julho 16, 2014

Resenha: Incarceron


Cá estou eu.

[Estou a escrever este post dia 14, às 20:34. Nada como resenhar um livro na emoção de o ter acabado]
Duas postagens atrás, eu disse que estava a ler um livro que já tinha na minha estante há bastante tempo, mas nunca me tinha parecido interessante o suficiente para ler. Pequeno, de 300 páginas, eu achava que seria até mesmo infantil. Enganei-me tanto... Eles prendeu-me logo nas primeiras páginas, conseguiu emocionar-me e frustrar-me até mesmo depois do final, e eu sou um bocado coração de pedra, então garanto que já há mais de um ano que um livro não me deixava neste estado. E aqui vou eu falar, resenhar, resumir, opinar, criticar, refletir e desabafar sobre Incarceron. Méritos para a autora, Catherine Fisher, que conseguiu deixar-me arrasada.


Vamos começar com a sinopse?
Imagine uma prisão tão vasta que abrange masmorras, galerias, bosques de metal, mares e cidades em ruínas.

Imagine um prisioneiro sem memórias mas que nega pertencer àquele lugar, mesmo sabendo que a prisão se encontra selada há séculos e que apenas um homem conseguiu escapar.

Imagine uma rapariga condenada a um casamento de conveniência e a viver numa sociedade futurista, vigiada por um sistema sofisticado de inteligência artificial mas concebida à semelhança de um cenário do século XVII.

Incarceron é a prisão viva que observa tudo o que se passa dentro dos seus muros. Finn é o prisioneiro e Cláudia a filha do guardião da prisão, que vive num mundo exterior onde pouco se conhece sobre Incarceron. Ao encontrarem uma chave de cristal que lhes permitirá comunicar, os dois engendram um plano de fuga numa corrida contra o tempo. Mas Incarceron vigia-os - e a evasão exigirá mais coragem e tornar-se-á mais difícil do que pensam.


Minha opinião:
Antes de mais, eu não sei o quê que vos pareceu a sinopse, mas quando a li pela primeira vez, apesar de ter achado que tinha alguns detalhes realmente encantadores, também a achei bastante infantil, principalmente a última frase, que parece daquelas usadas para atrair criancinhas que adoram aventuras e blá blá blá. Pois bem, agora penso que não haveria como fugir a essas últimas frases - a história realmente foca bastante na aventura. E em fantasia. Eu gosto dos géneros, são os meus favoritos, mas apenas se forem encarados com maturidade. E agora posso garantir que essa sinopse foi feita com maestria: se dissessem algo a menos, eu teria de explicar imenso sobre o enredo nesta resenha, e se dissessem um pouco mais, estaria certamente a dar spoilers. Tudo o que está lá escrito, é no seu significado literal: a prisão está realmente viva, pensa, move-se e brinca com prisioneiros à sua vontade; O seu interior, onde Finn e um grupo de personagens se encontra, é tão imaginativo quanto o descrevem, além de ser um lugar onde predomina a brutalidade; E Cláudia, que vive no exterior da prisão, acreditava inicialmente que lá era um paraíso - ao descobrir que não, esmera-se bastante por fazer a justiça com as próprias mãos, digamos assim. 

Detalhando sobre o que me fez adorar o livro:

  • Em primeiro lugar, as viciantes primeiras páginas.
Se as minhas expectativas eram baixas no começo, foram totalmente abaladas (pela positiva) quando, logo no primeiro capítulo, vemos Finn amarrado a carris, a confrontar-se com a morte, aparenta ser salvo pela piedade de uma tal Maestra, e a cena dá uma grande reviravolta que nos mostra que o protagonista não era tão frágil quanto parecia. Eu já contava que acontecesse alguma coisa, mas não esperava que fosse tão rápida, sem dar explicações de mais nada, nem de mundo, nem de como Finn fora ali parar... É durante as cenas de ação ou de busca que as personagens vão pensando, e mostrando o funcionamento do universo criado para o livro de forma rápida e natural, já que estão em interação com ele. Acho que essa habilidade de descrever as coisas - sem deixar a beleza das palavras de parte, ainda que essa beleza seja um tanto sombria - pelo meio de acontecimentos é que permitiu a criação de um livro curto mas tão bem engendrado como os grandes. Isso, e o talento que a autora tem para nos surpreender.

