agosto 12, 2013

Motivos para eu não gostar dos livros de nárnia


Bem, imagino que este seja um dos posts mais bizarros que se pode encontrar por aqui. Pela primeira vez, não vou dar motivos para se fazer alguma coisa, e sim para não fazer. Neste caso, não ler as Crónicas de Nárnia. Tem coisas que se aproveitem, sim. Por algum motivo, AMEI os filmes de Nárnia e espero sinceramente que adaptem os restantes, porque a história e alguns pontos estão fantásticos. Mas há cada coisa que me deixou mais abalada...

Atenção: Para quem não sabe, eu gosto de fantasia e muito, não tem nada a ver com isso! 


Enredo base:
Nárnia, um mundo criado por Aslam, um leão bondoso, mágico e falante, viu-se constantemente em perigo, e para vencer precisa da ajuda de pessoas vindas da Terra (geralmente, crianças de Londres). Nesse mundo há magia e animais falantes, humanos e humanos comuns, e assemelha-se à Época Medieval. Para quem quiser saber mais, veja alguns dos filmes ou procure na net. Sério, repito que os filmes são incríveis.
Coisas que gostei em Nárnia: 
A ideia, as imagens que deviam ter sido passadas, o universo, o fim da história, a biodiversidade e variedades da magia... 

Coisas que não gosto: 
Como já puderam ver, não tem a ver com a história nem com os temas, de que eu gosto bastante. O que me perturbou nos livros foi a narrativa, principalmente. 
  • Linguagem: porque a linguagem utilizada parece para bebés. A sério, podia ser mais caprichada, não apenas no enriquecimento do vocabulário, mas acima de tudo escolhendo palavras que causassem impacto.
  • Não me prendeu à história: Algumas descrições de florestas e outras coisas estavam boas, mas... sei lá, faltava arranjar coisas que me prendesse às personagens e ao mundo, que me fizesse sofrer e sorrir com eles. Não me cativava.
  • O Modo de Narração: O de terceira pessoa está aceitável. O que eu detestei foi a narração em SEGUNDA PESSOA!!! (tu, vós) Ou seja, parecia que estava a falar connosco, parecia que o autor era um sabichão qualquer que nos estava a contar uma histórinha, assumindo que aquilo era um conto e não algo real - claro que não é, mas quando eu leio, eu gosto de sentir que sim.
  • Intervenções do autor: eu estava (finalmente) a envolver-me com o enredo, e de repente lia uma frase que me ARRANCAVA da história: "claro, nós sabemos que não foi bem assim", "vocês não sabem, mas naquele tempo..." e blá blá blá. Envolve muito o ponto anterior.
  • Adaptação da bíblia: eu não tenho religião e pouco sei da Bíblia, mas se não me engano, haviam muitas histórias em Nárnia que me pareciam adaptadas daquilo que conheço, como a da árvore do fruto proíbido e tal... Não tenho nada contra e sei que era para passar as lições às crianças, mas não era preciso exagerar!...
  • Mudança rápida de personagens: Isso teria sido uma boa estratégia ou, pelo menos, aceitável, mas em livros com apenas 100 páginas, mudar de protagonistas de volume para volume foi má ideia porque não me fez identificar-me com eles. 


O que eu quero dizer é que não desrespeito quem gostou, porque eu mesma poderia ter achado essa história apaixonante. Mas para isso, eu não me contento com boas ideias. Para mim, uma ideia super copiada ou fraca conseguiria um posto aceitável se estivesse bem escrita, com emoção, com o coração, com momentos fortes. Com passagens infantis sim, porque não, mas pelo menos escritas de forma a deixar-me melancólica pela infância ou prestes a chorar de felicidade, ou outra forma de escrita prazerosa... E acima de tudo, os livros seriam fenomenais se me deixassem lê-los com a minha própria voz, e não ouvir na minha cabeça a voz que eu imaginei que o autor teria, como uma mosca a zumbir nos meus ouvidos, ao longo de toda a narrativa. Esse detalhe em particular tornou a leitura tão intragável que eu não fui capaz de digerir os dois últimos livros, vendo-me forçada a procurar resumos na net para saber como acabava. Pode ser um problema meu sim, mas foi o que eu achei.

Comentários respeitosos, onegai, e apenas se tiverem lido tudo.

Ah, e tive uma ideia! Vou reescrever para mim mesma os livros de Nárnia com o tipo de narrativa que eu gostaria que tivessem! :D 

6 comentários:

  1. Amo os filmes de Nárnia, os livros também.
    Só não gostei do fato de terem feito os filmes
    na ordem errada e inventado um romance entre
    Caspian e Susana.

    Concordo com você, trocam de protagonistas rapidamente. Acho isso chato.

    ~~Kissus *3*


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    1. Eu só gostei dos filmes, os livros apesar de terem muita coisa que se aproveitasse não me cativaram, como já disse. Realmente, isso do filme foi uma pena, espero pelo menos que façam os livros todos...

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  2. Eu li somente o primeiro livro " O sobrinho do Mago", terminei ele em dois dias e achei o livro muito bom! Quando você diz que o autor meio que fala conosco, eu, ao contrário de você, adorei esse tipo de ligação autor-leitor. Bem, nas passagens em que Aslam cria o mundo de Nárnia interliguei com a criação de Deus (Bíblia), como você disse, parece uma adaptação, mas não tenho nada contra isso, pelo menos em meu ponto de vista. Agora, em relação à escrita, sim, ela é infantil mas não me incomodou muito, mas é claro, gostaria que fosse mais madura...

    Enfim, adorei o primeiro livro, espero gostar dos próximos também.

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    1. Eu gostei muito da história, mas não da maneira de escrever do autor. Se calhar não me expliquei bem - eu já li alguns livros em que os autores ou narradores comunicam com os leitores e não foi nada de mal, aliás, dependendo da leitura, em alguns casos tornou-se uma mais valia. O problema é ele interagir falando ara nós como se fôssemos crianças. Na verdade, não sei explicar muito bem, mas a minha irmã mais nova teve exatamente o mesmo problema, então espero que não seja só uma piquísse minha >.<

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  3. Anónimo4.11.14

    Depois de tantos amigos me falarem que Narnia não era livro infantil, comecei ler "O Sobrinho do Mago". Eu detestei, assim como você achei a narrativa infantil e chata, e a relação com a Bíblia me fez desistir na metade. Infelizmente essa experiencia me fez até recusar a ver os filmes, que nem sei se são bons ou não...

    Rodrigo.

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    Respostas
    1. Finalmente alguém que me entende (além da minha irmã)! Eu gostei tanto do filme, das ideias, da mitologia, até das personagens, mas o autor arruinou completamente a história. Onde estava o ritmo da narrativa? Onde estavam as perguntas que nos faziam sofrer? Onde estavam as frases que nos deixam a pensar, se o autor fazia questão de responder a tudo tão prontamente? Onde estava o vocabulário rico, os detalhes, a sensibilidade? Consegui ler os 4 primeiros livros, mas não aguentei mais. Os filmes estão muito bem feitos, pelo menos são intensos, e os efeitos especiais e atores também se adequam. Provavelmente irá gostar.

      Jaa!

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