, intrigantes, complexas. Mesmo as pessoas mais simples me intrigam, pois mesmo que não tenham uma motivação, ou uma razão para fazer o que fazem, deve haver alguma razão para não haver essa razão, talvez explicada pela própria forma como foi criada, ou não, não sei, mas sei que se começar a fazer perguntas, começará uma regressão ao infinito que dificilmente levará a algum lado. Mas eu gosto disso. Adoro sentimentos, adoro histórias, adoro atitudes, adoro expressões, adoro ideias, adoro tudo aquilo que constitui uma pessoa. Quer eu tente aprofundar o que sei sobre ela ou fique apenas a assistir sem perguntar nada, quer me seja próxima ou um simples desconhecido, isso sim, é algo sem o qual não imagino o mundo.

Postagem desorganizada, eu sei, e densa. Mas o próximo post será mais simplista :) Ah, e eu sei que os gifs não tinham nada a ver com o conteúdo, só me apeteceu usá-los, ou como diria a Hinata, foi um momento de ostentação ^^

1 comentário:

  1. Oi, vim só avisar que te repassei uma tag: www
    Mais tarde eu comento melhor aqui ^^ Kissus~

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