  • Em segundo lugar, as personagens.
Embora até agora só tenha falado de Finn e Cláudia, há muitas outras personagens, e todas elas são bem elaboradas. Divindo em grupos, temos o interior e o exterior. No interior, há Finn, que acredita não ser do interior da prisão, aprendeu a ser duro o suficiente para viver naquele mundo mas conserva parte da sua anterior bondade; Keiro, irmão-de-juramento de Finn, que é bonito, arrogante, e até ao final continuou a ser suspeito, mas acredito que não seja tão malvado quanto parece, e tem a clareza suficiente para armar bons planos de fuga; Gildas, um Sapiente - sapientes são sábios que criaram a prisão, com boas intenções. Os seus descendentes é que tiveram de arcar com as más intenções dela - bastante crente em lendas que espera que Finn o ajude a fugir da prisão; E Attia, a personagem feminina mais esperta, prática, franzina, destemida e dedicada a quem ama que eu já vi. No exterior, Cláudia é a filha do governador, está prometida em casamento, é talentosa, rebelde e sabe desempenhar muito bem uma faceta falsa de educação como esperam que ela apresente na corte; Jared, o tutor dela, é um sapiente extremamente habilidoso e que a adora; O governador, John Arlex, é o guardião da prisão, e apresenta-se como uma pessoa controladora, fria e exigente; E a rainha Sia e o seu filho Caspar, sendo a primeira extremamente falsa e manipuladora, e o filho um grandessíssimo malcriado. Desafio quem futuramente ler a desvendar a verdade sobre as personagens antes de ser oficialmente revelado nas páginas, só a partir das pistas ;) Não levem a mal, mas eu adoro quando as minhas teorias estão certas, principalmente se mais ninguém acertar ^^

  • Em terceiro lugar, a competência necessária para a criação dos mundos.
Não imaginam o quanto Incarceron estava próxima do mundo exterior! É totalmente irónico, e não apenas isso. A prisão viva foi construída para ser um paraíso, um lugar apenas de filósofos e poucas brigas, que com o tempo começou a ganhar vida própria e a semear uns ciúmes aqui, umas discussões acolá... A paisagem acabou por ficar povoada de violência e pobreza. Fechada, sem nenhum saída, apesar das lendas de Saphique, que dizem que ele foi um sapiente que conseguiu fugir - se são verdade ou não, não revelarei. As descrições são maravilhosas e o funcionamento, totalmente díspar de como funcionam os universos dos livros de fantasia habituais, foi pensado a um nível meticuloso, até mesmo detalhes como os olhos vermelhos que vigiam a prisão, os nascidos-da-cela, como esta absorve o mortos e aproveita o material orgânico deles para fazer pessoas e animais novos, que, caso não tenham matéria suficiente, nascem com partes de metal. Quanto ao exterior, a corte e a nobreza vivem envoltas em intrigas ocultas sob o luxo, e embora a tecnologia seja extremamente avançada, o Protocolo exige que tudo viva de acordo com a Época, ou seja, como se fosse uma sociedade do século XVII. Mas pelo menos, esse mundo exterior para onde todos os prisioneiros querem fugir tem estrelas, não está enclausurado, e a violência não é exercida diretamente.

  • Em quarto lugar, o chocante desfecho.
Decisões. Questões em aberto. São dois elementos que, se usados propositadamente e no momento certo, podem deixar o leitor em agonia total. Vá, estou a exagerar, mas garanto que, quando se está nas ultimas páginas de um livro e achamos que já descobrimos os segredos mais dolorosos, e o protagonista é confrontado com uma decisão com carga emocial e importante para tomar, diante das outras personagens - que nem sequer são boas ao ponto de merecerem toda a nossa confiança, mas foram companheiros de viagem dignos e é injusto fazê-las sofrer mais - qualquer caminho que fosse escolhido seria triste. Nostálgico. Escolher uma coisa implica perder outras, e isso foi muito bem usado no final. Pior ainda é quando a questão primordial da história é resolvida, tudo aparentemente fica bem, mas as consequências da escolha são deixadas em aberto. E sinceramente, eu não creio que alguma vez se irão resolver pela positiva. Isso seria milagroso e infantil, mas se a autora não tivesse deixado o final triste implícito, provavelmente agora estaria ainda mais revoltada do que a choramingar e frustrada. Não esperem que sejam abordadas coisas como romance diretamente, mas de um modo mais subtil, está lá, escondido sob necessidades, ombros amigos, e essa coisa toda. E eu penso que esse tipo de abordagem foi bastante maduro.

