fevereiro 26, 2014

Resenha: Acácia


Tadaima :)

Já soube que o layout está a aparecer cortado para muita gente, e fico com pena, porque eu gosto dele e não sei quando construirei um novo tão cedo. O quê que desaparece? A sidebar? :/ Mandem print, para ver se posso fazer alguma coisa...

Hoje vim resenhar o livro que pretendo apresentar nas minhas aulas de português: Acácia, Ventos do Norte. É o primeiro volume de uma coleção que tive a decência de ainda não finalizar, escrito por David Anthony Durham. Vou já avisando que é um livro de fantasia, e que não traz quase nada de novo dentro do género - mas a resenha será bastante positiva porque o ritmo da escrita é perfeito, e adorei as descrições, portanto já estou viciada.


Sinopse:
Um rei assassinado pelo seu mais antigo inimigo.
Um império dominado por um povo austero e intolerante.
Quatro príncipes exilados determinados a cumprir um destino.
Recuperar o trono de Acácia poderá ter consequências devastadoras.

Enredo: 
Não queria revelar demasiados spoilers, mas talvez se deparem com alguns...

A história, de facto, não tem muito para contar: está dividida em duas partes, antes e depois da guerra. 

Antes da guerra, somos apresentados aos 4 inocentes príncipes, duas raparigas - Corinn e Mena - e dois rapazes - Aliver e Dariel -, que desconhecem que a prosperidade do reino tem origem em tráfico de escravos e drogas, usadas pelos pobres quando querem fugir do sofrimento do dia a dia. O pai deles, Leodan, é o rei mais fraco da dinastia Akaran, e apesar de ser bondoso, foi o mais fácil de atingir, principalmente por confiar no seu conselheiro, resultando em traição. Quem causa a guerra foi o povo dos Mein - justamente, na minha opinião - porque foram aliados no passado, e acabaram exilados no Norte. 

Depois da guerra, vemos que todos os irmãos foram separados - ou seja, espalharam-se pelos 4 "ventos" - e que se tornaram pessoas espantosas e fortes: A Mena torna-se uma "deusa" (não digo mais nada), Aliver torna-se guerreiro numa tribo, Dariel vira um corsário e a probre Corinn fica cativa, ainda que bem tratada, no seu próprio castelo, tomado pelo inimigo.



Opinião:
Começando com a primeira impressão: no começo do livro, nós não sabemos muito sobre o que se está a passar, portanto a única coisa que nos impele a continuar a leitura são as personagens: todas tão variadas e peculiares... Temos um rei de mãos atadas - por muito que queira acabar com a droga, ele mesmo depende dela, e se não permitir o tráfico de crianças, trará problemas aos filhos; Temos um assassino extremamente devotado à sua causa - ele foi enviado para matar o rei e acredita que foi para isso que nasceu. Na verdade, achei uma pena, porque ele parecia uma personagem tão intrigante que podia ter durado um pouco mais; Temos um conselheiro esperto, que já sofreu muito, realista, e que teve dificuldade a entender de que lado estava o seu coração; Temos os 4 príncipes, todos com personalidades extremamente diferentes e cujo desenvolvimento é notório. A melhor parte é que, com a divisão do livro, o desenvolvimento não se torna monótono, pois simplesmente somos confrontados com a nova essência deles e os problemas que cada um passou é mostrado num flashback, sem atrasar a narrativa. A personagem mais notória de todas é o Hannish, o líder dos Mein (o exército inimigo), que é poderoso e forte, e mesmo depois de tomar Acácia tem inteligência suficiente para tratar bem quem já lá vivia e não destruir a beleza do local, simplesmente para afirmar os costumes da sua terra. E digamos que tem um lado "evil" encantador ;)

cliquem para ler sobre as personagens

Acho importante referir que discordo totalmente da frase usada na capa: "Uma saga que combina a ambiguidade moral e a brutalidade de George R. R. Martin". Meu deus, que mentira! Eu sei que George Martin escreve muito bem e que é um marco entre a nova geração de leitores, mas não é preciso comparar tudo com ele só para dizer que é bom! Acácia é diferente, e uma excelente leitura à sua maneira. A brutalidade, pelo menos neste volume, é apresentada de forma muito mais subtil - a própria guerra foi travada numa única batalha, através de uma estratégia que eu achei BRILHANTE: Os Mein usaram veneno para debilitar o exército de Acácia e dizimaram os sobreviventes. Simples assim. Talvez algumas pessoas se aborreçam pela ausência de lutas, mas eu achei genial como isso foi descrito: transmitiu imenso desespero pela situação, era difícil acreditar que as coisas seriam assim, e foi impressionante saber que os próprios Mein já foram vítimas daquele veneno e simplesmente se tornaram resistentes, tal como resistiram às duras condições da sua terra. Eles são um povo guerreiro e extremamente digno. Então, mesmo que não presenciemos uma guerra com tudo o que ele implica, o foco na política e nas intrigas acaba por ser tornar interessante, ao invés de maçador, pois é sempre visto através de uma personagem que sabe menos e que questiona mais. E há algumas lutas: entre os próprios Mein, com alguns soldados, travada entre colegas (digamos que o príncipe Aliver era muito impulsivo e criança, e resultou num duelo)... Na verdade, o autor descreve sempre os movimentos com muita precisão e beleza, e talvez esse toque se perdesse se narrasse uma batalha, então, aprovo a ideia.



Não são só as batalhas que focam em detalhes belíssimos: toda a narrativa é assim. O autor escreve tão bem, que me fez passar a imaginar acácias como uma linda árvore negra, quando na verdade não passa de um arbusto seco, acinzentado, da família dos pinheiros, se não me engano. E ele não mentiu - simplesmente focou num lado mais agradável. Outra coisa que adoro é como ele consegue explicar a base do mundo criado sem interromper a história. Eles inclui as explicações como um pensamento da personagem, algo que está a ser observado, como uma crítica... não como uma aula de história que parece não ter fim. Depois nós ligamos as peças, e pronto, temos uma terra encantadora. O melhor de tudo é que o enredo, apesar de não ser muito original dentro do género, faz críticas enormes ao nosso próprio mundo se nos atrevermos a compará-los - irei nomear as crianças escravas do Congo. 


Fiquei desapontada por terem dividido o livro em duas metades, acho que se perdeu bastante e que só serviu para alimentar o bolso da editora. Ou seja, eu não posso comentar a segunda parte do primeiro volume, porque não sei o que acontece. Mas pelo que ouvi dizer, os irmão reunem-se e o desenvolvimento é rápido, então vou manter as minhas expectativas altas e quando tiver o livro em mãos comento alguma coisa. De qualquer modo, não me posso queixar da tradução. E muito menos das capas! Se alguma vez pude dizer em que julguei o livro pela capa, foi com Acácia, e não fiquei nada desiludida.

Ja nee ^^

2 comentários:

  1. Ah, Any você me deu mais livros para ler do que eu já tinha kkkkk
    Fiquei realmente bem interessada nessa saga (é uma saga né?), ainda não tinha ouvido falar. Vou procurar online e ver se encontro para ler, mas com certeza não vou me arrepender ^^

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    Respostas
    1. Sim, é uma saga :) Já devia estar habituada, eu adoro resenhar coisas e fazer as pessoas aumentar as suas listas >.<

      Eliminar

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