agosto 08, 2014

Há idades certas para ler certos livros?


Ohayou! ^^

Hoje pretendia postar uma daquelas minhas divulgações de páginas, trabalhos ou qualquer outra coisa que me tenha chamado a atenção, mas quando comecei a vasculhar os rascunhos, apercebi-me de que tinha vontade de escrever MUITO. Conclusão: Esta postagem quase parecerá um debate. Não o é porque irei expor apenas a minha opinião, mas como eu tento equilibrar ideias, farei por mostrar os dois lados da moeda, sobre o que eu acho de haver idades certas para ler certos livros. Lembro-me que há um ano ou até mais li um post sobre o assunto no blog revista21, e concordei parcialmente com o que estava escrito, provavelmente foi por isso que guardei um tema assim. Enfim, imagino que irão fazer comentários grandes, então não foi muito sábio publicar algo com margem para muitas opiniões distintas já que estou a deixar comentários acumular, mas escrevam tanto quando quiserem, mesmo que eu demore, responderei a tudo.




É quase impossível uma pessoa não olhar para um livro e não o achar adequado para certas idades. Por outro lado, o que pode parecer infantil para uns, é normal para outros. Cada pessoa tem as suas próprias opiniões quanto à idade certa para ler certos livros, temas e estilos de escrita, dependendo da sua própria idade e experiência. Quem nunca viu adultos agirem como crianças? Ou pessoas jovens muito mais maduras do que o normal na sua idade? É por esse motivo que a resposta ao título deste post é muito relativa, e vou dividí-la em 4 fatores importantes.

Típicas leituras infantis
Obviamente, as crianças diferem dos adultos. Ninguém leria uma história como "O patinho feio" a adultos, nem "50 tons de cinza" a crianças (acho eu). Mas isso são exemplos extremos. Por exemplo, enquanto que eu só li a coleção de Harry Potter com 12 anos, embora também já me estivesse a embrenhar em leituras mais profundas, a minha irmã leu-a com 8. Assim, quando chegou aos 12, já lia coisas muito mais maduras que eu, aliás, ela já leu uma grande parte dos livros que tenho e ainda prezo com a minha idade atual ~eu parecendo uma velha a falar~ Então, o primeiro fator que vamos considerar é a idade com que se começaram a ler certos géneros

Escolhendo um exemplo menos pessoal, há adultos que toda a sua vida julgaram que a fantasia era um género infantil e, só mais tarde, decidiram dar-lhe uma oportunidade, descobrindo que embora algumas subcategorias sejam mais superficiais e no estilo "Young Adult", há fantasia adulta também. Ele pode mesmo passar a adorar YA, afinal, aventuras, amizades e protagonistas jovens conseguem ser muito interessantes, principalmente se tiverem de se desembaraçar num mundo medieval onde existe magia. Eu pessoalmente adoro o género, desde que tenha um bom ritmo e instigue questões inquietantes. Aliás, um dos grandes pontos fortes da literatura jovem-adulta é o enorme público-alvo que abrange, e restringir por "não ter idade para ler aquilo" parece-me um desperdício e uma falta de consideração.


O segundo fator mais importante, para mim, é a maneira como distinguem a ficção da realidade. Mais uma vez pegando num exemplo extremo, uma vez há dois anos fiquei a saber de um caso REAL em que um leitor de crepúsculo (e não levem a mal, mas eu não sou a maior fã de vampiros) estava tão viciado na história que matou não sei quem da família para lhe lamber o sangue. E tanto quanto sei, crepúsculo nem é assim tão sangrento, está mais para uma história melosa do que outra coisa. Acho que aí toda a gente pode concordar que o tal rapaz não estava a distinguir muito bem os limites da ficção...

Enfim, o que eu quero demonstrar é que, para uma pessoa susceptível a ter pesadelos após ler um livro que contenha terror antes de dormir, ficar deprimida porque se identifica com a solidão da protagonista ou por não ter um namorado tão perfeito, ou corre o risco de viver com medo do cancro após ler "A culpa é das estrelas", é melhor evitar leituras que contenham isso enquanto é novo. Isto esperando que, ao atingir a maioridade, comece a concordar com a frase "para morrer basta estar vivo". É, parece uma frase pessimista, mas eu até a acho encorajadora, já que assim significa que não é preciso preocuparmo-nos em evitar a morte a cada esquina, e que podemos aproveitar o nosso dia a dia. Por outro lado, se uma pessoa, por mais nova que seja, lida bem com esses temas, não vejo problemas em ler. Até pode dar-se o caso de ajudar alguém a superar os seus próprios problemas. É mais uma vez uma questão de maturidade.