  • Outras coisas...
Prestem atenção aos detalhes. A harmonia da capa, o excelente design dela e a fidelidade com que a chave representada se assemelha às descrições foram muito bem conseguidos. Os trechos no começo de cada capítulo, que nos dão pistas sobre a verdade e ajudam a conhecer melhor o mundo, através de cartas trocadas, lendas e poemas sobre Saphique, como a experiência de criar um paraíso falhou... Não lhes prestei grande atenção no começo, nem compreendia inteiramente, mas depois passaram a fazer todo o sentido. E outra coisa que me pareceu bem pensada foi, em como na primeira parte do livro, as cenas de Cláudia e de Finn estão separadas por capítulos, alternando, mas depois, partes do presente de cada um vão começando a invadir capítulos que aparentemente seriam de um só deles, até que os seus pontos de vista começam a aparecer lado a lado, nas páginas. Essa mudança ocorre a par com o desenvolvimento da história, onde o destino de ambos culmina num único ponto, e também serve para marcar um certo ritmo.


Eu juro que adoraria citar pontos fracos, mas eu acho que tudo foi muito bem pensado. Se calhar teria gostado de saber um pouco mais sobre Incarceron - muitos pontos talvez saíssem a ganhar se fossem melhor explorados, e como o livro é curto, não haveria problema se as descrições se estendessem. Mas penso que assim se perderia a essência da história. Se houvessem muitos focos diferentes, provavelmente haveriam buracos na trama, e seriam criadas ainda mais questões que não daria para responder num único volume. Outra coisa que pode causar em alguns leitores é confusão, ou parecer que não tem o ritmo certo, pois embora eu tenha engrenado já no segundo capítulo por estar habituada a livros do género, nem toda a gente é assim. 

Era isto. Até estou arrepiada, as palavras esgotaram-se de um momento para o outro. Ufa, já desabafei tudo!


Editado no dia seguinte: Ok, retiro a última parte da sinopse. PARECE QUE HAVERÃO MAIS VOLUMES!!!!!! O segundo chama-se Sapphique *.* Ah, como entretanto me animei e a minha maldade voltou, aqui está a primeira frase do livro (de Incarceron, não Sapphique) para vos torturar ;)
“Finn fora lançado de bruços ao chão e acorrentado às placas de pedra da passagem.”


10 comentários:

  1. Yooo tudo bom!?
    Calma,você considera um livro de 300 páginas pequeno!? (aahhh que inveja,como eu gostaria de ter esse gosto pela leitura como você TT^TT ),enfim a sinopse me fez lembrar um anime que acabei de assistir,chamado No.6,que assim como o livro possuí uma prisão (que ao contrário da sua história,essa prisão desde o começo era para ser uma prisão),mas existe a questão do ''interior'' e ''exterior'',sobre o local limpo/calmo/protegido e o local sujo/inquieto/violento.
    Enfim,me interessei muito por essa história (poderia virar anime :3 ),mas como estou sem dinheiro e tempo,terá que ficar para um futuro não tão próximo =/
    Kiss

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    1. Não me lembro se você já tinha visitado o blog com o lay anterior, mas era precisamente um layout de No.6 >.< É atualmente o meu anime favorito, juntamente com Durarara e Fullmetal alchemist. Então eu sei bem como funciona, por acaso, teve boa pontaria, também tinha achado semelhantes :) Realmente, há imensos livros que poderiam virar anime, eu adorava :3 E sim, para mim, 300 páginas é pequeno, quando tinha 11 anos já estava a ler livros de 500. Mas é apenas por uma questão de hábito, haha, e acredito que se você começasse esse iria gostar muito, quando conseguir, tente comprá-lo/baixar na net ;)

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  2. Olha moça, só fiquei triste com uma coisa. Como a apreciadora de livros, no momento que li sua resenha já me interessei. O problema é: só achei esse livro pra vender em uma loja em português, e o livro em inglês é metade do preço ~triste realidade~ Acho que mesmo preferindo ler os livros em português vou comprar o em inglês...
    Enfim, linda essa essa resenha. Amei muito as imagens, suas opiniões acrescentaram muito ao post e a história em si já é interessante. Agora fique com vontade de ler T^T
    Enquanto estava lendo sua resenha lembrei de quando terminei de ler O Senhor dos Anéis. Entrei em estado de negação e fiquei nele durante um mês hahahaha

    | | Isabelle, do Black Dandelion | |

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    1. Haha, sabe o quê que é pior? Que aqui em Portugal quase todas as editoras aderiram à desculpa de dividir livros, que em inglês eram grandes, em duas partes, com a desculpa de que assim será mais transportável e tal... até é verdade, mas enquanto que num volume só eu gastaria 18 euros (moeda de portugal), ao dividirem, gasto o dobro! É loucura, detesto isso! :/ Não sou grande coisa em inglês, só comecei a ler um ou dois livros e demoro bastante para terminar, por outro lado, para poupar dinheiro, muitas vezes tento encontrar os livros na internet, não me agrada tanto como tê-los em papel, mas tem a sua utilidade. Ainda bem que gostou do post e de como eu disse o que achava, não prometo que irá gostar assim tanto, mas pode ser que sim :) Nada como "depressãopósleitura >.<

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  3. Oh, meu Deus! Essa Resenha foi simplesmente demais! >.< Fiquei com o coração nas mãos agora para poer lê-lo, mas terei que terminar A Menina que Roubava Livros primeiro! Esse livro parece ser tão fantástico, eu pensei primeiramente por causa da capa enquanto pesquisava livros para ler que seria uma distopia, mas parece que é e não é!
    Pelo que você falou ele parece ser o tipo de livor que eu amo (e olha que eu sou super chata com livros!)
    300 paginas? Só? Mas espero que valha a pena!
    Bye, bye!

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    1. Pois é, já ouvi falar tanto da Menina que Roubava Livros... quero ler, mas ainda nem peguei nele. Enfim, quando começar Incarceron, avise para eu ler esse, assim trocamos ;) Eu não sei se você vai gostar, mas pelo menos para quem não tinha grandes expectativas (tipo eu), ele consegue arrebatar! Pequeno, não é? Mas eu acho que vale bastante a pena, se fizer o seu género, porque não? Ja nee ^^

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  4. não parece que Finn foi jogado lá meio que de propósito? também acredito que ele não seja de lá. olha, eu achei bem interessante a sinopse e suas explanações. sobretudo, a ideia de uma prisão viva é muito boa. sobre essa coisa de ser paraíso quando na verdade não o é: a gente sempre faz suposições sobre aquilo que não viu/vivenciou com base no que ouviu. Por isso que as pessoas podem ser facilmente enganadas.

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    1. Você já leu? Porque se não, os seus palpites estão bastante certos ^^ Aliás, eu acho que entenderia esse livro muito bem, o seu comentário tinha um toque filosófico e parece bastante por dentro do assunto. Ah, antes de tudo, bem-vinda ao blog :)

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  5. Aiai kkkkkkkk, eu ainda lembro quando eu gostava de ler, durou um dia mais eu gostei kkkkkkkkkkkkkkkkk.
    Eu nunca gostei muito de livros, desde pequeno só li a saga de Harry Potter, as Crônicas de Nárnia e comecei a ler as crônicas de spiderwick mas não tive coragem para terminar kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.

    Eu li o post, gostei da proposta do livro e vou indicar para minha irmã que gosta muito de ler (Sério ela gosta mesmo de ler, as vezes parece que ela não vive kkkkkkkk). É bem provável que ela goste.
    Achei parecido com um anime que eu vi um tempo atrás, NO.6

    Gostei!!!
    Um beijo no coração, um chute no pescoço e um abraço na canela... Fui!!!
    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk...

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    1. Haha, gostar de ler durante um dia, ri demais >.< Bem, ter lido Harry Potter é melhor que nada, já de nárnia não gosto tanto, a escrita do autor parece-me meia infantil, mesmo que goste da história em si. Espero que a sua irmã goste, acho que a compreendo perfeitamente. Ah, No. 6! Juntamente com Durarara, é o meu anime favorito, cheguei mesmo a fazer um layout do anime, não sei se você viu. Por acaso, cada vez mais encontro histórias que se assemelham a No.6. Não se você chegou a ver o blog com esse lay :)

      Ainda bem que gostou ^^

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