Livros proibídos - vejam a imagem em tamanho real» www
Esse tipo de leituras fortes é chamado de Sick Lit: Literatura doentia, ou algo do género. Elementos comuns são doenças, sexo, tortura, violência, finais tristes e cenas dramáticas, mortes... Não acho que sejam adequadas para qualquer tipo de criança, mesmo com 12 anos ainda me parece algo pesado. Mas é aí que entra um terceiro fator: a intensidade da escrita. As crianças, cada vez mais precocemente, descobrem que o mundo não é um mar de rosas e sabem que há muitos males no mundo. Então não sei porquê que alguém com 8 ou 9 anos não poderia ler um livro onde é dito que  um nobre qualquer foi morto. Se for apenas uma referência, mesmo que seja um nobre e as crianças tendam a achar que a realeza representa o lado bom da história (embora grande parte da culpa seja da disney), enquanto não se apegar à personagem, não tem problema. Ninguém chora rios por alguém que nem conheceu. E como a morte seria apenas referida, sem grandes descrições das feridas e possíveis conspirações, também não creio que tenha um teor pesado. 

O mesmo no sentido contrário. Não entendo como é que alguém que seja adulto consiga gostar da narrativas pouco descritivas ou intensas, onde as coisas são apenas contadas e não mostradas. É isso o que para mim torna um livro infantil. As reflexões são escassas e pouco profundas? As descrições não causam nenhum tipo de abalo emocional? Então até crianças podem ler. Ninguém se suicida porque leu um livro, ou se o fez, é porque a pessoa já tinha problemas, não por culpa do livro - se assim fosse, todas as pessoas que lessem iriam suicidar-se. Recentemente, eu comecei a ler "Os sofrimentos do jovem Werther". É muito mais intenso que Harry Potter, nárnia ou o que for, e acho conveniente os pais monitorizarem se uma pessoa de 12 anos anda a fazer muitas leituras do primeiro tipo, mas se ela se acha preparada e não demonstra nenhum instabilidade emocional, não vale a pena insistir em dar-lhe leituras mais leves. Até porque elas não evitam as desgraças de acontecer e ainda deixariam o filho mais despreparado para as enfrentar. 


E por fim vou lembrar um quarto fator, que não dá direito a tanto filosofar, mas é importante apesar de tudo: gostos pessoais. Seja porque alguém se identifica com certo género, está na fase certa para o ler, ou simplesmente acha certas leituras "engraçadas" ou "envolventes", nós não temos o direito de as tirar. Um adulto quis ler algo mais juvenil? Tudo bem, ele que se divirta. Pessoalmente, eu sugeriria alguns livros mais fortes ou com passagens mais inteligentes, mas não vejo porquê impedir alguém de ler géneros para descontrair se é possível ler ambas as coisas. Também não vejo motivos para impedir crianças que normalmente lêm aquelas coleções infinitas de livros fininhos que parecem todos iguais de tentar ler algo mais profundo. Gostam disso? Força, e se estiverem dispostos a isso, que experimentem categorias diferentes de vez em quando, para não ficarem com as ideias padronizadas. Pelo menos ninguém pode dizer que não se está a cultivar o gosto pela leitura, ainda os livros escolhidos possam não ser os mais indicados.

E pronto, acho que era o que eu tinha a dizer. Escolhi como exemplo livros, mas de certa forma o que disse aqui também serve para animes ou filmes. Concordam ou discordam?


5 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. ~AHHHHHH TT^TT Refazendo todo o meu comentário porque sem querer fechei a aba TT^TT~
    ~Corrigindo TERCEIRA VEZ PORQUE EU EXCLUÍ SEM QUERER TT^TT~
    Concordo com você,mas em relação as crianças tomaria um cuidado maior, por exemplo até seus 13,14 anos evitaria livros com alguma menção sobre sexo (sei lá, mesmo que nessa idade é trabalhado na escola a reprodução humana,e mesmo que hoje em dia as coisas tem sido diferentes,ainda evitaria temas do gênero).
    Bom eu sou o tipo de pessoa em que a frase: ''existe a idade certa para tudo'' se encaixa perfeitamente.É claro que se a criança de 8 ou 9 anos quiser ''avançar'' nas suas leituras não vejo problemas,no entanto(como eu disse antes) é bom cuidar para que ela não leia determinados assuntos precocemente, como violência e sexo,mas não vejo problemas em ler sobre uma pequena morte (se for abordada com um certo eufemismo). Bem minha mãe é desses adultos que acha o gênero fantasia infantil (obs: Ela acha Harry Potter a maior baboseira já inventada -_-'' ). Sinceramente acho um tanto bobo pensar assim, afinal o livro ''O Pequeno Príncipe'' a princípio parece mais uma fantasia infantil, o que na verdade é um equívoco pensar assim,já que sua história possuí muita filosofia por ''dentro''.
    Em resumo: para crianças de seus 9 anos acredito que na hora de ''avançar'' literariamente deve-se tomar um certo cuidado com o estilo do livro.Eu particularmente recomendaria uma fantasia mais trabalhada,assim não sairia completamente do tema princesas/reinados, porém teríamos uma história mais elaborada com personagens mais maduros.Mas no final, para que ocorra isso a criança já teria que ter um maior contato com os livros assim como um certo avanço psicológico para a idade (afinal é meio difícil encontrar crianças que prefiram ler Harry Potter,como sua irmã, do que ler as tradicionais historinhas infantis).
    E sobre os gostos,nem vou comentar porque isso vai muito de cada um, é um fator muito variante.
    OBS: Achei tensa a história do carinha que matou a família para beber sangue g.g Adorei o post Kiss >/////<

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    1. Posso chamar-lhe Hina-chan? É kawaii :3
      ~É horrível quando se exclui o nosso próprio comentário ou a página fecha >.< ~

      Bem, até aos 12 eu entendo evitar sexo, mas com 13 anos, acho que já tinha lido um ou dois livros onde isso acontecia, mesmo não sendo abordado de forma muito pesada. Eu queria evitá-los no começo, mas deixar de ser uma coleção por causa disso pareceu-me muito deprimente e infantil da minha parte, então insisti e desejei que ninguém descobrisse a "adultidade" das minhas leituras. Bem, mas não me fez mal nenhum, além do choque inicial :) Mas mais novos que isso realmente é necessário algum cuidado. Por isso é que falei da vigilância dos pais, mas sem estes exagerarem muito. Até porque, quando mais alguém diz às crianças para "não fazer isso", mais elas vão querer fazer. Harry Potter, na verdade, pode não ser infantil, mas não deixa de ser juvenil sob muitos aspetos, mas diga à sua mãe para ela ler algum livro de Haruki Murakami ou O nome do vento e pois eu teria todo o gosto em ver se ela cede alguns pontos à fantasia ou não :) Há fantasia e fantasia. E há livros de fantasia adulta (que NÃO são livros de vampiros) que conseguem tratar de temas bastante profundos e até algumas questões filosóficas. Mas a sério, diga à sua mãe, se ela me quiser indicar algum livro, eu aceito também ;) ~momento de coragem~ E esse seu exemplo do Pequeno Príncipe foi muito bem escolhido.

      Exato, depende bastante dos próprios livros, sair da zona de conforto de repente não me parece o mais indicado, mas ir mudando o género que se costuma ler gradualmente não me parece ter grandes problemas. E eu realmente adoro a minha irmã por ter tido a maturidade de ler toda a coleção de HP com 8 anos, principalmente por tê-la entendida tão bem ou até melhor que alguns adultos. Eu fiquei espantada, ela pode ser 4 anos mais nova que eu, mas pensa exatamente como se tivesse a minha idade. Mas chega de lamechisse. Lá está, gostos variam demasiado, por isso é tão difícil falar sobre eles.

      E sim, essa história é muito tensa. Maturidade é uma coisa que esse tipo não devia ter.

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  3. Eu acho que isso vária de pessoa à pessoa, como você disse é questão de maturidade e gostos pessoais.
    Haverá pessoas que irão ler A Culpa é das Estrelas (peguei esse exemplo, porque acredito ser um dos mais conhecidos) e achar que é uma historia normal, outros serão tocados, e haverá quem ficara com medo do câncer, etc.
    Se você lê desde cedo, acredito que seja mais fácil passar por essa adaptação de tipos de leitura. Se você tem uma certa maturidade é mais fácil se acostumar com temas como sexo, suicídio, etc.
    Particularmente, não deixaria ou leria nenhuma historia com esse tipo de coisa para minhas sobrinhas, o mesmo vale para animes e filmes, pois sei que isso influência já que são só crianças.
    Mas como já disse, acredito que isso vária de pessoa para pessoa, não é porque fulano vai fazer isso, que ciclano e beltrano também vai.

    Ladrão de Borboletas

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  4. Imagino que as suas sobrinhas sejam crianças, e claro, não acho nada adequado ler livros muito pesados a elas. Mas a partir dos 10 anos (ou por aí), acho que não há problema em sair gradualmente da zona de conforto, experimentar outros géneros e abordagens, desde que seja aos poucos. E como você disse, a maturidade, hábitos desde criança e gostos contam muito. Quando eu era pequena, nunca gostei de ler livros das princesas da disney ou assim, até gostava dos filmes, mas os livros pareciam.me estar escritos de uma forma muito entediante. Então, logo no segundo ano em que aprendi a ler, li um livro de 300 páginas, em duas semanas. Gostei muito da história - Ballet Shoes, falava de bailarinas e das suas dificuldades económicas, por aí... - mesmo que na altura não o tenha digerido completamente, o que só compreendi ao reler o livro anos mais tarde. E, mesmo depois de ler esse livro, voltei a alguns um pouco mais infantis, umas coleções com que simpatizei de cara, não propriamente sobre princesas, mas com aventuras interessantes para mim como criança, afinal eu só tinha uns 8 anos. Mas eu já devia ter percebido que não demoraria muito a dar um salto para géneros diferentes. Acho que foi com 10 ou 11 anos que mudei completamente o meu gosto e passei a ler coisas um pouco diferentes, comecei com a Bússula Dourada e depois nunca mais parei, se depender de mim, leio um pouco de tudo, e o meu único impedimento é o tempo mesmo. Agora até tenho vontade de ler clássicos.

    ~Isto tudo para dizer que vai com cada um. Ou seja, concordo com o seu comentário~

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